Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

ARQUIVO: Imagina na Copa…

Em Junho de 2013, após brutal violência policial durante ato em São Paulo, os governos repressores de PT e PSDB eram desmascarados.

Imagem de campanhas vinculadas na internet durante Junho de 2013
Imagem de campanhas vinculadas na internet durante Junho de 2013

Hoje foi o dia de caírem as máscaras.

Até a mídia mais conservadora, que ontem exortava a polícia a “retomar a Paulista” ou a construir a “hora do basta” contra os protestos pela redução das tarifas em São Paulo foi obrigada a denunciar a violência fascistoide da polícia contra tudo e contra todos, inclusive vários de seus jornalistas.

Momentos antes do início da barbárie promovida pela polícia – após a bela demonstração de força e unidade do movimento na caminhada pacífica – eu estava cumprindo a tarefa de comunicar ao Tenente-Coronel BenHur, chefe da operação, a nossa intenção de continuar o ato até o Ibirapuera. Escapou dele a resposta “Realmente, vocês estão de parabéns. Sou favorável ao seu percurso, mas preciso consultar meus ‘superiores’”. Imediatamente depois disso as bombas estouraram enquanto os manifestantes gritavam “Sem violência”.

A promessa de repressão anunciada por PT e PSDB como tentativa de ganhar credibilidade de investidores para a realização da Expo 2020 em São Paulo, cumpriu-se, mas não convenceu ninguém. São revoltantes as imagens que pipocam nas redes sociais como as das prisões indiscriminadas, da jornalista da Folha atingida por bala de borracha e de um policial quebrando a própria viatura para forjar a tal ação dos “vândalos”.

Sem dúvidas, a extrema violência da ação policial dessa quinta-feira estava premeditada e também ocorreu em outras cidades que atenderam à convocação desse “dia nacional de lutas contra os aumentos”. Seu sentido era tentar acabar com o movimento antes do começo da Copa das Confederações, quando os olhos do mundo estarão voltados ao Brasil e outras cidades do país, que sofrem do mesmo ou outros problemas urbanos decorrentes da realização dos megaeventos, não se sentissem estimuladas a sair às ruas.
Na imprensa internacional também caiu a máscara brasileira. As manchetes estampam a violação das liberdades de manifestação e imprensa ao lado das remoções forçadas de famílias e do desrespeito generalizado às legislações e direitos adquiridos, regras da “ditadura da Copa”. O ministro José Eduardo Cardozo é o principal responsável por garantir, além da criminalização dos protestos, o amplo leque de violações de direitos humanos, a começar pelos conflitos indígenas.

Contudo, mesmo com jornalistas, trabalhadores e estudantes feridos e presos, telefones grampeados, policiais (muitos) infiltrados no movimento, o clima de terror construído por Haddad, Alckmin e Cardozo após a manifestação da última terça-feira não vingou e a ação brutal da polícia nessa quinta terminou com o fortalecimento público de que a legitimidade e a história estão nas ruas do lado dos manifestantes, não dos governos. Está evidente que o desfecho dessa questão não pode ser outro senão a redução das tarifas e liberação dos detidos.

A adesão da população às manifestações é nítida e os atos ganham cada vez mais peso. A proposta de negociação feita Ministério Público de suspensão do reajuste por 45 dias até que uma comissão analise a legalidade e legitimidade do decreto da prefeitura foi aceita pelo movimento, mas negada pela prefeitura, que continua intransigente. Enquanto isso o movimento segue. E amanhã será maior. Imagina na Copa…

14 de junho de 2013

Artigo originalmente publicado em juntos.org.br.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

Solzinho

Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky Uma biografia inédita de Stalin escrita por Leon Trotsky

Leon Trotsky Joseph Stalin

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista