O tsnunami da Educação e o ministro de guarda-chuva
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O tsnunami da Educação e o ministro de guarda-chuva

O Brasil é celeiro de grandes educadores e, contraditoriamente, um país que pouco valoriza a educação

Fernanda Melchionna 4 jun 2019, 18:06

O Brasil é celeiro de grandes educadores e, contraditoriamente, um país que pouco valoriza a educação. Aqui nasceu Anísio Teixeira, pioneiro na implantação da escola pública em todos os níveis. É o país de Paulo Freire, patrono da educação brasileira, que introduziu um método revolucionário de alfabetização de jovens e adultos e, ainda hoje, conserva o posto de autor mais citado em trabalhos de pesquisa no exterior. Somos, ainda, o país de Darcy Ribeiro que certa vez afirmou que “a crise da educação no Brasil não é uma crise, é um projeto”, algo que se perpetua por anos a fio e aparece de forma despudorada no governo Bolsonaro. 

Do lado oposto, estão nossos vexames. Gastamos menos de 4% do PIB em educação. Professores e professoras têm seus salários parcelados em muitos estados e, para piorar, o desgoverno Bolsonaro cortou verbas das universidades públicas, institutos federais e, inclusive, da educação básica. O ataque à educação no Brasil é uma forma impedir a possibilidade de uma mínima ascensão social dos mais pobres. Já diziam as vozes das ruas: “quando se nasce pobre, ser estudioso é o maior ato de rebeldia contra o sistema”. Esse também é única maneira da ignorância, a intolerância e o preconceito governarem. Não à toa, esse é o projeto de Bolsonaro: atacar todo o povo brasileiro para preservar os podres poderes. 

Frente a tais ataques os estudantes e os trabalhadores em educação protagonizam um verdadeiro tsunami em defesa da educação com mobilizações multitudinárias e grande apoio popular. Como primeiro sinal de desespero, Bolsonaro apelou às suas hordas golpistas e, após o 15/05, convocou uma manifestação marcada por pautas antidemocráticas e antipobres. Entretanto fracassou. Em seguida o ministro da Deseducação, especialista em passar vergonha, vai às redes sociais com um guarda-chuva lançando fake news e ameaças para desmobilizar e deslegitimar o 30/05. Fracassou também. As manifestações superaram de longe os números do 26 /05 governista. A educação está vencendo.

Weintraub deveria fazer as malas. Seu guarda-chuva não resiste ao tsunami.

Artigo originalmente publicado no jornal Zero Hora. Reprodução da versão publicizada no site da autora.



Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
A décima terceira edição da Revista Movimento dedica-se ao debate sobre os desafios da esquerda socialista no Brasil diante da crise nacional que se desenrola há anos e do governo Bolsonaro. Para tanto, foram convidados dirigentes do PSOL, do MES e de outras organizações revolucionárias que atuam no partido. O dossiê sobre a estratégia da esquerda e o PSOL reflete os desafios da organização de um polo socialista no interior do partido. Há também, na seção nacional, reflexões sobre a crise econômica brasileira, as revelações de The Intercept e as lutas da juventude e da negritude. As efemérides do centenário da escola Bauhaus e do cinquentenário do levante de Stonewall também aparecem no volume, além da tese das mulheres do MES para o Encontro de Mulheres do PSOL.