Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

Pelo diálogo na Venezuela e pela paz na América Latina

Para que a guerra não destrua nossa América.

Ante o aprofundamento da crise na Venezuela as organizações da esquerda latino-americana abaixo-assinantes, subscrevemos o seguinte:

– Os tambores de guerra que hoje soam em nosso continente revelam um perigoso jogo geopolítico onde o colonialismo não termina de ser superado. Como não ocorria em décadas, a possibilidade de um confronto violento na região, que se expanda desde a Venezuela para países vizinhos, é um risco latente que pode terminar com a convivência pacífica. A posição atual das potências agudiza a crise e tensiona o cenário global. Os Estados Unidos exacerbam os alinhamentos com suas ilegais sanções econômicas, rechaço ao diálogo e permanentes ameaças intervencionistas. As posturas da OEA e o Grupo de Lima não tendem pontes, mas que entrincheiram posições, desconhecendo o direito e a autodeterminação dos povos.

– Consideramos que a única via para abordar a complexa situação que prevalece na Venezuela é o diálogo, com o irrestrito respeito ao direito internacional e os direitos humanos. Devemos privilegiar a diplomacia que permita restabelecer a tranquilidade do povo venezuelano: somente assim as tensões poderão ser reduzidas e o uso da força poderá ser evitado. Isso implica no compromisso de ambas as partes de não recorrer à violência, seja por parte de atores nacionais ou internacionais. Assim mesmo, não deve ser politizada qualquer ajuda necessária, realizando-se tais esforços no marco do estabelecido pelas agências internacionais especializadas.

– Saudamos as recentes reuniões celebradas em Montevidéu, Uruguai, para apresentar tanto um Mecanismo de acordo como um Grupo de contato internacional. Somente os que querem um cenário de guerra na Venezuela pode negar a importância de ambos os processos e sua complementariedade. É o marco destes encontros que deve se dialogar e se negociar os diversos elementos da crise, incluindo seus aspectos políticos e humanitários.

– Defendemos que, no marco do diálogo e das propostas de Montevidéu, se incentive não só a participação de grupos políticos e da comunidade internacional, mas também a da sociedade organizada. As organizações populares, movimentos sociais e defensores dos direitos humanos, tanto da Venezuela como da região, têm um papel a cumprir, construindo a confiança entre os atores políticos e auspiciando a paz na terra de Bolívar.

Temos o desafio geracional de romper os ciclos de conflitos armados internos e intervenções imperialistas. Ao povo venezuelano dizemos que nunca estaremos a favor do autoritarismo ou pela intervenção militar; pelo contrário, sempre podem contar conosco para ajudar em saídas pacíficas e no diálogo.

Convidamos as esquerdas do continente e as forças progressistas a se manifestar e se mobilizar ativamente em prol da paz na Venezuela. Não deixamos que a guerra destrua nossa América.

15 de fevereiro de 2019

PARTIDO COMUNES (Chile)

MOVIMENTO AUTONOMISTA (Chile)

MOVIMENTO REVOLUCIÓN CIUDADANA (Equador)

MOVIMENTO NUEVO PERÚ (Peru)

MOVIMENTO ESQUERDA SOCIALISTA – PSOL (Brasil)

FUERZA COMÚN – (Colômbia)

PODER E UNIDAD – (Colômbia)

POLO DEMOCRÁTICO – (Colômbia)

Reprodução da versão publicada pelo Portal da Esquerda em Movimento.

Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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