Venezuela: Crise humanitária não é um conto
Carlos Garcia Rawlins

Venezuela: Crise humanitária não é um conto

Mais de 4 mihões de venezuelanos emigraram de seu país nos últimos anos.

Tito Prado 22 ago 2018, 12:03

Segundo cifras do Instituto Nacional e Informática (INEI), entre 1990 e em 2014, emigraram 2 724 809 peruanos para o exterior. Nos últimos 85 anos, 3672392 compatriotas saíram do país e não regressaram. A busca de melhores oportunidades foi uma constante, ainda que a inflação durante o governo de AGP tenha contribuído, assim como o Fujishock e o terrorismo durante a década de Fujimori e Montesinos.

Somos um país que sabe de migrações. Por isso causa surpresa, quando não indignação, que desde setores tão díspares – tanto de uma certa esquerda como uma certa direita – se estigmatize cidadãos venezuelanos que buscam refúgio em nosso país e se propugne um fechamento de fronteiras. No caminho se esgrimenm argumentos fantasiosos e carentes de rigor objetivo: “são pessoas de classe média que buscam derrubar Maduro”, “vêm para fazer crer que há crise humanitária quando na Venezuela se vive melhor que aqui”, “roubam trabalho dos peruanos” ou a mais recente “vão votar nas eleições de 2021 e com isso distorcer a vontade dos peruanos”.

Mais de 4 mihões de venezuelanos emigraram de seu país nos últimos anos, segundo estatísticas de INEI; deles, 350 mil vieram ao Peru, segundo os números que possui a Superintedência Nacional de Migrações. Não vêm para conhecer Machu Picchu, não vêm para roubar o trabalho de ninguém, não vêm porque são um álibi do império, vêm porque fogem de uma crise humanitária sem precedentes na América Latina. Buscam novas oportunidades como milhares de nossos compatriotas fizeram isso em épocas difíceis para o Peru.

A xenofobia se sustenta as mais das vezes num marcado racismo, como o que sentem os setores acomodados quando Lima se enche de provincianos, ou numa alta cota de estupidez quando se sustenta na ignorância que deveria ceder espaço à prudência e ao respeito por seres humanos que escapam de uma crise que lhes nega a existência como tais.

Fonte: https://titoprado.lamula.pe/ 2018/08/15/venezuela-crisis- humanitaria-no-es-cuento/ titoprado01/


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.