A barbárie imperialista do Oriente Médio

A barbárie imperialista do Oriente Médio

A poucos dias das eleições israelenses, a situação do conflito árabe-israelense encontra-se num de seus momentos mais explosivos.

La Aurora 6 abr 2019, 18:38

O primeiro aniversário da “Grande Marcha do Retorno” e as comemorações do Dia da Terra Palestina tiveram um saldo de mais de três mortos na Faixa de Gaza. Os esforços de mediação do Egito evitaram que os franco-atiradores situados do outro lado da vala elevassem significativamente suas mais de 300 vítimas, assassinadas a sangue frio.

A poucos dias das eleições israelenses, a situação do conflito árabe-israelense encontra-se num de seus momentos mais explosivos. Netanyahu conta com a ajudainestimável do governo Trump, que violou gravemente o direito internacional com o transferência de sua embaixada em Israel para Jerusalém, reconhecendo-a como a capital do estado hebraico, e apoiou a integração territorial das Colinas de Golã sírios em Israel.

A isso é preciso acrescentar a paralisação política da Autoridade Palestina, assediada economicamente por Israel, e confrontada com a direção do Hamas que governa a Faixa de Gaza. Sem um governo de unidade palestina, que a nomeação da AP de Mohammad Shtayyeh parece excluir para priorizar a disputa com o Hamas, a erosão das instituições da OLP se acentua, sem que se tenha no horizonte a possibilidade de renová-las eleitoralmente.

São tempos obscuros para a causa da autodeterminação palestina. O anunciado “plano do século” do Governo Trump dificilmente pode ser neste contexto uma paz justa que permita o fim da ocupação da Cisjordânia, o levante do assédio e o bloqueio de Gaza e a aplicação da fórmula dos dois estados. Na realidade, o que o Governo Trump busca, sem êxito até o momento, é a cumplicidade de seus aliados das corruptas monarquias árabes para justificar um status quo que se traduz sobre o terreno na anexação das zonas A e B da Cisjordânia ao Estado israelense e a “bantustização” da zona C sob controle nominal da Autoridade Palestina.

Uma nova Guerra Fria ameaça dividir irremediavelmente o Oriente Médio em dois blocos depois da derrota do ISIS na Síria e a consolidação da coalizão xiita em Bagdá e do governo de Bashar al-Assad em Damasco. Dois blocos de potências regionais, um sunita encabeçado pela Arábia Saudita, com o apoio dos EUA, Egito e EUA, e outro encabeçado por Irã, Síria e Iraque, com o apoio da Rússia, enquanto outras duas potências regionais, Turquia e Catar, buscam introduzir nesta bipolarização seus próprios interesses territoriais, militares e econômicos. As vítimas anunciadas desta nova Guerra Fria regional serão as diferentes frações curdas, os distintos bandos da guerra do Iêmen e, uma vez mais, o povo palestino.

Longe de qualquer estabilização, o conflito sírio depende ainda de uma solução político-militar à bolsa jihadista de Idlib e da ameaça turca contra a autonomia curda no norte da Síria. Estes conflitos se estenderão inevitavelmente ao Líbano, naquilo que Israel prepara há algum tempo uma nova fronteira contra o Hizbollah.

Para os povos do Oriente Médio a “modernização” imperialista e neocolonial se converteu numa sangria constante de seus recursos, num sacrifício humano permanente de sua população, numa constatação da barbárie. Mais do que nunca é necessária nossa solidariedade com todos eles e a busca de uma saída democrática e justa que somente o socialismo pode abrir, por mais utópico que isso pareça hoje em meio aos massacres.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.