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Ahed Tamimi: “Sou uma combatente pela liberdade. Não serei a vítima”

O Governo e as autoridades israelitas “estão com medo do quão longe cheguei. Eles temem sempre a verdade, eles são os ocupantes e nós estamos sob ocupação”, destacou a jovem ativista palestina.

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Durante a entrevista conduzida por Oliver Holmes e Sufian Taha, publicada no Guardian, Ahed Tamimi afirmou que pretende estudar direito para, um dia, poder levar Israel às barras dos tribunais criminais pelas permanentes violações dos direitos dos palestinianos. A ativista de apenas 17 anos, que passou os últimos oito meses na prisão, quer que sejam restituídos ao seu país os direitos que lhe foram espoliados.

Ahed relatou como conseguiram “transformar a prisão numa escola”, permitindo-lhe dedicar-se ao estudo da legislação internacional.

“A experiência de ser presa foi muito difícil. Por mais que tente, não consigo descrevê-la”, afirmou, avançando, por outro lado, que “essa experiência agregou valor” à sua vida.

“Talvez tenha me tornado mais madura. Mais consciente”, assinalou.

Sobre o Governo e as autoridades israelitas, a jovem palestiniana frisou que “eles têm medo da verdade”.

“Se não estivessem errados, não teriam medo da verdade. A verdade assusta-os. E eu consegui divulgar essa verdade ao mundo. E, claro, estão com medo do quão longe cheguei. Eles temem sempre a verdade, eles são os ocupantes e nós estamos sob ocupação”, destaca.

Ahed sente orgulho de se ter tornado “num símbolo para a causa palestiniana”, ainda que assuma que essa é uma “grande responsabilidade”.

“Não sou a vítima da ocupação”, diz a ativista. “O judeu ou o colono que carrega uma espingarda aos 15 anos é vítima da ocupação. Eu sou capaz de distinguir entre o certo e o errado. Mas ele não. A sua visão está toldada. O seu coração está cheio de ódio e desprezo contra os palestinianos. Ele é a vítima, não eu. Eu digo sempre que sou uma combatente pela liberdade. Então, não serei a vítima”, vinca Ahed.

O irmão de Ahed de 22 anos, Wa’ed Tamimi, ainda está na prisão a aguardar sentença pelo seu envolvimento em confrontos com soldados.

Publicado originalmente no Esquerda.net.

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Apresentação

Apresentamos uma revista especial sobre os 50 anos do Maio de 1968 com o orgulho de herdar uma tradição. Assim como a Comuna de 1871, a Revolução Russa de 1917 e as lutas contra as ditaduras na América Latina, consideramo-nos parte deste excepcional movimento mundial de luta política, protagonizado por jovens e trabalhadores de várias partes do mundo, como nas famosas barricadas de Paris. Consideramos suas lições e sua potência como atuais. Boa parte dos leitores da Revista Movimento participaram ativamente das Jornadas de Junho de 2013 em nosso país. Aos cinco anos deste acontecimento, queremos contribuir para o encontro e a síntese de tão distantes e ao mesmo tempo tão próximas gerações.

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