Escola Marx: primeiros passos de um projeto ousado
Escola Marx - Rio de Janeiro

Escola Marx: primeiros passos de um projeto ousado

Realizamos, entre o final de janeiro e início de fevereiro, o primeiro ciclo nacional da Escola Marx, que reuniu cerca de 900 pessoas.

Camila Souza e Israel Dutra 11 mar 2020, 16:12

“Há todo um velho mundo ainda por destruir e todo um novo mundo a construir. Mas nós conseguiremos, jovens amigos, não é verdade?”.

Rosa Luxemburgo

Logo após o forte ato de comemoração dos 20 anos do MES, começamos o ano realizando entre o final de janeiro e início de fevereiro o primeiro ciclo nacional da Escola Marx. Um triunfo bastante representativo que conquistou reunir cerca de 900 pessoas entre jovens ativistas, feministas, educadores populares, trabalhadores da cidade e do campo e professoras(es) para debater o marxismo ao longo de quatro módulos que duraram até 3 dias. Foram um total de 13 Escolas espalhadas entre as 5 regiões do país. Podemos falar que existe um salto de politização na corrente, na sua militância, sua franja e também na formação de uma equipe (muito qualificada) de novos cursistas, contando com cerca de 20 camaradas se testando nessa tarefa.

O espaço para o Marxismo, a propaganda e a formação militante é enorme. Esse interesse é proporcional à politização do ativismo, especialmente na juventude. Atacado pelas fake news da extrema direita, o Marxismo segue vivo como ferramenta para compreender e para lutar para transformar o mundo. Afinal, em um sistema em crise as contradições se agudizaram bastante, levando a níveis de desigualdade social absurdos, a uma crise climática gravíssima e a governos que acirram uma guerra social contra o povo. Tais contradições só são possíveis de serem superadas com a afirmação de um novo projeto de sociedade, a revolução socialista é uma necessidade mais atual do que nunca. Nos faltam as condições subjetivas para combater o atraso na consciência e enfrentar a extrema direita que se apresenta como antissistêmica.

A Escola tornou-se possível pela publicação do livro “Bem vindo marxismo” de Pedro Fuentes. A sistematização física de conceitos e experiências ao longo de 50 anos de militância em um livro proporcionou uma condição especial para potencializar nossa formação. O livro de Luciana Genro “O novo sempre vem” também foi uma base de leitura obrigatória que aprofundou o conceito de Estado e o balanços dos erros da esquerda reformista que chegou ao poder. Comprometidos com um marxismo vivo conectado com as lutas em curso, buscamos reafirmar a totalidade de gênero, raça e classe para avançar na construção de um novo programa de transição que responda às necessidades mais emergenciais, sem se perder no rumo da estratégia socialista.

A Escola representou um salto na elaboração coletiva interna e na capacidade de socialização dessa elaboração, colocando o MES entre as principais organizações políticas comprometidas com a formação militante. E para nós que defendemos que o marxismo não é um dogma, é sim uma ciência crítica comprometida com a transformação da sociedade, saímos todos mais capazes para construir uma alternativa política. A participação de cada um permitiu uma rica e intensa troca de experiências. A cada final de semana a Escola foi se enriquecendo, os roteiros de cada módulo foram ganhando mais densidade e mais conexão com a realidade social de nosso país e do mundo. Com as místicas fomos acolhendo uns aos outros e nos compreendendo como militantes de uma luta que nós não começamos, mas que estamos comprometidos a continuar até a vitória de nossa classe.

Ao final de cada Escola, realizamos balanços coletivos, todos carregados de falas emocionantes, em especial dos ativistas independentes, que afirmaram como a compreensão do marxismo foi importante para a atuação militante de cada um.

Estamos dando um salto na elaboração e na centralização da nossa atividade de propaganda. Em meio à ofensiva de um setor neostalinista entre a juventude, respondemos com um marxismo “a quente”, contemporâneo e ativo. Temas fundamentais como a questão da negritude, a centralidade da luta de classes(e as novas formas de ser da classe trabalhadora), o ecossocialismo, entre outros temas seguidos com muita atenção.

Como fruto dessa vitória, estamos preparando novos passos- no terreno editorial, a Editora Movimento, após ter lançado “Reforma e Revolução”, de Rosa Luxemburgo, deve lançar uma nova edição do “Manifesto Comunista”, nesse semestre. Para o inverno estamos preparando três importantes novidades: uma escola para cursistas, aprofundar a relação com movimentos do campo e a questão da educação e do socialismo e uso de novas ferramentas como podcasts e vídeos para popularizar o marxismo. 


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Publicamos a décima sétima edição da Revista Movimento ainda sob o impacto da pandemia da Covid-19. Em todo o mundo, as contradições acumulam-se. Este volume está dedicado à análise de várias dimensões desta verdadeira crise global e de seus desdobramentos. Com destaque, tratamos da mobilização antirracista nos Estados Unidos e no mundo, iniciada após o assassinato de George Floyd, e da situação brasileira, discutindo a crise do governo Bolsonaro e as recentes manifestações dos trabalhadores por aplicativos.