Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Venezuela: Crise humanitária não é um conto

Mais de 4 mihões de venezuelanos emigraram de seu país nos últimos anos.

Carlos Garcia Rawlins
Carlos Garcia Rawlins

Segundo cifras do Instituto Nacional e Informática (INEI), entre 1990 e em 2014, emigraram 2 724 809 peruanos para o exterior. Nos últimos 85 anos, 3672392 compatriotas saíram do país e não regressaram. A busca de melhores oportunidades foi uma constante, ainda que a inflação durante o governo de AGP tenha contribuído, assim como o Fujishock e o terrorismo durante a década de Fujimori e Montesinos.

Somos um país que sabe de migrações. Por isso causa surpresa, quando não indignação, que desde setores tão díspares – tanto de uma certa esquerda como uma certa direita – se estigmatize cidadãos venezuelanos que buscam refúgio em nosso país e se propugne um fechamento de fronteiras. No caminho se esgrimenm argumentos fantasiosos e carentes de rigor objetivo: “são pessoas de classe média que buscam derrubar Maduro”, “vêm para fazer crer que há crise humanitária quando na Venezuela se vive melhor que aqui”, “roubam trabalho dos peruanos” ou a mais recente “vão votar nas eleições de 2021 e com isso distorcer a vontade dos peruanos”.

Mais de 4 mihões de venezuelanos emigraram de seu país nos últimos anos, segundo estatísticas de INEI; deles, 350 mil vieram ao Peru, segundo os números que possui a Superintedência Nacional de Migrações. Não vêm para conhecer Machu Picchu, não vêm para roubar o trabalho de ninguém, não vêm porque são um álibi do império, vêm porque fogem de uma crise humanitária sem precedentes na América Latina. Buscam novas oportunidades como milhares de nossos compatriotas fizeram isso em épocas difíceis para o Peru.

A xenofobia se sustenta as mais das vezes num marcado racismo, como o que sentem os setores acomodados quando Lima se enche de provincianos, ou numa alta cota de estupidez quando se sustenta na ignorância que deveria ceder espaço à prudência e ao respeito por seres humanos que escapam de uma crise que lhes nega a existência como tais.

Fonte: https://titoprado.lamula.pe/ 2018/08/15/venezuela-crisis- humanitaria-no-es-cuento/ titoprado01/

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.

Ilustração da capa da Revista Movimento

MES: Movimento Esquerda Socialista MES: Movimento Esquerda Socialista