A farsa da Reforma Trabalhista
Reinaldo Canato/VEJA

A farsa da Reforma Trabalhista

Segundo o IBGE, o Brasil encerrou o primeiro trimestre com uma taxa de desemprego de 13,1%, contra 11,8% no fim de dezembro do ano passado.

Luciana Genro 18 maio 2018, 18:20

Até para quem chegou a acreditar na conversa mole do governo Temer fica cada vez mais clara a farsa por trás da promessa de que a reforma trabalhista ajudaria a resolver o problema do desemprego no Brasil. Os números que desmascaram a mentira são do próprio governo, pois na quinta-feira (17) o IBGE divulgou que voltou a crescer o número de desempregados, de desalentados (aqueles que desistiram de procurar trabalho porque já não acreditam que terão novas oportunidades) e de trabalhadores subutilizados.

Segundo o IBGE, o Brasil encerrou o primeiro trimestre com uma taxa de desemprego de 13,1%, contra 11,8% no fim de dezembro do ano passado. São 13,7 milhões de pessoas sem trabalho, ou quase 1,4 milhão a mais do que em dezembro. Já o número de trabalhadores ocupados caiu de 92,1 milhões para 90,6 milhões (1,5 milhão a menos) e o de empregados em empresas privadas com carteira assinada diminuiu de 33,3 milhões para 32,9 milhões (408 mil a menos).

O índice de desemprego até caiu um pouco diante dos 13,7% do primeiro trimestre de 2017, mas isto não quer dizer que a situação melhorou. Pelo contrário. A queda só aconteceu porque 4,6 milhões de pessoas desistiram de procurar emprego entre janeiro e março deste ano, o maior número desde que a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) começou a ser feita pelo IBGE, em 2012.

A taxa de desocupação é ainda maior entre a população negra (16%) e as mulheres (15%), e quando se somam os desempregados, os desalentados e os que gostariam de trabalhar por períodos maiores, o número de trabalhadores brasileiros “subutilizados” no primeiro trimestre deste ano também bateu o recorde de 27,7 milhões de pessoas, ou 1,2 milhão a mais do que em dezembro. Ao invés de estimular o emprego, o que a reforma fez foi facilitar as demissões e precarizar o trabalho.

Os militantes e parlamentares do PSOL lutaram muito para que a reforma trabalhista não fosse aprovada. Sabíamos que o presidente ilegítimo Michel Temer e esse congresso, que em sua maioria defende os interesses das famílias mais ricas do Brasil, queriam aprovar essa (contra)reforma para diminuir ainda mais os direitos do trabalhadores.

Vencemos a luta contra a reforma da previdência, mas perdemos a luta contra a reforma trabalhista. O importante é que precisamos seguir unidos para barrar todos os outros ataques que possam vir!

Seguimos na luta!

Artigo originalmente publicado no site da autora.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.