Sobre o debate em relação à localização do COAF
Sérgio Moro e Paulo Guedes.

Sobre o debate em relação à localização do COAF

Não devemos alimentar nenhuma ilusão em nenhum dos lados desse regime apodrecido.

Bernardo Corrêa e Honório Oliveira 23 maio 2019, 16:05

Consideramos que, estando no Ministério da Fazenda ou da Justiça, o órgão poderá ser utilizado com a finalidade de investigação de movimentações financeiras suspeitas, caso isso seja do interesse do governo Bolsonaro. Não nos parece ser o caso, tendo em vista a forma pela qual o governo trata o escandaloso caso de Flávio Bolsonaro e Queiroz. O Ministro Moro não encontrará nenhuma dificuldade em obter dados sobre movimentações suspeitas com o ministro Guedes. Tratava-se, então, de uma falsa polêmica: o COAF seguirá sendo um órgão governamental.

Votar com quem queria diminuir o COAF para esconder suas ligações com a corrupção, o que moveu parte dos parlamentares que votaram em sua ida para a economia, como Aécio Neves, e outros investigados era muito ruim e não é uma causa da esquerda. Votar com o governo também não seria correto, já que investigar corrupção não é do interesse deste governo. Moro tampouco está fazendo isso, como está claro com sua aceitação em ser ministro de um presidente ligado às corruptas milícias. Por isso, o voto das companheiras Sâmia, Fernanda e David foi a abstenção. Não devemos alimentar nenhuma ilusão em nenhum dos lados desse regime apodrecido.

O que de mais grave ocorre no nosso país hoje são os cortes na educação e as desastrosas declarações do presidente da república, que mais uma vez apresentam traços autoritários e verborragia de caráter golpista. Apostamos que o centro da política neste momento está na mobilização dos estudantes e professores contra os cortes na educação e apostamos no dia 30 para começar a derrotar as medidas antidemocráticas e pró-burguesas deste governo.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.