Mina de carvão: perigo à vista
Localização prevista da Mina Guaíba - Reprodução

Mina de carvão: perigo à vista

Projeto quer instalar mina a céu aberto próxima a parque estadual.

Luciana Genro 2 abr 2019, 14:56

Uma mina de carvão a céu aberto a 535 metros do Parque Estadual Delta do Jacuí e a 240 metros de uma área de preservação ambiental. Este é o projeto que a Copelmi está tentando viabilizar junto à FEPAM. Um complexo de 4.373 hectares, o que que equivale a 6.124 campos de futebol. Será a maior mina de carvão do Brasil. Se autorizada, ela vai operar por 23 anos, produzindo uma quantidade assustadora de resíduos na beira do rio Jacuí, que é responsável 84,6% do volume de água do nosso Guaíba. Além do risco ambiental o projeto vai desalojar 282 pessoas, entre moradores do loteamento Guaíba City e de um assentamento que é o segundo maior produtor de arroz orgânico do Brasil.

A própria promotora de Justiça de Defesa do Meio Ambiente, Ana Marchesan, afirmou que a mina é um empreendimento de alto impacto ambiental pois afeta cursos de água, vegetações e habitações. Todos os municípios banhados pelo delta do Jacuí estarão sujeitos a esse impacto, principalmente Porto Alegre, Canoas, Eldorado do Sul, Charqueadas e Nova Santa Rita. Mas, estranhamente, a única audiência pública para debater o projeto foi convocada na cidade Charqueadas. Em nenhuma outra cidade há previsão de realização de audiência pública muito embora a água da nossa capital pode vir a ser afetada. Mais de 80% do volume de água do Guaíba vem do Jacuí, um colapso dessa mina poderia poluir toda a região do Delta do Jacuí, inviabilizando o fornecimento de água para toda a Região Metropolitana e cidades do entorno.

Temos a certeza de que esse tema precisa ser cuidadosamente analisado. Diversas irregularidades e problemas estão sendo identificados no estudo de impacto ambiental por isso queremos ampliar o debate. Em Porto Alegre, o vereador Roberto Robaina, que é o líder da oposição, está capitaneando esse processo. Os vereadores estão solicitando que haja uma audiência também em Porto Alegre para debater o tema, a fim de que a Capital se aproprie de toda essa problemática.

Eu e o deputado Edegar Pretto pedimos a suspensão do processo de licenciamento ambiental ao Ministério Público Federal e ao Ministério Público Estadual. Nos reunimos com representantes do assentamento que produz arroz orgânico, e solicitamos à Comissão de Saúde e Meio Ambiente, juntamente com outros deputados que também se somaram à iniciativa, que se debata o assunto nessa comissão.

Artigo originalmente publicado no portal Sul21.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.