Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Da caça às bruxas ao maio de 68: o corpo da mulher como terreno de luta

Sobre o papel do movimento feminista no interior das lutas de 1968 e sua importância à ascensão das mulheres a patamar de maior igualdade formal.

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Não há dúvida que a emancipação das mulheres e a revolução sexual que ocorreu na década de 1970 tiveram no Maio de 1968 suas sementes. Muito embora não tenha sido um movimento diretamente feminista, as mulheres participaram do Maio de 68 ativamente, não só na França, mas em toda a parte onde ocorrem lutas neste período. Elas eram estudantes, trabalhadoras, militantes, grevistas, estavam nos protestos e nas assembleias. Dificilmente estavam entre as lideranças, pois este era apenas o começo de uma libertação que se intensificou na década seguinte. “Havia muitas mulheres em 1968. E, a partir de 1970, muitos grupos feministas foram criados. Mas esses grupos nasceram apenas depois de 1968”, lembra Isabelle Saint-Saens, então estudante de economia na Unidade de Nanterre.

Nas décadas seguintes as feministas ganharam postos de relevância na luta pelo direito ao corpo e à sexualidade. A ideia de que o nosso corpo nos pertence se fortaleceu imensamente. Na França, berço dos movimentos de 68, as mulheres conquistam o direito a contracepção sem restrições em 1974 e em 1975 o direito ao aborto nas primeiras dez semanas de gravidez.

É, portanto, fato notório a importância do Maio de 1968 nisto que ficou conhecido como “liberação dos costumes”, o que inclui também a ascensão das mulheres a um patamar de maior igualdade formal perante os homens. O que não é de todo aceito é a importância desta luta destravada pelo Maio de 68 no enfrentamento ao capitalismo. Ainda é muito comum a difusão da ideia de que a revolução sexual, a luta pelo direito ao corpo e à sexualidade são lutas de menor importância e que, portanto, as consequências do Maio de 68 neste terreno não foram relevantes para a luta anticapitalista.

O que desejo demonstrar neste artigo é a tese desenvolvida por Silvia Federici, feminista marxista, no seu livro “Calibã e a Bruxa – Mulheres, Corpo e Acumulação Primitiva” (ed. Elefante, 2004) sobre a importância do corpo no processo de dominação capitalista, e de como a subjugação das mulheres foi fundamental no disciplinamento da mão de obra e na acumulação primitiva que forneceu as bases econômicas para o desenvolvimento capitalista. Daí decorre a importância desta luta e do legado de Maio de 1968 neste terreno.

Este artigo faz parte do livro 50 anos das revoluções de 1968: O início de uma luta prolongada. Para ler este e demais textos, compre a edição especial de n. 9 da Revista Movimento aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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