Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Informe sobre nossa incorporação à IV Internacional

O Congresso da IV Internacional, em suas resoluções finais decidiu incorporar o MES como seção simpatizante ativa.

Capa da revista Quatrième Internationale que anuncia a fundação da IV
Capa da revista Quatrième Internationale que anuncia a fundação da IV

Os que assinam o presente informe apresentaram um Texto de Contribuição ao XVII Congresso da IV Internacional “Sobre a situação mundial e as tarefas dos internacionalistas na América Latina”; o mesmo que foi considerado nos Boletins do pré-congresso e que podemos sustentar durante o desenvolvimento deste.

O Congresso da IV Internacional, em suas resoluções finais decidiu incorporar o MES como seção simpatizante ativa e prestar especial atenção ao processo peruano que pode ter transcendência sobre a América Latina, tanto pela situação objetiva como pelo papel do MNP e nossa participação como Súmate nele.

Estas decisões são um passo importante para reunificarmos os que mantivemos viva a bandeira do internacionalismo. Temos um passado comum no movimento trotskista, assumindo encontro e desencontros, assim como diferenças políticas que soubemos encarar com base na experiência na luta de classes. Acreditamos estar dando um passo importante para ajudar a superar a atomização e ser um fator de reagrupamento dos setores anticapitalistas emergentes no último período.

Ocorre numa nova fase onde se amplia a crise global do capitalismo; uma crise econômica, uma crise global de dominação, uma crise ecológica. Com a contradição que quando o marxismo está objetivamente cada vez mais na ordem do dia, há uma ausência de um polo alternativo ao capitalismo, pela dificuldade da classe trabalhadora avançar para uma consciência socialista e pela fragmentação da esquerda radical.

Desde 1999, estamos sustentando a necessidade de reagrupamento das forças anticapitalistas. Estivemos dentro do movimento antiglobalização e dos Fóruns Sociais Mundiais. E fomos parte do processo bolivariano contra os ataques imperialistas, auspiciando a presença de Chávez em Porto Alegre onde organizamos um ato que serviu para mostrar (nesse momento) a atualidade do processo bolivariano. No Peru, conservamos a longa tradição histórica desde Hugo Blanco, apoiando a luta revolucionária do campesinato e em processos posteriores.

Como parte dessa política apostamos na construção de partidos amplos, anticapitalistas, conformando o PSOL no Brasil e apoiando a construção do NPA na França. Nossos primeiros contatos com o C. E. da IV foi com Daniel Bensaid e Olivier Sabado, que serviu para abrir a hipótese de trabalho comum. Enquanto uma grande fração da Democracia Socialista com grande peso no PT brasileiro defendia a participação no mesmo (Miguel Rosseto), a direção da IV em seu congresso de 2004 votava uma resolução de ruptura com o governo, definindo o governo Lula como social-liberal. Este foi um passo importante para a construção do PSOL.

Este processo de aproximação avançou em 2011 quando constatamos que tínhamos pontos de acordo sobre o caráter global da crise do capitalismo e sobre a base das experiências de uns e outros na construção de formações anticapitalistas amplas. Fizemos uma ata comum pela qual ingressamos na condição de observadores participando nas reuniões anuais do Comitê Internacional.

Durante todo este período houve ensaios e erros que permitiram fazer novas precisões. Agora aportamos nossa experiência como Súmate no Movimento Novo Peru e do MES/PSOL no Brasil onde estamos junto com outras organizações que também fazem parte da IV. Assim como também das experiências na Venezuela, na Argentina e em outros países do Cone Sul.

O 17º Congresso nos permitiu comprovar que esses acordos progrediram; que temos coincidências importantes sobre a situação mundial, o caos geopolítico e a crise de dominação. Assim também na avaliação dos processos que incorporam novos setores à resistência dos trabalhadores (o movimento feminista, a juventude, as lutas democráticas, as lutas ecossocialistas), enquanto a classe trabalhadora, que é mais extensa e numerosa a nível mundial, demora em aparecer como caudilho da mobilização anticapitalista.

Nos seis dias de Congresso, pudemos corroborar que foi um espaço rico, com seções que refletem uma inserção importante nas lutas de seus respectivos países superando o propagandismo. Os 17 representantes do Brasil entre membros da IV Internacional, observadores e convidados mostraram que a IV Internacional tem um potencial de crescimento neste país.

O Congresso constatou que a IV tem uma rede de organizações que abarcam todos os continentes. As organizações da Filipinas e do Paquistão são as mais numerosas. No Norte da África tem presença em Marrocos, na Argélia e na Tunísia, onde fazem parte da Frente Popular e contam com dois deputados. Além de organizações em Bangladesh, Sri Lanka, Hong Kong e pequenos grupos no Japão, Austrália, Dominica, Martinica e África do Sul. Mantém uma presença centralmente europeia, como o trabalho histórico na França, que embora esteja estancado tem condições de recuperação depois do último congresso do NPA. Tem seções na Holanda, Bélgica, Itália, Suíça, Grécia, Polônia, Noruega, Inglaterra, com um peso real em Portugal no Bloco de Esquerda (que teve 10% nas últimas eleições) e Dinamarca (onde são parte da aliança Verde/Vermelha). O grupo com maior dinamismo e juventude são os Anticapitalistas do Estado Espanhol, sendo a terceira força interna do Podemos com um eurodeputado, vários deputados e regionais e a prefeitura de Cádiz. O grupo canadense tem força no movimento de mulheres e na juventude de Quebec. Nos EUA, além de um grupo com posições sectárias, estão os companheiros de Solidarity que fazem parte do DSA, o partido socialista de maior crescimento no mundo. Não puderam comparecer as delegações da Rússia e dos Balcãs pelas dificuldades com o visto.

Para a América Latina, houve uma reunião continental representativa onde estiveram Porto Rico, México, Equador, Colômbia, Brasil, Argentina, Venezuela e Peru que mostra o potencial que tem a IV em nosso continente e a possibilidade de ser um polo de atração para superar a atomização e intervir nos novos processos que estão ocorrendo.

Nosso ingresso pode dar mais energia para a América Latina e a publicação em português da revista Inprecor seria a concretização dessa política. Nossos trabalhos na América Latina vêm na direção de somar experiências. Teremos um desafio em comum nos EUA para colaborar com o DSA, no país onde se combina a resistência aos planos de Trump com o crescente interesse da juventude pelo socialismo e pelo marxismo.

Nosso ingresso se baseia numa série de acordos político que no transcurso destes anos se mostraram muito importantes. Nos localizamos na mesma posição quanto à existência de novos processos políticos (partidos amplos, movimentos) onde os revolucionários têm que intervir fazendo parte deles defendendo a democracia interna e uma política de ruptura com o colonialismo e os regimes burgueses, com uma estratégia anticapitalista. Este é um novo desafio que nos diferencia das direções que se adaptam aos velhos regimes burgueses. E ao mesmo tempo nos diferencia das correntes e organizações que seguem um curso autoproclamatório e permanecem à margem dos novos processos que se abriram.

Cremos que os acordos políticos e programáticos alcançados que selam uma tradição comum de caráter histórico fazem que nossa incorporação seja um passo muito importante. Nos incorporamos com entusiasmo às fileiras da IV no afã de trabalhar juntos para nos convertermos num fator que anime e impulsione o reagrupamento internacional dos revolucionário neste novo período da luta de classes.

9 de março de 2018.

Fonte: http://portaldelaizquierda.com/pt_br/2018/03/informe-sobre-nossa-incorporacao-a-iv-internacional/

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

Solzinho

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