Bolsonaro, o espectro do comunismo e o movimento estudantil

Bolsonaro, o espectro do comunismo e o movimento estudantil

Bolsonaro parte da ideia de que o comunismo existe e é uma ameaça.

Roberto Robaina 9 maio 2019, 20:57

Mesmo do ponto de vista dos capitalistas, seus ideólogos e sua mídia, o governo Bolsonaro, em particular o próprio, aparecem com comportamentos desastrosos, trapalhadas nas decisões e adotando posições irracionais. Mas há uma racionalidade, do ponto de vista de quem pretende defender o regime do grande capital, no discurso do presidente, qual seja: o combate ao comunismo.

Contra o discurso dos liberais e dos reformistas do capitalismo, o presidente da república burguesa do Brasil parte da ideia de que o comunismo existe e é uma ameaça.

Sabe-se que a morte do comunismo foi definitivamente anunciada com a queda do muro de Berlim. A experiência da Venezuela viria confirmar o enterro do projeto, mesmo que, no país vizinho, a burguesia jamais tenha sido expropriada. De fato, foram derrotas imensas que liquidaram os processos revolucionários que eclodiram no seculo XX.

Então, como pode ter racionalidade a ideia de sua existência? Pois é. Mas, contra o regime do capital, de fato assim é. Afinal, o comunismo é em, primeiro lugar, o movimento de negação do capitalismo. A existência do capital promove o surgimento de seu contrário. Não se trata, portanto, do comunismo que ficou conhecido nas experiências trágicas do stalinismo. O que segue como possibilidade de desenvolvimento são as ideias mais genuínas de Marx: a luta pelo que é comum, a socialização da riqueza, a igualdade real, o internacionalismo, a emancipação dos trabalhadores. As possibilidades que podem ressurgir são os princípios de Marx, expressos naquele brilhante Manifesto de 1848, cujo começo anuncia que “um espectro ronda a Europa, o espectro do comunismo”.

Quando um movimento estudantil entra em cena, como começa agora no Brasil, estas ideias ganham mais corpo. Um corpo que apenas engatinha, mas o tempo, chamado senhor da razão, não é linear. Há marchas, contramarchas, acelerações repentinas, rupturas bruscas. É claro que Bolsonaro vê comunismo em tudo, até onde não tem. Mas estes são os efeitos do medo quando se percebe a presença do espectro.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.