Crítica do primeiro álbum de Chico Buarque
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Crítica do primeiro álbum de Chico Buarque

Em homenagem à obtenção de seu Prêmio Camões, relembramos crítica de “Chico Buarque de Hollanda”.

Sylvio Tullio Cardoso 23 maio 2019, 13:21

Coluna Discos Populares

CHICO BUARQUE DE HOLLANDA – “A Banda”, “Tem mais samba”, “A Rita”, “Ela e Sua Janela”, “Madalena Foi Pro Mar”, “Pedro Pedreiro”, “Amanhã, Ninguém Sabe”, “Você Não Ouviu”, “Juca”, “Olê Olá”, “Meu Refrão”, “Sonho de Carnaval”.

Alguém já deve ter dito, mas nós fazemos questão de reiterar: a afirmação do talento de Chico Buarque de Holanda foi sem a menor dúvida, o que houve de mais explosivo, mais vulcânico, mais avassalador em matéria de música popular brasileira na atual temporada. Nunca houve outro artista que alcançasse a glória, o sucesso federal em tão pouco tempo.

Trata-se realmente de algo fenomenal, inédito, assombroso. E num ano em que a boçalidade, e embrutecimento, a insensibilidade, a ganância desenfreada e a negação quase total do que conhecemos como cultura musical constituíram nuvens negras e ameaçadoras no panorama artístico, o estouro de Chico Buarque – que traduz um verdadeiro reencontro da nossa música popular com o que ela possui de mais autêntico e representativo – assumiu proporções de uma legítima salvação da lavoura. A nossa música popular – acossada, fustigada, coagida pelo iê-iê-iê boçal, híbrido e primário – precisava de Chico Buarque como um náufrago clama por uma boia e um moribundo por uma transfusão.

Em Chico Buarque encontramos tudo que a nossa música popular sempre possuiu de melhor, de mais significativo, de mais puro e de mais valioso. Lá está revitalizada e mais otimista a filosofia de um Noel, lá está a riqueza melódica de um Vadico, lá está o balanço de um Janet de Almeida, um Vassourinha, um Ciro, e um Mário Reis devidamente atualizado pela batida moderna de Toquinho e lá estão orquestrações geniais como as de “Olê Olá”, “Você Não Ouviu”, “Pedro Pedreiro” e “Sonho de Um Carnaval”, brilhantes em sua contribuição no plano harmônico e ao mesmo tempo brasileiríssimo na concepção. Qual será o maior em Chico Buarque – o letrista ou o compositor? Muitos acham o letrista. Somos de opinião que ambos se equivalem, se nivelam. A mesma dose de talento foi dada a um e a outro. E em matéria de compositor que diz as suas músicas, há muito tempo que não ouvimos um que o fizesse com tal espontaneidade, abandono e simplicidade.

Repetimos: a música popular brasileira se reencontrou com Chico Buarque de Holanda. E este LP é o atestado desse histórico reencontro. Um disco perfeito. O maior disco de música popular brasileira em 1966.

Cotação: 5 estrelas.  


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.