Mensagem de apoio e agradecimento dos professores de Oakland aos professores de São Paulo
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Mensagem de apoio e agradecimento dos professores de Oakland aos professores de São Paulo

Em todo o mundo, os capitalistas estão lutando para transformar um sistema que deveria ser livre e fortalecedor para todos em um motor de lucro.

Professores de Oakland 20 fev 2019, 17:31

Saudações de Oakland, Califórnia! É emocionante ver a onda de greve de professores se tornando uma luta internacional. Nós aqui em Oakland fomos energizados pelas greves em West Virginia, Arizona, e especialmente em Los Angeles, onde os professores não entravam em greve há 30 anos, e ganharam esmagadoramente tantos suas reivindicações como muitas outras concessões do distrito através de esforços significativos e concertados que fecharam as escolas.

A luta dos professores de Los Angeles começou há mais de quatro anos, quando se descobriu que o bilionário de Los Angeles, Eli Broad, tinha elaborado um plano secreto para substituir metade das 900 escolas do distrito por charter school [N. d. T.: modelo de escola pública que adota a lógica de gestão privada]. As charter school são financiadas por fundos públicos, mas privadas, e são usadas como uma ferramenta nos Estados Unidos para diminuir as verbas das escolas públicas  e promover como objetivo final a privatização do sistema educacional. A vitória de Los Angeles foi tão maciça que seu conselho escolar, que é comprado e vendido por defensores das charter school, foi forçado a passar uma moratória sobre novas charter school na cidade.

Agora, em Oakland, enfrentamos desafios semelhantes. Mais de um terço dos estudantes de Oakland já estão em charter schools, e nossas eleições para o conselho escolar também foram influenciadas por enormes quantidades de financiamento de organizações pró-charter. Nosso sindicato, a Oakland Education Association, exigiu mais recursos para os alunos: atualmente empregamos apenas uma enfermeira por 700 alunos, um conselheiro por 1.300 alunos e apenas um único bibliotecário credenciado para todo o distrito. Também exigimos uma redução no tamanho das turmas. Atualmente, as turmas podem exceder 30 alunos, mesmo na escola primária, com muitos desses alunos exigindo apoio extra social, emocional, educacional ou de aprendizado de inglês que um professor solitário nunca poderia fornecer. Porque 20% dos professores de Oakland deixam o distrito a cada ano, muitos de nós somos novos professores que lutam para se manter à tona. Essas condições, juntamente com o fato de que a Bay Area of California é um dos lugares mais caros para se viver no mundo, torna cada vez mais difícil a decisão de se tornar ou permanecer como o professor mais mal pago da região.

Em contrapartida, o distrito tem insistido que não há dinheiro no orçamento para nenhuma destas melhorias, ao mesmo tempo que paga por consultores e vendedores externos em três vezes a média do condado e paga ao pessoal administrativo muito acima da média do estado. Eles responderam às nossas exigências com uma oferta do que equivalia a um corte no salário e nenhuma redução no tamanho das turmas. Além disso, a diretoria da escola votou recentemente pelo fechamento de uma pequena escola no leste de Oakland que atende principalmente aos alunos de cor, que eles sem dúvida planejam substituir por uma charter school, como fizeram repetidamente no passado.

A leitura das motivações de greve dos professores de São Paulo reforça a universalidade da luta contra os interesses privados e corporativos que tentam mercantilizar um direito universal. Em todo o mundo, os capitalistas estão lutando para transformar um sistema que deveria ser livre e fortalecedor para todos em um motor de lucro. A ameaça contra a educação pública é global. Estamos travando a mesma luta. Oakland está em solidariedade com São Paulo!

Reprodução da versão publicada pelo Portal da Esquerda em Movimento.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.