Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Vamos enterrar o SAMPAPREV

O projeto de lei é mais um dos ataques do governo tucano que propõe um aumento na contribuição previdenciária dos servidores.

Servidores municipais ocupam ruas de São Paulo contra PL de Doria - Jornalistas Livres
Servidores municipais ocupam ruas de São Paulo contra PL de Doria - Jornalistas Livres

O dia 8 de março, além de ser um dia de luta e resistência das mulheres em todo o mundo, foi esse ano marcado também como o início de uma greve histórica de professoras/es e servidoras/es do município de São Paulo na tentativa de barrar o PL 621/16 proposto pelo atual prefeito João Doria.

Não é difícil perceber que historicamente, várias figuras ligadas ao PSDB e seus aliados não medem esforços para atacar a população e retirar direitos básicos que foram conquistados ao longo de muitos anos e muitas lutas, precarizando ainda mais a vida de nós trabalhadores e de toda população periférica e de baixa renda, com acordos e projetos que só beneficiam os grandes empresários e a iniciativa privada.
O PSDB a mais de 20 anos governa o Estado de São Paulo com políticas que em nada acrescentam de forma positiva para a vida do povo, muito pelo contrário, o que vemos é a educação, saúde e muitos direitos sendo negados e cada vez mais debilitados .

O Projeto de Lei 621/16, mais conhecido como SAMPAPREV, é mais um dos ataques do governo tucano, que propõe um aumento na contribuição previdenciária das/os servidores que hoje é de 11% e pode chegar até 19% do salário e, se somado ao Imposto de Renda, chega a quase 50% do valor salarial, um verdadeiro confisco. É também uma grande ameaça ao plano de carreira das/os professores e demais servidoras/es, já que estabelece a redução de um teto de aposentadoria, ou seja, servidoras/es que trabalham durante muitos anos e têm um plano de evolução funcional para garantir um valor razoável em sua aposentadoria terão esse direito negado e até mesmo quem já está aposentado terá seu salário reduzido.

Cabe lembrar que a maior parte do ensino público municipal é exercido por trabalhadorAS, ou seja, em um momento crucial de fortalecimento, somos atacadas por governantes que nunca valorizaram professores e ainda vão na contramão desse momento histórico de luta das mulheres.

O que o Doria não esperava é justamente toda a mobilização que está acontecendo para que esse projeto não seja aprovado. A porcentagem de escolas que estão parcial ou totalmente em greve vem crescendo e já passa de 90% e da mesma forma, o número de pessoas que ocupam as ruas para lutar contra mais esse ataque é gigantesco. Além de professoras/es, outros setores do funcionalismo público também se colocam contra essa reforma e se juntam nas fileiras da greve, como agentes de saúde, médicos, engenheiros, assistentes sociais, entre outros.

Companheiras/os estão há dias acampados em frente à Câmara de Vereadores, fazendo visitas aos gabinetes dos vereadores e vereadoras para pressionar pela votação contrária ao projeto e mesmo após uma cruel repressão da PM e da GCM na semana passada, as mobilizações não pararam, muito pelo contrário, a luta só aumenta.

Famílias inteiras de servidoras/es ocupam as ruas e estudantes se juntam à luta pelo ensino público de qualidade e pela valorização de professores.

Todo o enfrentamento que vem sendo travado e a força da atuação da população de São Paulo se expressam nas ruas, com atos gigantescos que chegam a somar quase 100 mil pessoas, na força e no apoio popular das comunidades onde as escolas funcionam e se expressam também na real pressão para que essa PL seja enterrada que tem se revertido no adiamento das votações e até mesmo na mudança de posição por parte de vereadores.

Em poucos meses como prefeito, Doria já cortou várias linhas de ônibus, reduziu programas de leite e transporte escolar além de fechar várias AMAS, tentou colocar ração humana na alimentação das escolas e agora ataca diretamente servidoras/es que travam lutas diárias em seus locais de trabalho com condições e estruturas muitas vezes mínimas. Depois de articular tantos ataques, Doria está a poucos dias de deixar o mandato da prefeitura de São Paulo para se candidatar ao governo do Estado na tentativa de continuar aplicando seu plano de maldades, mas o recado das ruas de todas/os que estão mobilizados é um só: fora Doria e não ao SAMPAPREV.

A luta não para enquanto esse projeto estiver de pé e a Rede Emancipa está nessa luta conosco, professoras/es e servidoras/es do município de São Paulo até o fim. Rumo à vitória!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista