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Vitória dos professores: Sieeesp mantém a convenção coletiva

O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo foi obrigado a recuar depois da mobilização da categoria.

Reprodução.
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A mobilização dos professores das escolas particulares obteve uma importante vitória nesta quarta-feira, 06/06: O Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado de São Paulo (SIEEESP) foi obrigado a recuar e manteve a Convenção Coletiva da categoria.

​Tudo começou no início deste semestre, quando o sindicato da patronal recusou-se a assinar o acordo anual de reajuste com o sindicato dos professores (Sinpro). Além disso, os patrões queriam cortar direitos históricos conquistados pela categoria: redução do recesso escolar de 30 para 20 dias; redução de 2 para 1 no número de bolsas para filhos de professores; e exigência de um maior período de trabalho para a garantia da semestralidade (que é o direito do professor receber o equivalente a um semestre todo caso seja demitido no meio deste período). O ataque era uma consequência direta da reforma trabalhista, que prevê a prioridade do “negociado” sobre o “legislado” – ou seja, que a negociação direta entre patrão e empregado possa prevalecer sobre garantias legais estabelecidas com os sindicatos.

​Desde então, os professores realizaram grandes manifestações com milhares de pessoas expondo suas questões para a sociedade. Mais de cem escolas fizeram paralisações. Foram realizadas dezenas de aulas públicas, atividades culturais ao ar livre, debates e manifestações locais. Inúmeros textos e abaixo-assinados em apoio foram produzidos não apenas por professores, mas por pais, mães e alunos. Aliás, cabe menção especial ao papel imprescindível que os estudantes tiveram neste processo. Centenas deles compareceram aos atos com cartazes, baterias e palavras de ordem, sem falar no protagonismo que tiveram na organização das atividades de paralisação.Mais do que um importante “reforço”, esse engajamento ajudou a imprimir um caráter dinâmico, horizontal e ousado ao movimento.

​Como resultado, nesta manhã o Sieeesp, reunido em assembleia,decidiu manter os termos da convenção coletiva por mais um ano (isto é, sem mexer nos direitos citados acima), além de 2,14% de reajuste e 15% na participação dos lucros. Mais tarde, a assembleia dos professores referendou o acordo. Esta é uma importante vitória não apenas para a categoria, mas para a educação brasileira já que freia o processo de precarização da principal categoria responsável pela educação de qualidade. Mais ainda, os professores foram a primeira categoria profissional a resistir contra os ataques da reforma trabalhista, de modo que essa luta assume caráter estratégico para o conjunto da classe trabalhadora.

​Mas o espírito dos professores na assembleia não foi de acomodação. Ao contrário, celebrou-se a vitória mas apontou-se também a necessidade de seguir mobilizado não apenas para garantir a realização do acordo e para arrancar uma convenção coletiva mais favorável para o período posterior, mas para resistir aos outros ataques que a educação vem sofrendo, como a reforma do ensino médio e o projeto “escola sem partido”. Talvez a maior vitória deste processo tenha sido o avanço de consciência e organização do movimento pela educação…

​Por tudo isso, nosso mandato saúda a vitória dos professores e coloca-se novamente à disposição para ajudar no que for preciso.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Publicamos a décima edição de nossa Revista Movimento. Dessa vez, celebramos os 80 anos de fundação da IV Internacional, comemorados em setembro de 2018, com uma seção especial. Há, também, artigos na seção internacional e de teoria. Fechamos esta edição quando a eleição brasileira se encerrava. Como não poderia deixar de ser, nesta décima edição de Movimento, apresentamos nossas primeiras análises sobre os resultados eleitorais. Sabemos que a vitória de Jair Bolsonaro trará graves ataques à classe trabalhadora e ao povo brasileiro. Estaremos com nosso povo, lutando em defesa das liberdades democráticas e de nossos direitos. Mais uma vez, esperamos que a revista seja uma ferramenta útil de construção e formação para nossos camaradas. Boa leitura!

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