Tirar Bolsonaro para salvar o país!
Fábio Rodrigues Pozzebom/ Agência Brasil

Tirar Bolsonaro para salvar o país!

Intelectuais, movimentos, artistas e parlamentares de todo o Brasil protocolam pedido de impeachment do presidente.

Executiva Nacional do MES/PSOL 18 mar 2020, 20:22

O Brasil se encontra diante da maior crise nacional em décadas. Nosso país, que já vinha sendo fortemente atacado nos anos recentes com medidas de austeridade, de desmonte da seguridade social e com ameaças autoritárias, agora se vê acossado pela grave pandemia do coronavírus, que abala o mundo.

Todas as evidências científicas mostram que, para frear a pandemia, não sobrecarregar os sistemas de saúde e salvar vidas, são necessárias medidas drásticas que são estranhas ao capitalismo e, particularmente, à sua face neoliberal defendida pelo atual governo.

O distanciamento social e o direito dos trabalhadores e das trabalhadoras a ficarem em casa são os primeiros tópicos. Além disso, é urgente o investimento pesado do Estado na saúde pública, na seguridade social, na garantia dos empregos formais, na proteção dos trabalhadores informais e dos micro e pequenos empresários. No entanto, as autoridades pensam, primeiramente, na economia e no lucro, e só depois na saúde e na vida.

As graves condições sanitárias, econômicas e sociais de amplas massas trabalhadoras, em nosso país, coloca em risco um contingente elevado de pessoas. A face mais aguda da crise atinge a classe trabalhadora e, dentro dela, seus setores mais precarizados e oprimidos.

Como se não bastasse isso, temos um agravante. O presidente da república, Jair Bolsonaro, atua na vanguarda da irresponsabilidade. Bolsonaro assume uma postura abertamente criminosa que põe em risco a vida dos brasileiros mais pobres e em grupos de risco para a COVID-19. Bolsonaro defende apenas seus interesses mesquinhos e seu projeto político reacionário.

Mais de 15 membros do próprio governo estão infectados com coronavírus. Enquanto ainda tinha suspeita de possuir o vírus, o próprio presidente contrariou orientações médicas e se somou à manifestação golpista do último domingo (15), apertando a mão e beijando pessoas que se aglomeravam. Além disso, em entrevistas, Bolsonaro diminui a gravidade da crise, acusa a imprensa e sinaliza um grave alheamento à realidade.

Em paralelo, o esgoto do bolsonarismo, nas redes sociais, atua pela desinformação, difunde fake News, estimula a alienação religiosa e aumenta os riscos para os brasileiros. Postura típica daqueles que atacam a ciência e desmerecem os profissionais da saúde e o SUS.

A lista de crimes de responsabilidade de Bolsonaro é extensa. Há tempos um pedido de impeachment do presidente já se sustentava. Mas agora se tornou inadiável.

Por isso, Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, David Miranda, Luciana Genro e um conjunto de parlamentares, intelectuais e movimentos do Brasil, protocolaram hoje (18), no Congresso Nacional, o pedido de impeachment do presidente.

Assinam a petição, ainda, intelectuais, artistas e lideranças como Padre Júlio Lancellotti, Gregório Duvivier, Zélia Duncan, Edgard Scandurra, Vladimir Safatle, Débora Diniz, Pablo Ortellado, Rosana Pinheiro Machado, Henrique Carneiro, Luís Felipe Miguel, Adriana Erthal, Plínio de Arruda Sampaio Jr. e Helena Vieira. Parlamentares estaduais e municipais como Roberto Robaina, Sandro Pimentel, Monica Seixas, Toninho Vespoli, Carlos Giannazi, Celso Giannazi, Pedro Ruas, Fábio Felix, Erika Hilton, Chirley Pankará, Renato Cinco, Oton Mário, Ari Areia, Mariana Conti, Fernanda Miranda, Karen Santos, Andréa Werner e Luana Alves. Nomes do direito como Silvio de Almeida, Luciana Zaffalon, Paulo Iotti, Cristiano Avila Maronna, Raul Marcelo e Letícia Chagas.

Assine a petição em apoio ao pedido de impeachment:
https://fernandapsol.com.br/forabolsonaro/

A indignação que já se vê nas janelas dos brasileiros, com panelaços e barulhaços pelo Fora Bolsonaro, merece ter uma expressão política.

Queremos contribuir com essa mobilização, enquanto nos mobilizamos ativamente, junto à sociedade civil e à classe trabalhadora, para lutar por saídas para essa crise, ampliando os laços de solidariedade entre as pessoas, a defesa da ciência, da saúde, das condições básicas de existência, e da vida.

Defendemos:

1) Bolsonaro criminoso! Tirar Bolsonaro para salvar o país

2) Impeachment já! Fora Bolsonaro! Acolhimento da denúncia no TSE para cassação da chapa Bolsonaro/Mourão

3) Mobilização da sociedade civil e da classe trabalhadora organizada em defesa da vida e da saúde

4) Medidas urgentes para contenção da pandemia:

  • Obrigatoriedade de destinação de 100% das emendas parlamentares para construção de leitos de UTI e compra de equipamentos respiratórios para pacientes graves.
  • Salário mínimo emergencial para garantir o direito dos trabalhadores informais de se afastar de sua função.
  • Manutenção dos salários e empregos. Nenhuma demissão enquanto durar a pandemia.
  • Tabelamento de preços dos itens de prevenção e distribuição gratuita de máscaras, álcool em gel e medicamentos antivirais para a população mais pobre.
  • Controle do SUS sobre 100% dos leitos hospitalares no Brasil, inclusive os privados.
  • Licença-trabalho para responsável por criança liberada da escola.
  • Concessão automática do Bolsa Família para todos os que esperam pelo benefício.
  • Anistia das contas de água, luz, gás e aluguel enquanto durar a pandemia.
  • Distribuição de cestas básicas para desempregados, famílias com crianças liberadas da escola, idosos e portadores de doenças crônicas.
  • Convocação imediata de todos os aprovados em concursos públicos na área de saúde.

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.