Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Diante um governo de vândalos, mobilização geral

Partido francês lança nota sobre as recentes jornadas de mobilização no país contra o governo Macron.

Reprodução.
Reprodução.

Segunda-feira, 9 de abril às 4h da manhã, dois mil e quinhentos policiais e veículos blindados atacaram a ZAD (zona com planejamento deferido) de Notre-Dame-des-Landes. Eles interditaram os jornalistas, depois responderam com uma nuvem ensurdecedora de fumaça lacrimogênea. O governo que expulsar uma centena de pessoas que contribuíram para conseguir o abandono do absurdo projeto do aeroporto de Notre-Dame-des-Landes.

Mas seu objetivo real é muito maior, como mostram as declarações de Gérard Collomb [Ministro do interior]: “Que de uma vez por todas, se termine essa operação que começou há quarenta anos. Nós manteremos as forças da ordem para que não haja uma nova ocupação. A autoridade deve reinar em todos os lugares, e a lei deve ser respeitada em todos os lugares”.

Contestamos a autoridade do Estado

A privatização da SNCF [companhia ferroviária estatal] e de outros serviços públicos, o ataque contra o estatuto dos funcionários ferroviários e de todos os funcionários, a extinção de 120 mil postos de trabalho no funcionalismo público, a seleção na universidade, o endurecimento de políticas anti-imigrantes, incluindo a multiplicação de prisões nos campos, tudo isso não basta para o governo. Ele abre novo front com a batalha militar de Notre-Dame-des-Landes.

Do nosso lado, é preciso encarar essa violência antissocial, esse autoritarismo sem limites. Cada um tem uma boa razão para agir, certamente no setor público, mas também no setor privado onde a aplicação da “loi travail” [“lei do trabalho”: a reforma trabalhista aprovada durante o último governo de François Hollande], das prescrições, agravam as condições de trabalho, desenvolvem a precariedade e facilitam as demissões.

Um governo mais ilegítimo do que nunca

Lembremos que Macron foi eleito…. enquanto que apenas 16% dos inscritos votaram nele no primeiro turno das eleições presidenciais! Hoje, menos de 40% dos sondados dizem confiar em Macron.

É tempo de dizer chega. Diferentes datas existem para nos agruparmos: 9 de abril com os trabalhadores ferroviários, 10 de abril com a juventude, 19 de abri com a nova jornada inter-profissional de greve, às quais se somam a proposta de um grande dia de manifestação unitária contra o governo.

Para o governo ceder, é preciso grandes manifestações, que mostrem nossa força coletiva. Mas também é preciso um movimento de greve massivo que bloqueie a economia. Os trabalhadores ferroviários não deve ser o únicos a poderem parar o torneiro: funcionários dos hospitais, da limpeza, nos escritórios, na educação, do setor privado, etc. Nós somos muitos que podem, que devem, influir sobre a correlação de forças.

Reivindicar e construir um outro mundo

Em Notre-Dame-des-Landes e nas universidades, se discute uma outra sociedade, como durante o inverno de 1995, como em Maio de 68. A situação atual nos bairros populares, nos serviços públicos, nos locais de trabalho, não é aceitável: é preciso recuperar o terreno, impondo, por exemplo, a divisão do tempo de trabalho sem perda salarial para acabar com o desemprego, a criação de um milhão de postos de trabalho nos serviços públicos. Há dinheiro: 93,4 bilhões de lucros para as empresas do CAC40 [índice financeiro que as 40 maiores empresas francesas] em 2017, entre 60 e 80 bilhões de euros de evasão fiscal em 2017. O problema é pegar esse dinheiro, que a rua governe, que os trabalhadores mobilizados imponham aos capitalistas a satisfação de necessidades coletivas.

Segunda-feira, 9 de abril de 2018.

Originalmente publicado no site do NPA. Tradução de Pedro Micussi para a Revista Movimento. 

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

Solzinho

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista