O Brasil é muito maior que Bolsonaro: nós podemos vencer
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O Brasil é muito maior que Bolsonaro: nós podemos vencer

É preciso não esmorecer diante dessas investidas diárias. É como uma guerra de trincheira. Resistir e contra-atacar

Fernanda Melchionna 19 ago 2019, 13:08

É fato que o mar da política está agitado. A crise econômica combinada com a crise de representação levou um setor do povo a comprar gato por lebre. Bolsonaro se elegeu vendendo-se como antissistema, aproveitando a indignação popular com o regime político e com a velha esquerda que decidiu governar com os mesmos métodos do establishment político brasileiro.

Estamos diante de um governo que combina uma agenda ultraliberal, antipovo e de submissão aos interesses estadunidenses com uma ala de lunáticos. Setores reacionários que querem retroceder em avanços civilizatórios de décadas. Talvez séculos. Um governo que na mesma medida em que perde apoio do povo (sendo a gestão de primeiro mandato pior avaliada em seis meses desde a redemocratização), sinaliza ainda mais para sua base de extrema-direita.

Esses mesmos que defendem o fechamento das liberdades democráticas e que tentam reescrever a história são os que buscam a todo tempo atacar a Constituição de 1988. Entretanto, temos muitas reservas democráticas, que estão nos movimentos de mulheres, nos jovens, na resistência dos indígenas, nos negros e negras, na comunidade LGBTI+ e na história do movimento operário brasileiro.

Infelizmente, tivemos a aprovação da Reforma da Previdência. A unidade burguesa muito superior ao próprio governo fez uma campanha diuturna contra a aposentadoria do povo. Apesar de insuficiente para derrotar o projeto, a greve geral de 14 de junho foi importante e teve sua força, conquistando a retirada da capitalização, das mudanças no BPC e para as trabalhadoras rurais, suavizando um pouco o tempo de contribuição das mulheres e a regra de transição para professores. Mas nenhuma derrota e nenhuma vitória é definitiva.

Não é de se admirar que as pessoas estejam chocadas. Um presidente que ataca a memória de Fernando Santa Cruz, assassinado pelo Estado na Ditadura civil-militar, demite o presidente do Inpe por este revelar os dados do desmatamento na Amazônia, quer indicar o filho à embaixada dos EUA, ataca à liberdade de imprensa e o trabalho jornalístico sério como o de Gleen Greenwald e silencia diante dos ataques de garimpeiros a tribos indígenas.

É preciso não esmorecer diante dessas investidas diárias. É como uma guerra de trincheira. Resistir e contra-atacar. A juventude botou a bola no meio do campo de novo quando protagonizou verdadeiros tsunamis da educação. A última manifestação nacional do #13A em mais de 170 cidades de todos os estados do Brasil mostra que a luta em defesa da educação pública e contra a privatização do saber segue forte e em curso.

Vamos seguir apostando na luta dos estudantes e da comunidade educacional para ganhar o povo para essa luta que é da maioria. Não podemos esquecer das histórias de resistência do nosso povo, que já lutou em tempos históricos bem mais difíceis. Agora é a nossa vez de enfrentar o autoritarismo. Nós podemos vencer.

Artigo originalmente publicado na Carta Capital.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.