Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

O México confronta seu futuro

Como enquadrar no novo governo de Andres Manuel López Obrador?

Alfredo Estrella/AFP
Alfredo Estrella/AFP

Há pouco tempo estive no México por vários dias. Fui falar na celebração da vitória de Andres Manuel López Obrador (AMLO), o presidente eleito. A reunião teve lugar na Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

O objetivo era que a reunião estimulasse uma reflexão aberta e crítica para onde vai o México agora. Nem todos os simpatizantes têm a mesma visão do futuro.

Compareceram muitos membros do gabinete de AMLO. Mas os secretários se restringiram a presidir as sessões em lugar de apresentar contribuições. Era como se não quisessem que seus pontos de vista fosse questionados em público.

Privadamente, muitas pessoas qualificam os secretários como de esquerda ou de direita. O próprio AMLO sempre evitou tais qualificativos, insistindo que sua rebelião nacional era contra a corrupção e a repressão do partido dominante, de tão longo tempo no poder, conhecido por seu nome mais recente, Partido Revolucionário Institucional (PRI), junto com seu sempre aliado partido de direita, ao que se conhece como PAN.

Os juízos acerca da trajetória futura de Andrés Manuel López Obrador variam consideravelmente. Alguns da esquerda estão contra ele violentamente, argumentando que sempre terminou em posições de direita. Outros da esquerda insistem que já cumpriu uma promessa importante, que é a de se retirar do projeto de construir um novo aeroporto na Cidade do México, um projeto tecnologicamente obtuso, que drenaria recursos e seria propenso a corrupção. Este último grupo diz que AMLO deveria ter a oportunidade de demonstrar suas credenciais de esquerda.

É a política exterior mexicana a maior pergunta aberta. Até agora, AMLO parece promover de maneira primordial uma política nacionalista e não uma política abertamente anti-imperialista.

Há dois âmbitos nos quais o México terá que assumir decisões básicas. Uma é a América Latina e o Caribe. A outra é o NAFTA.

A esquerda na América Latina em geral tem visto a vitória de AMLO como uma renovada insurgência de esquerda depois de uma década de contrarrevolução. Permitirá AMLO ao México jogar um papel no esforço de criar instituições latino-americanas que não incluam os Estados Unidos e o Canadá? Isso não está muito claro neste momento.

O segundo âmbito é o NAFTA, no qual Trump está intimidando os sócios para que assinem um acordo com os Estados Unidos que unicamente confere vantagens aos Estados Unidos. Peña Nieto acaba de assinar tal acordo. Como AMLO lidará com esta entrega? Poderá não permitir que o acordo seja ratificado. Mas isso é suficiente?

México tem sido governado por mais de 50 anos por um assim chamado partido corrupto de direita, o Revolucionário Institucional. AMLO terminou com o monopólio do PRI. Mas substituirá o PRI com algo fundamentalmente diferente?

Um analista de esquerda me explicava que o PRI não era um partido, mas uma cultura. O que a esquerda deve fazer, disse, é criar uma cultura alternativa – no México e em qualquer outra parte. Está a esquerda mexicana em processo de fazer isso?

Fonte: http://www.jornada.com.mx/2018/11/29/opinion/022a1pol

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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