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Pedro Fuentes, um revolucionário, completa 75 anos

Roberto Robaina homenageia Pedro Fuentes, militante revolucionário e dirigente do MES que hoje completa 75 anos.

Pedro Fuentes. Reprodução
Pedro Fuentes. Reprodução

Pedro Fuentes é o nome de guerra de Alberto Pujals. No Brasil, país em que vive há quase 20 anos, todos o conhecem por Pedro Fuentes. Não é para menos: Pedro é um guerreiro. Hoje ele completa 75 anos.

Foi desde muito jovem militante revolucionário, marxista e ateu.

Começou em Pergamino, sua terra natal, na Argentina. Sua escola de luta foi o movimento secundarista. Sua primeira referência foi seu próprio irmão, Luiz, um ano mais velho. Os dois entraram juntos no partido conduzido por Nahuel Moreno. Mas, inspirado pela revolução cubana, o partido se dividiu. Contra Moreno, uma ala adotou a orientação guerrilheira. Pedro seguiu a linha de Moreno, que defendeu não abandonar as estruturas da classe operária e seguir a resistência, na clandestinidade, mas acompanhando o movimento de massas, não com ações isoladas. A continuidade da luta durante a ditadura genocida foi dura, mas o partido passou a prova e surgiu anos depois como Movimiento al Socialismo (MAS), se convertendo num forte partido de vanguarda com influência de massas em alguns setores. Eram cerca de 10 mil militantes organizados em células semanais. Pedro era um dos seus principais dirigentes, responsável sindical.

Seu irmão tinha tombado na luta guerrilheira. Havia sido um dos líderes do Exército Revolucionário do Proletário (ERP). Foi um dos primeiros desaparecidos. Neste ponto há um encontro entre a biografia de Pedro Fuentes e de Lênin.

Lênin tinha 17 anos quando seu irmão mais velho foi executado pela repressao czarista. Alexandre havia se incorporado numa organização revolucionária que adotava o método terrorista (atentados contra autoridades sobretudo) no enfrentamento a ditadura czarista. Lênin foi impactado. Admirava profundamente a coragem de seu irmão. E não lhe faltou coragem. Sua vida foi dedicada à construção e à realização da revolução mundial. Passou a vida como profissional da revolução e construtor de um partido desse tipo. É exatamente a experiência de Pedro Fuentes. É o que tem feito ao longo de todos estes anos e nessa condição foi fundador do MAS da Argentina e do PSOL, partido do qual foi seu primeiro secretário de relações internacionais e onde atua como dirigente do MES, Movimento Esquerda Socialista, corrente da qual é fundador.

Walter Benjamin dizia que mais do que pela libertação da humanidade no futuro, lutamos para vingar os que tombaram e as vítimas desse sistema. No caso de Pedro, creio que o passado foi sim capaz de fazer dele um militante inquebrantável, de todas as horas. Mas o conheço bastante bem para dizer que neste caso Walter Benjamin não está de todo certo. Pedro luta pelo futuro. Ele vê em cada jovem do Juntos, em cada jovem militante, não só um continuador da causa da revolução. Vê a necessidade de libertar a vida de todo o mal e violência, como dizia Trotsky, seu principal referente teórico e político. Vê que há possibilidades novas para o gênero humano. Pedro, sim, é daqueles tais de imprescindíveis de que falava Brecht.

Além de prático, Pedro tem escrito e elaborado política e teoricamente. Foi quem deu as primeiras bases de nossa corrente. Para isso, foi fundamental sua relação com os espanhóis nos anos 90 e com Aníbal Ramos, infelizmente já falecido, com cerca de 50 anos de idade. Tive a sorte de participar dessas equipes. A equipe com Pedro continua e já se vão mais de 25 anos de trabalho comum. Assim que se cuide, meu caro Pedro. Precisamos muito dos teus serviços.

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Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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