Golaço de solidariedade da Argentina
Outdoor com foto do jogador argentino Lionel Messi exposto na cidade de Hebron, na Cisjordânia, fotografado em 5 de junho - Hazem Bader/AFP

Golaço de solidariedade da Argentina

O cancelamento do jogo entra Argentina e Israel representa a solidariedade que deve permanecer e crescer entre os povos contra o imperialismo

Marina Bozzetto 7 jun 2018, 13:42

Após grandes protestos pró-palestinos contra o jogo amistoso que aconteceria neste sábado, dia 9, entre Argentina e Israel, a Associação de Futebol Argentino (AFA) cancelou a partida como uma demonstração de solidariedade entre os dois..
O jogo pré-Copa do Mundo que aconteceria em comemoração aos 70 anos da independência do Estado de Israel e como parte de uma tradição argentina de anos, foi caracterizado como parte de uma política de “sport-washing”, onde o futebol, neste caso, seria utilizado como política para encobrir os direitos palestinos violados cotidianamente pelo Estado dentro e fora do campo.

Campanhas internacionais

Após anúncio do jogo, o Movimento internacional BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) chamou uma campanha de Boicote Acadêmico e Cultural contra este amistoso com palavras de ordem como “Argentina não vai” (#ArgentinaNoVayas), atingindo patamares internacionais, resultando em diversos protestos com presença da bandeira palestina e uniformes argentinos tingidos de vermelho para simbolizar o sangue palestino que o Estado de Israel derrama.
Chamando pelo fim da Ocupação, pelo direito de retorno de todos os refugiados e pela igualdade de direitos para os cidadãos palestinos israelenses, o BDS afirmou que “não há nada ‘amigável’ sobre a ocupação militar e o apartheid”, condenando portanto a “amizade” entre os países resultante do jogo.

Jerusalém

O amistoso aconteceria em Jerusalém, local que foi palco de diversas polêmicas e lutas atuais.

Sendo uma região que concentra um microcosmo dos conflitos entre israelenses e palestinos, ela canaliza diversas violações de direitos como a demolição de casas, segregação, prisões arbitrárias, entre outros.

A região, reivindicada religiosamente pelo cristianismo, islamismo e judaísmo, vem sendo um local de disputa a muito tempo. No entanto, no final do ano de 2017, a transferência da embaixada norte-americana de Tel Aviv para Jerusalém, reconhecendo o território como israelense, representou o estopim e resultou em grandes manifestações locais e internacionais.

Após a constituição do Estado de Israel e da Nakba em 1948 – catástrofe palestina que resultou numa limpeza étnica de centenas de milhares de palestinos e na destruição de vilas – Jerusalém foi dividida dois lados: ocidental e oriental, com o primeiro sendo de comando israelense. No entanto, após a Guerra dos Seis Dias em 1967, o Estado ocupou a parte oriental de Jerusalém, promovendo uma série de ataques, principalmente a expropriação de terras.

Tal situação foi condenada pela ONU e por diversos países da comunidade internacional, sendo a sinalização de Donald Trump da região como capital de Israel e tentativa de promover eventos israelenses no local um grave atentado à comunidade palestina, com o encobrimento das guerras causadas pelas ocupações e da discriminação sofridas no local..

Devido a todo o símbolo que Jerusalém possui, de ocupação, discriminação e genocídio, o Movimento BDS e a Associação de Futebol Palestina, se colocaram contrárias à realização deste jogo na região.

Solidariedade entre os países, contra o imperialismo

O cancelamento do jogo, à pressão dos jogadores após as campanhas e protestos com pedidos nominais para estes não irem ao jogo, principalmente para o capitão Leonel Messi – com manifestos feito pelos palestinos, palavras de ordem como “Messi não jogue” e demonstração de perda de apoio com queima de seu uniforme caso fosse – mostra um avanço que deve ser celebrado como vitória contra as tentativas políticas de Israel de promover eventos para encobrir suas ações.

A Argentina também foi palco de colonização, destruição e expulsão de vilas e povos, assim como a maior parte dos países do Eixo Sul.

O cancelamento deste jogo, portanto, representa a solidariedade que deve permanecer e crescer entre estes povos. Representa a luta dos que passaram e sofrem com a colonização e discriminação e a união dos de baixo contra os interesses e ataques dos de cima, representando o imperialismo e capitalismo.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.