Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Contra o desmonte da greve, estamos com os caminhoneiros

Nossa tarefa é unir a luta contra o preço dos combustíveis com a defesa implacável contra as privatizações da Petrobras, da Eletrobrás e dos Correios.

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O exemplo para derrotar o ajuste neoliberal de Temer e da burguesia

Uma grande greve de caminhoneiros está parando o país. Mesmo com a Rede Globo tentando jogar a população contra o movimento, o apoio popular é evidente. Foi impressionante nos últimos dois dias. Nós estivemos desde o primeiro dia dialogando e apoiando os piquetes, defendendo o apoio a greve nos espaços onde atuamos e utilizando nossos parlamentares e figuras públicas para dar visibilidade a luta. Agora o governo pretende desmontar a luta anunciado negociações no congresso e acordos com entidades que não tem a legitimidade da base.

Não acreditamos que será através de negociações no parlamento e a redução temporária de algum tributo que resolverá a grave crise do aumento do preços dos combustíveis. A luta dos caminhoneiros abriu o caminho de um amplo movimento popular contra a alta dos combustíveis. A greve veio da base. É falso que ela é um lockout. Ela contou com apoio de parte das empresas transportadoras do ramo, mas sua origem é a indignação da categoria, um setor do proletariado brasileiro. A aposta do governo é pressionar as empresas para dividir a greve, se apoiando na mídia e na repressão. Nossa aposta é nos caminhoneiros.

Em quatro dias de greve o governo teve que apresentar propostas que no dia anterior ele negava. Mas o recuo do governo não muda o essencial: a política de preços da Petrobrás. Neste momento em que o governo se prepara para impor um acordo que não atende os interesses da categoria, e que não foi discutido com os caminhoneiros, é preciso ter uma leitura clara da situação e uma posição sem hesitação em favor da greve. Este texto é parte da luta contra o desmonte da greve e contra a repressão que o governo prepara. O desafio é aumentar o movimento, derrubar o presidente da Petrobras, e reduzir os preços dos combustíveis de modo definitivo

A política de preços para os combustíveis alicerçada no acompanhamento diário dos preços internacionais do petróleo e não nos interesses do povo brasileiro estrangulou economicamente centenas de milhares de caminhoneiros que viram a renda de suas famílias diminuir drasticamente, essa mesma política que visa atender investidores internacionais e transformar a Petrobras em uma empresa sem qualquer responsabilidade social também faz com que muitas famílias pobres não tenham mais como comprar gás de cozinha e que motoristas de aplicativo, taxistas e motoboys precisem fazer jornadas de trabalho cada vez maiores para pagar a gasolina.

A política de preços da Petrobras com a qual os caminhoneiros estão se chocando é parte fundamental do projeto de transformar a Petrobras em uma empresa cada vez menos pública, brasileira e ligada aos interesses da sociedade. Pedro Parente se comporta como um interventor do capital internacional, se esforçando mais em garantir aos investidores internacionais que a política entreguista vai continuar do que preocupado em atender a justa reivindicação da diminuição do preço dos combustíveis.

É preciso unir a luta dos caminhoneiros, com a dos motoboys e motoristas que começam a se mobilizar em muitos estados e com todos os trabalhadores do Brasil. A luta surgida em grande medida da revolta das bases e articulada pelo WhatsApp conta com algum grau de confusão ideológica, mas é justa na sua demanda e um enorme entrave nos planos privatistas de Temer para a Petrobras.
Independente do desenlace, nos marcos do que está colocado, os caminhoneiros já provaram que o povo tem força. Para quem tinha esquecido de junho de 2013, eis mais uma lembrança.

Nossa tarefa é unir a luta contra o preço dos combustíveis com a defesa implacável contra as privatizações da Petrobras, da Eletrobrás e dos Correios.

Somente parando tudo é que conseguiremos salvar nossas empresas da predação do capital internacional e vencer o ajuste do Temer. Não é justo que os trabalhadores e povo arquem com os custos da crise pagando mais caro nos combustíveis e alimentos, se aposentando mais tarde e com menos direitos trabalhistas. Que os ricos paguem pela crise com a taxação de fortunas multimilionárias e tributação sobre lucros e dividendos.

Apoiar os caminhoneiros, atuar para transbordar a luta e superar as vacilações de quem enxerga com desconfiança qualquer processo que passe por fora da chancela do petismo não é aproveitar uma oportunidade, é ser responsável com a classe trabalhadora brasileira. Como em 2013, uma parte dos setores petistas atua para deslegitimar uma luta justa.

A indignação contra os corruptos do congresso e ao presidente ilegítimo precisa se expressar em uma saída dos de baixo. Precisamos que o país se reconstrua a partir de um governo realmente popular, com a participação ativa dos trabalhadores e do povo!

É preciso:

  • Para reduzir o preço dos combustíveis só parando o país!
  • Viva a mobilização dos caminhoneiros, motoboys, motoristas de aplicativo, estivadores, metalúrgicos, professores! Que todas essas lutas se encontrem em uma só!
  • Demissão imediata do agente do capital internacional Pedro Parente.
  • Cadeia para o corrupto e irresponsável Michel Temer e eleições gerais.
  • Controle popular dos preços dos combustíveis com a participação dos caminhoneiros.
  • Contra a entrega da patrimônio brasileiro não a privatização da Petrobras, Eletrobrás e Correios.
  • Por uma assembleia nacional constituinte com direito eleitoral para candidaturas sem partido.
  • Abaixo a repressão! Essa é arma da burguesia pra desmontar a greve!
  • Pela convocação imediata de um dia nacional de lutas e paralisação de todos os trabalhadores contra o aumento dos combustíveis!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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