Nós ganhamos

Especialista em questões de gênero, jornalista argentina escreve sobre as mobilizações pela legalização do aborto que tomaram conta do país.

Mariana Carbajal 9 ago 2018, 17:15

Às mentes conservadoras, se impôs uma juventude fervorosa que encontrou no lenço verde um símbolo da igualdade. Vencemos os fundamentalismos, porque ficou em evidência e em questão a sustentação do catolicismo por parte do Estado e a pretensão da hierarquia da Igreja em controlar as políticas públicas de saúde e de educação. Já se vendem nas ruas os lenços laranja, símbolo da separação de Igreja e Estado. Vencemos porque os argumentos baseados em crenças religiosas mostraram as mentiras dos antidireitos. Vencemos porque o aborto deixou de ser um tabu, saiu do armário e se descriminalizou socialmente. Vencemos, porque as mães e avós contaram a suas filhas e netas sobre seus abortos, porque as adolescentes levaram o debate para suas casas e escolas. Vencemos, porque o mundo nos viu e descobriu que na Argentina as mulheres ainda não têm o direito de decidir sobre seus corpos e fomos vergonhosamente expostos como um país onde ainda não gozamos de uma cidadania plena. Eles nunca nos deram nada. Para estudar em universidades, para ter o direito ao voto, para decidir sobre a vida dos nossos filhos, para ter livre acesso à métodos contraceptivos, sempre tivemos que sair às ruas para lutar. As lutas feministas pressionam as margens. Os votos que faltaram para descriminalizar e legalizar o aborto não são nada mais do que uma pedra no caminho. Não foi ontem. Vai ser amanhã.

Artigo originalmente publicado no portal Página 12. Tradução de Evenlin Minowa. 


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Esta é a vigésima primeira edição da Revista Movimento, dedicada aos debates em curso do VII Congresso Nacional do PSOL. Nela encontram-se artigos de análise, polêmica e discussão programática para subsidiar os debates de nossos camaradas em todo o país e contribuir com a batalha pela pré-candidatura de nosso companheiro Glauber Braga à presidência da República pelo PSOL. A edição também conta com análises de importantes questões internacionais contemporâneas e de outros temas de interesse, como os desafios da luta pelo “Fora, Bolsonaro” e as crises hídrica e elétrica no Brasil. Num ano de 2021 ainda marcado pela tragédia da pandemia da Covid-19 e pelo descaso criminoso de governos em todo o mundo, lamentamos a perda de nosso grande camarada Tito Prado (1949-2021), militante internacionalista e dirigente de Nuevo Perú. A ele dedicamos esta edição de nossa revista e, em sua homenagem, publicamos artigos em sua memória. Boa leitura!