Venezuela: não passarão!

Venezuela: não passarão!

Corrente interna do Novo Peru se põe contra intervenção em nosso pais vizinho.

Sumate 29 jan 2019, 17:41

Na cúpula de DAVOS que reúne a nata do poder capitalista mundial, não podia faltar o tema Venezuela. Ali, ao pé dos famosos Alpes Suíços e distantes de qualquer burburinho das ruas, os donos do mundo tomam posição sobre tudo o que possa ser relevante para a nova ordem mundal que tentam configuar em meio a uma crise econômica não solucionada. Nesse pódio, tão frio quanto distante, o governo peruano através da boca da vice-presidenta Mercedes Araoz se pronunciou em uníssono com Iván Duque e Jair Bolsonaro, ambos representantes da extrema-direita do continente. Juntos expressaram o respaldo e reconhecimento de seus governos ao auto-proclamado presidente interino da Venezuela Juan Guaidó.

Seguindo a cartilha do Grupo de Lima que atua como instrumento dos EUA na América Latina, o governo peruano deu um passo a mais no alinhamento com governos que passam longe de ser próceres da democracia, mas que em nome dela animam uma saída intervencionista e até militarista para a crise que vive a Venezuela.

O que pretende Trump, em definitivo, é impor um duro golpe ao processo bolivariano inicado por Chávez, terminando de desmontar o que resta dessa experiência e deixando uma dura lição para os povos da América Latina. No fundo, seu objetivo é tomar o controle dos recursos da região cada vez mais em disputa com o neo-imperialismo chinês.

Certamente a crise econômica, social e humanitária que obrigou mais de 3 milhões de venezuelanos a fugir de sua pátria é uma triste realidade. E também é certo que a própria ilegitimidade de Maduro está sendo questionada por setores chavistas que acusam o regime de haver violentado a Constituição Bolivariana para se afirmar no poder usurpado por uma burocracia com interesses próprios. Mas ainda se tudo isso estivesse em questão, a esquerda latino-americana não poderia deixar de ter um olhar crítico a estes processos para não repetir a experiência, para tirar conclusões sobre o que pode fazer e o que não se deve fazer.

O que nos toca agora é nos opormos a toda política intervencionista. Que o próprio povo venezuelano encontre o caminho para uma saída democrática. Que sejamos receptivos aos migrantes venezuelanos que cheguem aos nossos países fugindo da fome. Que a pressão internacional siga no sentido do diálogo para evitar um aumento da violência e o processo termine num derramamento de sangue e fogo dos protestos populares que deram um salto desde 23 de janeiro comprometendo as ações de rua nos tradicionais bastiões chavistas.

A política de Trump não fez mais do que jogar lenha na fogueira com imprevisíveis consequências para o próprio povo venezuelano cujo direito à autodeterminação deve ser respeitado a todo custo.

A ofensiva conservadora e colonialista deve ser derrotada na Venezuela e e toda América Latina.

Reprodução da tradução realizada pelo Portal da Esquerda em Movimento.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.