Perdão pelo quê?
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Perdão pelo quê?

A pergunta ao camarada Guilherme Boulos que não quer calar: o povo ao qual vocalizava, (e ele próprio) perdoa Lula pelo quê?

Ricardo Souza 1 mar 2018, 19:10

A militância do Psol vive um importante período de debate interno sobre nossa próxima candidatura presidencial, em ano conturbado e polarizado que é 2018. Não é pouca coisa a tarefa de ser a cara do partido nestas eleições,suceder camaradas no calibre de Heloísa Helena, Plínio de Arruda e Luciana Genro, que tiveram como marcas a ousadia e a combatividade, assim como inúmeros parlamentares e lideranças em todo o Brasil.

O apelo feito na base do partido e as pré-candidaturas por prévias é justo e necessário. É saudável para oxigenar e prevenir a degeneração burocrática do partido a médio e longo prazo, deve ser um esforço coletivo de toda as correntes e núcleos partidários reforçar o poder de decisão da base da militância.Opções não faltam, além do camarada Plínio Júnior, que apresa o perfil combativo que defendemos; os camaradas Hamilton, Nildo e Sônia Guajajara, além de Guilherme Boulos, importante liderança do MTST, com perfil combativo, que aproxima-se do Partido e é apresentado pela direção majoritária também como pré candidato.

Além disso, para este bloco a decisão da Conferência Eleitoral deve manter a proporção congressual do Psol de 2017, que optou por não indicar pré-candidatura, aguardando resolução de fatos externos ao partido. Não é porque o debate foi protelado deve ser feito ás pressas, não é porque já estamos às portas das eleições que a construção não precisa ser democrática e respeitar a rica diversidade das nossas fileiras partidárias.Debate este que já vem sendo feito na sociedade civil e nos movimentos sociais, por meio da Frente Vamos,é a hora do partido se ouvir nessa construção.

Na ocasião do julgamento do TRF ao ex-presidente Lula, Boulos afirmou diante da multidão que povo “havia perdoado Lula”. Quem perdoa, absolve alguém de uma atitude equivocada, ou imoral, reconhece uma falha, da qual todos nós somos passíveis. A pergunta ao camarada Guilherme Boulos que não quer calar: o povo ao qual vocalizava, (e ele próprio) perdoa Lula pelo quê?

1- Por um “tripléx” e um sítio, objeto de um processo contestado,sem provas robustas, em um país em que golpistas e corruptos notórios seguem em altos cargos no Governo e no Parlamento aplicando o Ajuste Fiscal contra o povo com anuência vergonhosa do Supremo?

2- Ou ele se estende ao Governo Conciliação de classe? Pela aliança com o PMDB? Pelas duas contrarreformas da previdência?Pela Lei antiterrorismo? Pela atuação Henrique Meirelles e do Joaquim Levy na equipe econômica? Pelos lucros bilionários dos banqueiros? Pela Usina de Belo Monte? Pelas Remoções da Copa? Pelas concessões de portos aeroportos? Pelo Leilão do Pré-Sal?

Não sabemos a extensão do perdão de Boulos,mas caso deseje ser candidato a Presidente pelo Partido Socialismo e Liberdade, saiba que nossa militância e os fundadores de nosso partido, que sempre lutaram quando era fácil ceder, não perdoam esta sucessão de erros e traições destes anos de governo.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.