Fernanda e Glauber Braga cobram Justiça para Marielle Franco no Parlamento do Mercosul

Fernanda e Glauber Braga cobram Justiça para Marielle Franco no Parlamento do Mercosul

A deputada tomou posse como membro do Parlamento do Mercosul.

Fernanda Melchionna 9 abr 2019, 17:18

A deputada Fernanda Melchionna (PSOL/RS) tomou posse como membro titular do Parlamento do Mercosul, em sua primeira sessão ordinária, na segunda-feira (1º de abril) em Montevidéu (Uruguai). A parlamentar, ao lado do Deputado Federal Glauber Braga (suplente), cobraram justiça por conta do assassinato brutal de Marielle Franco, que já completou um ano e ainda segue sem respostas sobre quem mandou matar e a motivação do crime.

“O Parlasul é um espaço importante para fortalecermos a nossa rede internacional de luta por Justiça para Marielle Franco e Anderson Gomes, além de fazer resistência diante do governo autoritário de Bolsonaro”, disse. Fernanda denunciou os recorrentes ataques à democracia e aos direitos humanos perpetrados pelo governo Bolsonaro desde o início do seu mandato. O caso mais recente foi a orientação do governo federal ao Ministério da Defesa para que se comemorasse os 55 anos do golpe militar no Brasil.

A sessão aconteceu no mesmo dia que marca os 55 anos do golpe militar que culminou em uma ditadura responsável por 434 pessoas mortes e desaparecidas, segundo relatório da Comissão Nacional da Verdade divulgado em 2014. Tradicionalmente, os militares utilizam a data de 31 de março como aniversário do golpe para evitar associações com a data que é popularmente considerada o “dia da mentira” no Brasil.

O Parlasul é um espaço de representação política dos órgãos legislativos dos países do Uruguai, Argentina, Brasil, Paraguai e Venezuela, sendo composto por 37 parlamentares brasileiros, 43 da Argentina, 23 da Venezuela, 18 do Uruguai e 18 do Paraguai.


“Ser membro do Parlasul é importante para compartilhar experiências com cada um dos países-membros, que já viveram ditaduras e golpes de estado e que fizeram justiça de transição, como Uruguai e Argentina, para fortalecer uma agenda de respeito aos direitos humanos e de garantia da nossa recente democracia no Brasil. Não se pode normalizar a posição favorável de um Presidente aos anos de chumbo brasileiro em que se praticou crimes bárbaros contra a humanidades, com execuções sumárias, torturas, assassinatos de pessoas, extermínio de povos indígenas. É nosso papel fazer essa denúncia internacional”, aponta Fernanda Melchionna.

Além dos estímulos à celebração do golpe, o governo tem se esforçado para desestruturar ou dificultar o trabalho dos conselhos de controle social que contam com participação de movimentos sociais (como o do Meio Ambiente e Comitê Nacional de Prevenção e Combate à Tortura), ataca de forma generalizada pessoas LGBTI, trabalha claramente contra políticas públicas para HIV/aids e saúde das mulheres e silencia sobre federalização das investigações da morte da vereadora Marielle Franco. 


SOBRE O PARLASUL
O Parlasul é o Parlamento do Mercosul, constituído em 2006, sendo, o órgão representativo dos interesses dos cidadãos dos Estados Partes do MERCOSUL: Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela. Com o objetivo de fortalecer os processos de integração, o Parlamento do MERCOSUL atua em diferentes temáticas, segundo a competência de cada uma de suas dez Comissões Permanentes. 

Artigo originalmente publicado no site da deputada.



Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.