Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Todo apoio aos caminhoneiros em greve

Não é uma greve patronal, uma vez que a base se recusa a aceitar o acordo das entidades sindicais com o governo ilegítimo e comprovadamente composto por uma quadrilha.

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Não significa que a totalidade dos caminhoneiros são de esquerda e revolucionários. Uma vez que uma ínfima parcela da população se considera de tal forma.

Mas o que fazer numa situação dessas ao olhar de um marxista?

O marxismo se constrói sob três fontes: a filosofia, a economia e a política. A filosofia nos mostra o materialismo, os ajustes nas costas do povo tal como o aumento da gasolina, a CLT, a reforma da previdência, a inflação, o aumento do custo de vida e a precarização do trabalho tem força de mobilizar; a dialética nos impõe que nenhum movimento subjetivo e objetivo é linear, tudo se transforma. A partir disso defendemos o trabalho de base e a disputa da consciência de classes.

A direita de uns anos para cá, com a crise do capitalismo no país e a crise de representatividade tem dado a batalha na disputa da consciência para o lado deles. Bolsonaro é uma expressão de que não existe vazio na política. Assim como outras experiências no mundo, tal qual a disputa de ideias de esquerda e democráticas nos EUA em constante embate com Trump, por exemplo.

Nosso papel central é fazer a disputa para além de nós mesmos. O Facebook nos coloca numa bolha, ecoamos pouco nas redes sociais. Cada vez, mais e mais estamos por aqui isolados numa zona de conforto da esquerda. Enquanto na minha timeline a discussão é se apoia ou não a greve dos caminhoneiros, a realidade é muito mais objetiva.

Ontem às entidades representativas dos caminhoneiros assinaram um acordo com Temer. A base não aceitou. Permanecem em greve e a pouco o governo ameaçou de reprimir os manifestantes que bloqueiam as estradas.

O melhor apoio que podemos dar ao movimento é querer disputa-los. Quando ano passado o movimento de servidores do Estado do RJ ocupou a assembleia contra ataques a toda categoria, muitos daqueles eram pró-bolsonaro, ao um da linhagem bolsonada falar merda em tribuna se voltou contra ele. Isso é a classe trabalhadora se testando. Estarmos em apoio é nos movimentarmos para ampliar o leque dos que resistem aos ataques e se organizam no Brasil.

A conjuntura nos dá medo. Mas devemos ter coragem para conseguir mudar os rumos do país. Coragem pra disputa de consciência da classe trabalhadora como um todo. Coragem para radicalização das lutas da população. Coragem para apoiar paralisando, fazendo greve geral. Pra mostrar que esses manifestantes são parte de um movimento de trabalhadores nacional. Isso Bolsonaro não faz, nem Globo, nem os ananá que que se reúnem em meia dúzia com faixa pedindo intervenção militar. Disputamos consciência. Enraizemos as lutas.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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