Revista Movimento Movimento Movimento: crítica, teoria e ação

O tsnunami da Educação e o ministro de guarda-chuva

O Brasil é celeiro de grandes educadores e, contraditoriamente, um país que pouco valoriza a educação

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O Brasil é celeiro de grandes educadores e, contraditoriamente, um país que pouco valoriza a educação. Aqui nasceu Anísio Teixeira, pioneiro na implantação da escola pública em todos os níveis. É o país de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, que introduziu um método revolucionário de alfabetização de jovens e adultos e, ainda hoje, conserva o posto de autor mais citado em trabalhos de pesquisa no exterior. Somos, ainda, o país de Darcy Ribeiro que certa vez afirmou que “a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”, algo que se perpetua por anos a fio e aparece de forma despudorada no governo Bolsonaro. 

Do lado oposto, estão nossos vexames. Gastamos menos de 4% do PIB em educação. Professores e professoras têm seus salários parcelados em muitos estados e, para piorar, o desgoverno Bolsonaro cortou verbas das universidades públicas, institutos federais e, inclusive, da educação básica. O ataque à educação no Brasil é uma forma impedir a possibilidade de uma mínima ascensão social dos mais pobres. Já diziam as vozes das ruas: “quando se nasce pobre, ser estudioso é o maior ato de rebeldia contra o sistema”. Esse também é única maneira da ignorância, a intolerância e o preconceito governarem. Não à toa, esse é o projeto de Bolsonaro: atacar todo o povo brasileiro para preservar os podres poderes. 

Frente a tais ataques os estudantes e os trabalhadores em educação protagonizam um verdadeiro tsunami em defesa da educação com mobilizações multitudinárias e grande apoio popular. Como primeiro sinal de desespero, Bolsonaro apelou às suas hordas golpistas e, após o 15/05, convocou uma manifestação marcada por pautas antidemocráticas e antipobres. Entretanto fracassou. Em seguida o ministro da Deseducação, especialista em passar vergonha, vai às redes sociais com um guarda-chuva lançando fake news e ameaças para desmobilizar e deslegitimar o 30/05. Fracassou também. As manifestações superaram de longe os números do 26 /05 governista. A educação está vencendo.

Weintraub deveria fazer as malas. Seu guarda-chuva não resiste ao tsunami.

Artigo originalmente publicado no jornal Zero Hora. Reprodução da versão publicizada no site da autora.


Movimento - Crítica, teoria e ação

Apresentação

Neste mês de março, preparamos uma nova edição da Revista Movimento, dedicada especialmente para a reflexão e elaboração política sobre a luta das mulheres. Selecionamos um conjunto de materiais - artigos teóricos, textos políticos, documentos e uma especial entrevista - com o intuito de aprofundar o esforço consciente demonstrado por nossa organização nos últimos anos em avançar na compreensão sobre o tipo de feminismo que defendemos, bem como sobre o papel essencial e a importância estratégica que a luta feminista tem para a construção de um projeto anticapitalista. Um desafio exigido pela atual conjuntura, marcada pela ascensão de governos de extrema-direita no mundo, na qual o movimento feminista tem se apresentado como contraponto e trincheira de resistência fundamental. Por isso, esta edição pretende, antes de mais nada, auxiliar e fortalecer nossas intervenções feministas nesse momento, a começar por duas datas muito significativas que inauguram este mês: o 8 e o 14 de março, dia em que se completará um ano do brutal assassinato de nossa companheira Marielle Franco. Esperamos que seja proveitoso e sirva como instrumento para as nossas batalhas. Boa leitura!

Solzinho

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