Carta de princípios do Movimento Esquerda Socialista

Carta de princípios do Movimento Esquerda Socialista

Documento elaborado em 1999 resume proposições fundamentais da corrente.

I Encontro do MES – Porto Alegre, 6 de novembro de 1999

1) Só a luta conquista

A concepção de que a luta e a mobilização direta das massas são a única forma da classe trabalhadora alcançar avanços nas suas reivindicações, o que é um patrimônio do qual não se pode abrir mão, é um princípio que deve ser defendido sempre pela esquerda com o objetivo de impulsionar as mobilizações como prioridade permanente.

Isto não significa desprezar as eleições, que são um importante momento da disputa política, onde podemos ganhar a consciência dos trabalhadores e disputar postos na institucionalidade que sirvam para fortalecer a nossa luta. No entanto, as mudanças profundas só podem ocorrer pelas mãos da própria classe trabalhadora através das greves, das ocupações, das passeatas, enfim, da força da sua mobilização.

2) Não é possível reformar o capitalismo

É preciso lutar para derrotar o sistema capitalista que, em sua fase de crise, está gerando cada vez mais miséria e menos direitos para a classe trabalhadora. Para isso, é necessário defendermos um programa que leve à derrota desse sistema. Estratégia que, infelizmente, vem sendo abandonada pela maioria da direção de nosso partido cada vez mais adesista da tese de que podemos lutar por melhorias dentro do próprio sistema com a construção de um capitalismo “mais humano”.

Um programa anticapitalista que tenha como ponto de partida o não pagamento da dívida externa, a realização de uma ampla reforma agrária sob controle dos trabalhadores, a estatização do sistema financeiro e dos setores estratégicos da economia, com a expropriação dos grandes monopólios capitalistas e a construção de uma democracia para os trabalhadores. Sem tomar estas medidas e outras que caminhem no mesmo sentido nenhum governo resolverá de fato os problemas da classe trabalhadora.

3) Pela independência política dos trabalhadores

Na luta para conquistar um governo que tome essas medidas, isto é, um governo efetivamente dos trabalhadores, os partidos da burguesia jamais serão nossos aliados. São nossos inimigos de classe e derrotá-los é uma tarefa imprescindível. Por isso defendemos a independência política da classe trabalhadora contra qualquer aliança eleitoral com os partidos patronais e burgueses que, a exemplo do PDT, tem um discurso populista, mas governam a favor dos capitalistas.

4) Democracia ampla e irrestrita

Para lutar, os trabalhadores e seus aliados de classe necessitam de organizações profundamente democráticas. Por isso, defendemos o método da discussão política permanente e da mais ampla democracia nos sindicatos, partidos políticos e organizações. É assim que atuamos, por exemplo, nos sindicatos que coordenamos. E é desta forma que estamos construindo o MES: oportunizando o debate e a discussão democrática para que possamos encontrar a melhor forma de defender estas bandeiras e batalhar por uma esquerda de luta, classista e socialista.

Aqui também fica o nosso convite aos militantes socialistas que não abriram mão da coerência e da defesa de nossas bandeiras históricas a realizar um amplo debate acerca da validade e atualidade destes temas, com o objetivo de fortalecer a luta por construir um forte polo de esquerda consequente, tarefa para a qual o MES está firmemente empenhado.

Além disso, coloca-se ainda o desafio de estender esta experiência à esquerda socialista do país. Pois acreditamos que são muitos os companheiros e companheiras que estão descontentes com os rumos que vem sendo tomados pela direção de nosso partido. Unir todos com base nesses princípios será decisivo para o futuro da esquerda.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
O MES completa 20 anos. A edição n. 14-15 da Revista Movimento é dedicada por completo ao importante evento que marca duas décadas de nossa história. Apesar de jovens, podemos dizer que poucas organizações na história política da esquerda brasileira alcançaram essa marca com tamanho vigor. Longe de autoproclamação, desejamos transformar nossos êxitos em força social e militante para novos e amplos impulsos. Ainda não cumprimos uma maratona, mas nossa história sem dúvida deixou para trás a visão de curto prazo, que alguns adversários nos chegaram a prognosticar. Diante das muitas provas, vitórias e algumas derrotas, podemos celebrar e somar forças para enfrentar as tarefas imediatas: derrotar a tentação autoritária de Bolsonaro e avançar na construção de uma alternativa socialista.