Voltamos às ruas dia 13: é possível (e urgente) derrotar Bolsonaro!
Ato pela educação de 15 de maio em Brasília

Voltamos às ruas dia 13: é possível (e urgente) derrotar Bolsonaro!

Dia 13 de agosto vamos lutar em defesa da educação e das liberdades democráticas.

Israel Dutra e Thiago Aguiar 12 ago 2019, 20:08

Após a aprovação da reforma da previdência e as barbaridades que parecem não ter limite, muitos ativistas se perguntam: será possível derrotar o presidente Bolsonaro e seu plano de destruição das conquistas sociais? Parece inacreditável o que estamos vivendo. Cada declaração choca pela brutalidade. Por um lado, o ódio desmedido; por outro, o despreparo flagrante. E as respostas, ora insuficientes e sem coordenação, geram dúvidas sobre o real estado ânimo da luta entre projetos no país.

A questão é que não existe uma saída mágica. Bolsonaro e seu plano não serão derrotados sem que exista a entrada em cena de um movimento pujante de massas para parar sua mão pesada. E o governo não irá parar na ofensiva que desenvolve contra o movimento de massas. Com as empresas públicas, a educação e o meio ambiente no centro de seus ataques, não há outra via que não a da organização da resistência. Dia 13 de agosto será um passo importante.

A última pesquisa de opinião apontou que cresce lentamente o repúdio ao governo – aumentou para cinco pontos a vantagem dos que avaliam como ruim/péssimo sobre os que creditam como ótimo/bom (38% a 33%). A cada declaração escatológica de Bolsonaro, a própria credibilidade do governo fica abalada. A resiliência demonstrada nos índices de apoio ainda demonstra que é preciso pavimentar um longo caminho para ganhar a maioria social para o programa da resistência. Os bancos e o agronegócio têm se demonstrado cúmplices da política econômica, secundarizando os ataques aos direitos democráticos, enquanto seus lucros crescem.

Não há outra aposta a ser feita senão a de coordenar a mais ampla unidade contra as restrições democráticas e se jogar com força nas lutas de rua, onde os estudantes encabeçam a vanguarda da resistência. As duas manifestações de maio apontaram esse caminho. Dia 13 de agosto está convocado o 3º grande ato em defesa da educação.

Nas ruas, é possível construir uma maioria social

A derrota da reforma da previdência, aprovada agora nos dois turnos necessários na Câmara dos Deputados, representou um retrocesso numa conjuntura que começava a desgastar Bolsonaro. Ainda que tenha tido um peso preponderante de Rodrigo Maia na articulação da aprovação, o fato de ser uma derrota para a classe traz consequências. Como já registramos em outros editoriais, os sindicatos não puderam oferecer uma mobilização potente, nem ganharam a maioria do povo para a luta contra a reforma, ao contrário do projeto anterior de Michel Temer. Munido dessa sensação de força, Bolsonaro acelerou seu programa de tentações autoritárias: atacou a OAB, a imprensa, dá sinal verde para o desmatamento completo da Amazônia, a impunidade dos garimpeiros e grandes latifundiários contra as comunidades originárias, além de nomear seu filho para a embaixada nos Estados Unidos. 

Há um setor, contudo, que está sob ataque sem estar derrotado. O movimento estudantil, arrastando os setores da educação como um todo, segue na vanguarda contra o governo. O congresso da UNE marcou presença em Brasília, com uma nutrida franja do ativismo com a cabeça erguida para enfrentar os cortes. O governo, para variar, dobrou a aposta: apresentou com o provocador Weintraub um novo programa para privatizar as universidades e acabar com os parâmetros da autonomia, sob o irônico nome de “Future-se”.

O ataque às universidades segue gerando ampla reação. A indignação contra Bolsonaro está no ar para toda uma camada da população. A demissão do presidente do INPE, Ricardo Galvão, acirrou ainda mais os ânimos da comunidade científica. O dia 13 é uma data para marcar um pronunciamento massivo contra o projeto de Bolsonaro, Guedes e Weintraub. Não apenas a comunidade educativa sairá às ruas nessa data. Em Brasília, a marcha das mulheres indígenas encontrará com a tradicional Marcha das Margaridas, que reunirá dezenas de milhares de trabalhadoras rurais.

As burocracias sindicais cumpriram um papel regressivo ao não preparar as condições para lutar contra a reforma da previdência. Isso é reflexo do sua atividade rotineira, do descolamento que as direções têm das bases, além do debilitamento concreto da classe trabalhadora, acossada pela precarização, o desemprego e as dificuldades organizativas.

No entanto, Bolsonaro tem pouco a oferecer para recompor sua base social nas camadas populares. As medidas tomadas por Guedes, como a liberação do FGTS, são insuficientes perto do tamanho da demanda. Os projetos de reforma tributária devem castigar ainda mais as classes médias. As lutas e a disputa das ruas vão seguir.

Articular as diferentes lutas, construir o dia 13 e a agenda política da resistência

A chance de derrotar a sanha autoritária de Bolsonaro passa por articular as diferentes lutas. Bolsonaro acumula ataques inadmissíveis, como os feitos contra a memória de Fernando Santa Cruz, um dos mártires da luta contra a ditadura e pai do atual presidente da OAB, Felipe Santa Cruz; as ameaças à imprensa, como as feitas contra o jornal “Valor Econômico”; o elogio ao torturador Brilhante Ustra; as ameaças de censura ou fechamento da Ancine; a promessa de abertura de terras indígenas ao garimpo; a intervenção nos órgãos de controle ambiental e nas escolhas de reitores das universidades.

É preciso organizar uma unidade ampla em defesa das liberdades democráticas, como feito no recente ato da ABI em defesa de Glenn Greenwald, e jogar força nas manifestações de 13 de agosto, quando será possível, além de lutar em defesa da educação, dar um grito de basta aos ataques e desmandos de Bolsonaro.

Num momento em que o governo e a burguesia preparam novos ataques, como as mudanças tributárias para privilegiar banqueiros, patrões e bilionários, a força das ruas será fundamental para lutar por medidas como a taxação de grandes fortunas, heranças, lucros e dividendos que financiem os serviços públicos. Dia 13, vamos dar mais um passo, defendendo a educação e mostrando que é possível construir uma saída para o Brasil.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.