Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

A rua recupera o protagonismo

Editorial de nossa corrente-irmã peruana sobre o recente cenário político em seu país.

Reuters
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Não somente há crise na direita tradicional, também há crise de alternativa. O povo sabe o que não quer, mas ainda não tem claro o que quer.

“Que se vayan todos” [Fora todos] é a expressão generalizada de uma fadiga, não somente com o Executivo mas também com o Congresso que apresenta um magro 11% de aprovação, muito abaixo dos 21% que acompanhou PPK até o dia de sua renúncia.

São vários os fatores desse sentimento de repulsa cidadã à “classe política”. Um deles é a corrupção generalizada e sistêmica que se instalou no Estado. O outro é o ilegal indulto outorgado a Alberto Fujimori que levou a uma tensa polarização que tornava insustentável a permanência de PPK no cargo. O primeiro é um fator moral que se atiçou pela renúncia ou vacância de PPK; o outro é político e contribuiu para incrementar um clima de conflitividade social, que não foi calculado pelo mandatário recém-saído nem por seu entorno quando jogaram a carta do indulto.

Sendo que todos os partidos e ainda os poderes fáticos – como a Confiep – estão no olho da tormenta por seus nexos com a Lava Jato, o que está em jogo é a construção de uma alternativa potente à esquerda. Para isso temos que dar uma saída de fundo para a crise política que atravessa o país. Se não fazemos à esquerda, com um claro programa democrático e antineoliberal que questione toda a estrutura de poder da classe dominante, a direita terá margem para se recompor e assegurar a continuidade com um dos seus.

Ante esta situação que pode abrir um momento histórico de mudança profunda, pronunciou-se Verónika Mendoza à frente da direção política do MNP e de sua bancada.

Ela tem postulado a necessidade que o novo chefe de Estado convoque eleições gerais com novas regras em brevíssimo prazo, e a necessidade de modificar a constituição fujimorista por uma nova constituição para ir a uma mudança de fundo. No imediato, demanda ir até o final na luta contra a corrupção e reativar a economia.

Desde o diário El Comercio, porta-voz dos setores mais conservadores do empresariado nacional, tem-se pretendido desacreditar estas propostas argumentando que as duas primeiras não são saídas constitucionais e que é necessário esperar até o 2021. Não é de se estranhar. El Comercio é o diário peruano mais conservador desde as suas origens; defende a Constituição de 93 e o modelo econômico; está claro que opta pelo continuísmo, para que tudo siga igual, salvo algumas reformas como a flexibilidade laboral para ter mão de obra mais barata. Mas um amplo setor da população quer mudanças aqui e agora.

Desde o MNP devemos atender o clamor desse amplo setor da população que expressa seu descontentamento de mil maneiras. E se, efetivamente, queremos levantar uma alternativa contra a direita, nisso não se equivoca El Comercio. Nosso papel é chamar a mais ampla unidade das forças populares, sociais e de esquerda para gestar uma alternativa de governo e poder popular potente. Disso que se trata neste momento.

Reprodução da tradução publicada no Portal de la Izquierda.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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