1º de abril: Fora, Bolsonaro e seu governo da mentira!
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1º de abril: Fora, Bolsonaro e seu governo da mentira!

Hoje é dia de Bolsonaro. O dia da mentira, do negacionismo científico e ambiental, da afirmação da força bruta diante das liberdades, do revisionismo histórico, da canalhice elogiada como virtude.

Israel Dutra e Thiago Aguiar 1 abr 2020, 17:16

Com a expansão da crise da Covid-19, a situação move-se rapidamente no Brasil. Conforme aumentam a preocupação com os riscos de infecção e a ameaça à vida e à saúde de familiares e amigos queridos, Bolsonaro revela-se a todo o país um problema geral, sanitário, político, econômico e civilizacional. As panelas nas janelas gritam diariamente em todo o Brasil: Fora, Bolsonaro!

Hoje é dia de Bolsonaro. O dia da mentira, do negacionismo científico e ambiental, da afirmação da força bruta diante das liberdades, do revisionismo histórico, da canalhice elogiada como virtude. As declarações estapafúrdias do indivíduo que ocupa a presidência seguem: após chamar a enfermidade que colocou de joelhos sistemas de saúde de todo o mundo de “gripezinha”, que deve ser enfrentada “como homem, não como moleque”, Bolsonaro fingiu dar um passo atrás no pronunciamento da última noite. Não sem antes mentir a respeito das declarações do diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, e das medidas que o governo não tem tomado para garantir a preservação da vida e da renda de milhões de trabalhadores.

Cada vez mais isolado, seu governo enfrenta uma séria crise. O ministro da Saúde, diariamente desautorizado pela retórica presidencial, agora dá coletivas de imprensa no Palácio do Planalto, ladeado pelo general Braga Netto, chefe da Casa Civil. Mandetta, no entanto, tem reafirmado que seguirá as orientações das instituições médicas e científicas e que o isolamento social é a principal medida a ser tomada para combater a disseminação da Covid-19. A esta orientação, somam-se os governadores, o STF e a cúpula do Legislativo, sob comando de Rodrigo Maia, além de setores importantes da classe dominante e de seus porta-vozes, que se descolam de Bolsonaro.

Um inimigo da verdade, da saúde, da ciência e da história: ditadura nunca mais!

Os economistas e políticos burgueses, recém-convertidos a defensores dos mais vulneráveis, sempre souberam de que estofo são feitos Bolsonaro e seu entorno mais próximo: seu governo é dominado por terraplanistas, lúmpens radicalizados por ideólogos neofascistas e instrumentalizados pela extrema-direita global, empresários abutres, além rentistas ultraliberais que viram nesta malta uma grande oportunidade de fazer bons negócios.

Eis a sinfonia infernal para um país diante da mais grave crise sanitária enfrentada pela humanidade em gerações. Para defender sua política de morte e cavar oportunidades para gerar uma crise e dar vazão a suas pulsões autoritárias, o bolsonarismo lança mão de seu arsenal de “fake news” – que afirmam, entre outros absurdos, que motoristas (!) do SAMU em São Paulo estariam inflando o número de mortos pela Covid-19, que um caminhoneiro morreu pela explosão de um pneu e foi contabilizado como caso de Covid-19 ou que, no Pará, militantes do PSOL estariam buscando contagiar-se para espalhar a doença e, desse modo, atacar Bolsonaro.

Também é fundamental a defesa da verdade histórica diante dos fantasmas que se levantam para elogiar a ditadura militar, assassina, torturadora, corrupta e entreguista, que sufocou o Brasil de 1964 a 1985. Ontem, 56 anos depois do golpe, o ministro da Defesa e os comandantes militares publicaram uma ordem do dia que apresenta a implantação da ditadura militar como uma defesa da democracia! Hamilton Mourão publicou nota e Jair Bolsonaro, diante da escória que o saúda todas as manhãs no chiqueiro instalado em frente ao Palácio da Alvorada, fizeram afirmações de mesmo teor.

Diante deste caos, é preciso defender a verdade, as informações médicas e científicas e, sobretudo, lutar por uma saída popular, democrática e dos debaixo para a crise, dando voz à necessidade de defesa da vida e da renda dos trabalhadores. O destino do povo brasileiro não pode ficar nas mãos de Bolsonaro ou das conspirações cínicas da burguesia, que calcula o momento certo de espremer o bolsonarismo como uma laranja, atirando o bagaço aos leões.

Impeachment já: somos 1 milhão contra Bolsonaro!

O amplo pedido de impeachment encabeçado por Fernanda Melchionna, David Miranda, Sâmia Bomfim e Luciana Genro, assinado por intelectuais, artistas e personalidades como Vladimir Safatle, Rosana Pinheiro-Machado, Débora Diniz, Monica de Bolle, Gregório Duvivier, Maria Rita, entre muitos outros, ganhou, em poucos dias, a adesão de mais de 1 milhão de pessoas, cujas assinaturas foram protocoladas ontem na Câmara dos Deputados.

É preciso ampliar a pressão por esta iniciativa, apontando um caminho para os milhões que, de suas janelas, gritam sua indignação contra a canalhice presidencial e o risco a nossas vidas e a nossas famílias. O PSOL deve combinar-se a este sentimento popular ao mesmo tempo em que exige medidas como a garantia de renda para as famílias trabalhadoras em isolamento, a ampliação do número de leitos hospitalares, de equipamentos de proteção individual para os profissionais da saúde, de respiradores e de testes em massa para conter a expansão da Covid-19 e evitar o colapso do sistema de saúde.

O dia de liquidar Bolsonaro, sua mentira e os ataques à ciência, às liberdades e aos direitos do povo está chegando. Fora, Bolsonaro!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Publicamos a décima sétima edição da Revista Movimento ainda sob o impacto da pandemia da Covid-19. Em todo o mundo, as contradições acumulam-se. Este volume está dedicado à análise de várias dimensões desta verdadeira crise global e de seus desdobramentos. Com destaque, tratamos da mobilização antirracista nos Estados Unidos e no mundo, iniciada após o assassinato de George Floyd, e da situação brasileira, discutindo a crise do governo Bolsonaro e as recentes manifestações dos trabalhadores por aplicativos.