Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Golaço de solidariedade da Argentina

O cancelamento do jogo entra Argentina e Israel representa a solidariedade que deve permanecer e crescer entre os povos contra o imperialismo

Outdoor com foto do jogador argentino Lionel Messi exposto na cidade de Hebron, na Cisjordânia, fotografado em 5 de junho - Hazem Bader/AFP
Outdoor com foto do jogador argentino Lionel Messi exposto na cidade de Hebron, na Cisjordânia, fotografado em 5 de junho - Hazem Bader/AFP

Após grandes protestos pró-palestinos contra o jogo amistoso que aconteceria neste sábado, dia 9, entre Argentina e Israel, a Associação de Futebol Argentino (AFA) cancelou a partida como uma demonstração de solidariedade entre os dois..
O jogo pré-Copa do Mundo que aconteceria em comemoração aos 70 anos da independência do Estado de Israel e como parte de uma tradição argentina de anos, foi caracterizado como parte de uma política de “sport-washing”, onde o futebol, neste caso, seria utilizado como política para encobrir os direitos palestinos violados cotidianamente pelo Estado dentro e fora do campo.

Campanhas internacionais

Após anúncio do jogo, o Movimento internacional BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) chamou uma campanha de Boicote Acadêmico e Cultural contra este amistoso com palavras de ordem como “Argentina não vai” (#ArgentinaNoVayas), atingindo patamares internacionais, resultando em diversos protestos com presença da bandeira palestina e uniformes argentinos tingidos de vermelho para simbolizar o sangue palestino que o Estado de Israel derrama.
Chamando pelo fim da Ocupação, pelo direito de retorno de todos os refugiados e pela igualdade de direitos para os cidadãos palestinos israelenses, o BDS afirmou que “não há nada ‘amigável’ sobre a ocupação militar e o apartheid”, condenando portanto a “amizade” entre os países resultante do jogo.

Jerusalém

O amistoso aconteceria em Jerusalém, local que foi palco de diversas polêmicas e lutas atuais.

Sendo uma região que concentra um microcosmo dos conflitos entre israelenses e palestinos, ela canaliza diversas violações de direitos como a demolição de casas, segregação, prisões arbitrárias, entre outros.

A região, reivindicada religiosamente pelo cristianismo, islamismo e judaísmo, vem sendo um local de disputa a muito tempo. No entanto, no final do ano de 2017, a transferência da embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo o território como israelense, representou o estopim e resultou em grandes manifestações locais e internacionais.

Após a constituição do Estado de Israel e da Nakba em 1948 – catástrofe palestina que resultou numa limpeza étnica de centenas de milhares de palestinos e na destruição de vilas – Jerusalém foi dividida dois lados: ocidental e oriental, com o primeiro sendo de comando israelense. No entanto, após a Guerra dos Seis Dias em 1967, o Estado ocupou a parte oriental de Jerusalém, promovendo uma série de ataques, principalmente a expropriação de terras.

Tal situação foi condenada pela ONU e por diversos países da comunidade internacional, sendo a sinalização de Donald Trump da região como capital de Israel e tentativa de promover eventos israelenses no local um grave atentado à comunidade palestina, com o encobrimento das guerras causadas pelas ocupações e da discriminação sofridas no local..

Devido a todo o símbolo que Jerusalém possui, de ocupação, discriminação e genocídio, o Movimento BDS e a Associação de Futebol Palestina, se colocaram contrárias à realização deste jogo na região.

Solidariedade entre os países, contra o imperialismo

O cancelamento do jogo, à pressão dos jogadores após as campanhas e protestos com pedidos nominais para estes não irem ao jogo, principalmente para o capitão Leonel Messi – com manifestos feito pelos palestinos, palavras de ordem como “Messi não jogue” e demonstração de perda de apoio com queima de seu uniforme caso fosse – mostra um avanço que deve ser celebrado como vitória contra as tentativas políticas de Israel de promover eventos para encobrir suas ações.

A Argentina também foi palco de colonização, destruição e expulsão de vilas e povos, assim como a maior parte dos países do Eixo Sul.

O cancelamento deste jogo, portanto, representa a solidariedade que deve permanecer e crescer entre estes povos. Representa a luta dos que passaram e sofrem com a colonização e discriminação e a união dos de baixo contra os interesses e ataques dos de cima, representando o imperialismo e capitalismo.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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