Por que Ibaneis veta a Praça Marielle Franco?
Placa Rua Marielle Franco. Reprodução

Por que Ibaneis veta a Praça Marielle Franco?

Não há duvida que o veto de Ibaneis é uma sinalização ao clã Bolsonaro. E também à sua base conservadora.

Giulia Tadini 23 jan 2020, 16:49

Hoje repercutiu a notícia de que o governador do DF vetou a praça Marielle Franco, projeto de autoria do deputado Fábio Felix, aprovado na CLDF ano passado.

Em texto, ele alega que Marielle não contribuiu com a realidade do DF, e que isso não contribui com uma “tradição” instituída. Nada mais falso.

Em primeiro lugar, há vários exemplos que desmentem o governador. Temos a praça do cantor Leandro, praça Alziro Zarur, homenagem ao Roberto Marinho, Ayrton Senna. Além disso, Brasília não é uma cidade qualquer, é a capital federal.

Estranha que mais de 150 lugares públicos no mundo todo homenageiam Marielle, mas que aqui isso não faça sentido. O legado de Marielle transcende fronteiras, se tornou ícone da luta por direitos humanos.

Talvez por ser capital que se justifique esse veto. A vida de Marielle foi marcada por enfrentar os poderosos. Sua trajetória inspira as novas gerações, sobretudo mulheres, negras, negros e periféricos a enfrentar os podres poderes. Até hoje sua história, e a motivação por traz desse crime, faz alguns tremerem, bem no centro do poder.

Não há duvida que o veto de Ibaneis é uma sinalização ao clã Bolsonaro. E também à sua base conservadora. Segue com mais força do que nunca a pergunta: Quem mandou matar?

Também estranha o silêncio da administração de Brasília sobre essa decisão revoltante.

A praça Marielle não precisa de aval do governador. Seguirá a luta na CLDF pra derrubar o veto. Mas dia 14 de março, independente disso, iremos ocupar e inaugurar a praça para dizer com toda a força: sua luta vive em nós, sua luta vive em Brasília e em todo país.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.