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As Revoluções de 68: os cinquenta anos do Maio francês estão muito longe de ser meras comemorações

Podemos destacar nos acontecimentos de 68 um caráter anti-imperialista, anticapitalista e antiburocrático.

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As Revoluções de 68: os cinquenta anos do Maio francês, como os cem anos da Revolução Russa, estão muito longe de ser meras comemorações

Os cinquenta anos do maio francês, assim como o centenário da Revolução Russa de 1917, estão muito longe de serem meras comemorações rituais. São datas históricas da luta dos trabalhadores para sua autoemancipação que se incorporam à nossa história; a partir delas, é possível extrair lições e dar continuidade à luta pelo socialismo. Essa história está viva nos acontecimentos centrais da luta de classes. Inegavelmente, as revoluções de 68 tiveram consequências objetivas e subjetivas que foram fundamentais nas últimas décadas do século XX e do XXI.

A primeira coisa que vem à memória quando se recorda 1968 é o Maio Francês. Há na França uma herança, uma longa tradição de luta que deixou sua marca e até hoje permanece. Não é uma casualidade que os trabalhadores e os estudantes franceses estejam agora nas ruas enfrentando Macron e uma das palavras-de-ordem levantadas pelo NPA (um dos herdeiros de 68) seja “façamos um novo Maio Francês”. O povo, os estudantes franceses e os trabalhadores têm uma das maiores tradições revolucionária.

Contudo, o 68 não foi somente o Maio Francês. O sistema-mundo (usando as palavras do sociólogo Immanuel Wallerstein) foi sacudido por uma onda de revoluções, seguramente a mais importante depois da situação revolucionária europeia (então, o centro hegemônico do mundo) com o final da I Guerra Mundial em 1917 e depois da situação revolucionária mundial aberta pela II Guerra em 1945. A primeira significou a conquista do poder na Rússia; a segunda, a conquista do poder na China e na Iugoslávia, além da expropriação da burguesia em um terço do planeta. (Voltaremos à comparação entre estas três situações mundiais mais adiante).

Há 50 anos, houve uma grande onda revolucionária que foi precedida por fortes agitações no movimento estudantil durante toda a década. Em janeiro de 1968, a ofensiva do Tet no Vietnã impulsionou o movimento antiguerra nos EUA e em muitas partes do planeta, da Europa Ocidental ao Japão, contra a guerra no Vietnã. Em solo norte-americano, a luta pela libertação racial do movimento negro já vinha de bem antes e se expandiu com força. A Europa assistiu à revolução antiburocrática contra o stalinismo na Tchecoslováquia, bem como seus ecos nos países do Leste (Varsóvia e Belgrado). A Revolução Cultural incentivada por Mao na China logo se converteu numa revolução de estudantes e de jovens trabalhadores, sufocada abruptamente pela própria burocracia. Nesta mesma época, tiveram lugar a insurreição juvenil contra o ditador Habib Bourguiba, as mobilizações estudantis contra a ditadura brasileira, o Rosariazo e o Cordobazo na Argentina, a greve geral política no Uruguai (1971), o triunfo de Allende no Chile (1970), os governos pequeno-burgueses nacionalistas do general Velasco Alvarado (1968-1975) que fizeram a reforma agrária no Peru, o governo do general frente-populista de Juan José Torres (1970-1971) e a Assembleia Popular na Bolívia. Esta onda pré-revolucionária teve seu fim com a Revolução dos Cravos em Portugal, cujas origens se situam na derrota do exército colonialista português para os movimentos de libertação nacional em suas colônias, componente fundamental deste período mundial numa África que não pode ser esquecida.

Ao final deste texto, faremos referência especialmente aos processos da Argentina, Bolívia, e Uruguai. Entretanto, antes disso, gostaríamos de aportar algumas características gerais que servem para tirar também conclusões gerais.

Este artigo faz parte do livro 50 anos das revoluções de 1968: O início de uma luta prolongada. Para ler este e demais textos, compre a edição especial de n. 9 da Revista Movimento aqui!

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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