A pandemia que parou o mundo, mas move os moinhos da ciência

A pandemia que parou o mundo, mas move os moinhos da ciência

O setor científico hoje é essencial para o novo e difícil futuro que nos espera.

Michelle Simões 26 abr 2020, 20:34

Temos visto uma situação de crise generalizada se desenrolar pelo mundo nos últimos meses. Desencadeada na China, a disseminação da desconhecida doença COVID-19 vem tomando proporções globais numa velocidade catastrófica para o povo. Mundialmente, já se somam mais de 2,7 milhões de casos com diagnóstico confirmado e quase 200 mil mortos; o petróleo americano tem seu menor valor da história; os sistemas de saúde e funerário em muitos países mostram suas insuficiências frente a situação e em nosso país, Bolsonaro vive o pior momento de crise em seu governo até hoje. Já se considera que a recessão econômica pós-COVID19 é uma realidade, e está prevista para ser ainda mais dura que a de 2008. 

Nas últimas duas semanas a nova forma de contaminação viral vem se expandindo rápido pelo nosso continente, indicando que estamos na rota do próximo pico pandêmico. No Brasil, a subnotificação do número de casos confirmados da doença é uma realidade averiguada, e uma política orquestrada a partir da testagem limitada aos casos graves e profissionais da saúde e segurança. Pesquisas realizadas pela UFPel, utilizando o método de testes por amostragem representativa (semelhante ao método de pesquisa de opinião eleitoral) projetam estatisticamente que o número real de casos até o momento pode ser entre 11 a 15 vezes maior do que os divulgados (por volta de 50 mil) – o que nos deixaria com quase 500 mil casos atualmente, ficando assim atrás apenas dos EUA. Nos últimos dias, vimos acelerar a subida da curva exponencial do número de casos e mortes, mesmo quando os testes se acumularam por semanas nos laboratórios de referência. A fila chegou a mais de 15 mil testes sem resposta no estado de São Paulo até o começo da semana passada. Nessa condição, podemos dizer que com os números que temos hoje, estamos olhando para o passado da propagação do vírus em nosso país e não temos ideia em qual fase da pandemia realmente estamos. 

Esse atraso na nossa percepção da curva epidêmica vêm sendo percebida nos hospitais. Nos estados e cidades mais afetados, os sistemas de saúde já apresentam os primeiros sinais de colapso, como era previsto para o fim de Abril. Com a lotação dos leitos de UTI no máximo, ou próximo disso, hospitais em Manaus-AM, São Paulo-SP, Fortaleza-CE e Rio de Janeiro-RJ, em poucos dias, enfrentarão a trágica situação de escolher quem recebe ou não atendimento, ou seja, quem vive ou morre, dada a falta de equipamentos para atender a todos. Em meio ao caos no sistema de saúde, que se agrava rapidamente, a semanas vemos se acumular as denúncias de falta de equipamentos de proteção adequados para profissionais de saúde e segurança pública em postos de atendimento. O descaso reflete num crescimento rápido do número de infectados e vítimas da COVID-19 neste grupo, e a ausência de profissionais adoecidos em seus postos pode ser mais um fator agravante na crise sanitária que nosso país enfrenta.

Até o fim desse período crítico, de prazo ainda imprevisível, milhões de vidas serão perdidas ao redor do mundo. Os mais atingidos serão as vítimas da desigualdade social alimentada pelo sistema atual, que deixa ao léu os mais pobres, que habitam regiões de grande concentração populacional e com as piores condições de saneamento, cenário favorável para o espalhamento do vírus. A taxa de mortalidade dos primeiros países atingidos na África, ou até mesmo a das periferias de São Paulo e Rio de Janeiro, já comprovam essa tendência. Também são grandes alvos os trabalhadores que não podem deixar suas funções perante a falta de suporte econômico do governo Bolsonaro. Dada a gravidade das circunstâncias, o conjunto da humanidade deve concentrar seus esforços para poupar o maior número de vidas possível. A melhor forma de fazê-lo é reconhecer e estudar as raízes dessa crise e seus desdobramentos, destrinchando o comportamento desse novo vírus e os cenários possíveis que seu espalhamento pode gerar. Apenas uma ferramenta humana nos dá a chance de armar nosso bunker para essa guerra – a ciência. 

É indispensável comentar que o conjunto da comunidade científica mundial, das universidades à OMS, desde às primeiras notícias sobre a pandemia, vêm fazendo um esforço homérico para indicar os caminhos mais seguros e efetivos para se conter os danos nessa inevitável situação. As ciências, em meio a crises como esta que vivemos, são e devem ser as principais fontes de informações e medidas. Em poucas semanas, foi produzido um volume impressionante de dados, pesquisas e novas tecnologias. Muitos desses avanços deram-se em projetos internacionalmente coordenados, numa aliança global nunca antes vista na história da humanidade. Estima-se que tal nível de colaboração em unidade, acima das tradicionais rivalidades por patentes ou patrióticas, pode reduzir o tempo de elaboração de uma vacina, por exemplo, em 3 anos. Os desafios são enormes, e apenas com muita solidariedade ativa entre todos os povos seremos capazes de superar esse período doloroso rapidamente.

No Brasil, deveríamos começar a organizar grupos de trabalho de cientistas articulados através das universidades espalhadas pelo nosso território, para responder a imobilidade do governo federal frente à crise. Como já tem acontecido isoladamente, poderiam usar seus conhecimentos e infraestrutura para as mais diversas ações. Além dos esforços das ciências naturais,  que parecem centrais, todas as demais ciências precisam e podem estar agora a serviço de encontrar medidas para enfrentar essa grave situação que tem efeitos sobre os mais diversos setores da vida humana. Matemáticos poderiam traçar modelos epidemiológicos para sustentar as melhores decisões quanto ao isolamento social; economistas e cientistas sociais poderiam definir as políticas socioeconômicas de emergência para contenção da recessão e combate à pobrezas; engenheiros poderiam produzir projetos de equipamentos essenciais, como ventiladores mecânicos e EPIs, mais eficientes e de baixo custo, que pudessem ser produzidos pelas indústrias em regime de reconversão industrial.

O setor científico hoje, ao lado e em aliança com o setor da saúde, é um dos mais essenciais para avançarmos mediante o novo e difícil futuro que nos espera. Desde o primeiro caso confirmado no país, quando obtivemos um dos sequenciamentos de genoma do vírus dentre os mais rápidos no mundo (em 48H), a ciência pública brasileira vem se destacando mundialmente nas conquistas científicas. O protagonismo das universidades públicas em meio a atual situação é notável, como esperado, tendo em vista o conhecido peso dessas instituições para a soberania nacional e desenvolvimento tecnológico. Tais instituições são as responsáveis por 99% das pesquisas científicas produzidas no país. Além disso, nesse momento, muitas ainda cumprem com a responsabilidade do atendimento direto aos doentes, ofertando mão de obra qualificada, incluindo estudantes residentes voluntários – são 44 hospitais universitários da rede federal espalhados pelo país, além dos estaduais, relacionados a muitas das faculdades públicas de medicina. 

Desde a declaração da OMS de uma situação de pandemia, nossas universidades federais e estaduais paralisaram suas atividades presenciais cotidianas, remanejando todos seus ofícios internos para iniciativas em prol do auxílio no combate à COVID-19. A UFC, por exemplo, tem inclusive sido parte da articulação das estratégias de contenção junto de autoridades da secretaria da saúde do estado. Recrutando pós-graduandos, estudantes e pesquisadores, muitas vezes como voluntários, em pouco mais de um mês, as universidades e institutos de pesquisa de Norte a Sul produziram orientações de protocolos médicos, como a UFF e UFRN, estudos patogênicos e epidemiológicos, como a UFPel e UnB, tratamentos, vacinas e melhoramentos nas tecnologias de diagnóstico, onde se concentram o  maior número de iniciativas nos quatro cantos do país. O desenvolvimento de testes rápidos de qualidade e baixo custo, usando insumos nacionais, é um dos grandes desafio; assim como o aprimoramento da técnica mais eficaz, a RT-PCR, para o contexto nacional. Da UFRGS a UFBA, há equipes concentradas exclusivamente nisso.

Nos últimos dias, diante da falta de EPIs, com os atrasos nas compras internacionais, e também a escassez de antissépticos, a maioria das universidades no país deslocaram esforços também para atividades básicas, como operar seus laboratórios de engenharia e suas impressoras 3D a serviço da produção de protetores faciais. Os laboratórios de química passaram a produzir antissépticos para a comunidade. Algumas consideram iniciar operações para manutenção de respiradores mecânicos. As três estaduais paulistas, em especial USP e UNICAMP, somadas a UFRJ e UnB, por conta de suas estruturas privilegiadas, têm sido os maiores destaques nacionais no que diz respeito ao volume de avanços científicos.

Uma tarefa de imensa importância que cada dia mais as instituições de ensino e pesquisa públicas vêm cumprindo é nas testagens de diagnóstico oficiais. Essa já é a realidade no Rio Grande do Sul, Minas, Rio de Janeiro e, em especial, em São Paulo, provando nossas universidades como uma resposta infraestrutural para o gargalo que vimos últimas semanas. Graças a uma articulação entre as três estaduais, São Paulo deu um salto última semana na sua capacidade de diagnósticos, resolvendo um dos maiores problemas gerados pela COVID-19 no estado. Por pressão das instituições, o governo realizou uma grande compra de kits de teste vindo da Coreia do Sul. Então, essas universidades somaram seus laboratórios capacitados aos esforços de diagnóstico, passando a integrar oficialmente uma plataforma de laboratórios credenciados para a realização de testes do tipo RT-PCR, que até então envolvia apenas laboratórios públicos da rede LACEN, e os laboratórios de referência da Fiocruz e Instituto Adolfo Lutz.

É imensurável a importância de tal medida nesse momento, quando uma verdadeira balbúrdia no acúmulo de testes sem resultado vinha se configurando, e com o Brasil, até então, ocupando a pior posição no ranking de proporção de testes por milhão de habitantes. A plataforma coordenada pelo Instituto Butantã, possui 38 unidades credenciadas até o momento, sendo 10 diretamente de responsabilidade administrativa da UNICAMP, USP e UNESP.  São Paulo foi o segundo estado a tomar uma iniciativa nesse formato, sendo Minas Gerais o primeiro. Em apenas uma semana, esse reforço de laboratórios em São Paulo zerou a fila de mais de 9 mil testes parados no Adolfo Lutz central e hoje opera com um potencial de aproximadamente 2 mil testes/dia. O desafio agora é seguir obtendo recursos financeiros e insumos para operarem a função.

Infelizmente, as plataformas se tornaram também uma oportunidade lucrativa para grandes conglomerados da rede privada de análises, que correspondem a 7 dentre as unidades credenciadas em São Paulo. Essas redes chegavam a cobrar até R$400 por teste a poucos dias atrás, enquanto as universidades foram capazes de chegar num custo de R$50 a R$70/teste. A iniciativa de parceria público privada, ao melhor estilo lobista e privatista de Dória e Zema, agora distribui os insumos gratuitamente a essas instituições, como se estivessem em pé de igualdade com as instituições públicas e em relações ainda pouco claras quanto ao ônus financeiro para o estado pela prestação do serviço.

É difícil saber para todas as unidades,  mas pelo que se sabe da UNICAMP, possivelmente boa parte dos trabalhadores na frente de testagem são estudantes de pós-graduação, que deixaram de lado seus prazos apertados de entrega de pesquisa, e se voluntariam para contribuir com a sociedade sem qualquer remuneração. Mais uma vez, essa condição expõe a lógica de precarização da carreira científica em nosso país. É preciso reconhecer o papel de centralidade que a comunidade de profissionais da ciência, ao lado dos trabalhadores da saúde, exercem neste momento, e através das agências de fomento a ciência, encontrar formas de remunerar esses trabalhadores. Tais agências precisam financiar concomitantemente também projetos de pesquisa com testes com insumos nacionais, como os já muito avançados na UNICAMP, que passam agora por processo de certificação. Caso se comprove a efetividade dos reagentes brasileiros na técnica de RT-PCR, reduziria-se muito o custo e as dificuldades logísticas para expandir a capacidade de testagem do país, tornando mais próxima a possibilidade da concretização de um plano efetivo de testagem em massa aos moldes da Coreia do Sul e Alemanha – exemplos mundiais de contenção da doença.

É extremamente possível que hajam  muitos outros laboratórios universitários ao redor do estado e do país, inclusive já financiados pelas agências públicas de incentivo a pesquisa, mesmo em universidades privadas, que possuam os equipamentos e pessoal necessário para contribuir na expansão de iniciativas como a citada acima. É hora de o governo rastrear essas instituições, e colocá-las a trabalho da população, pois essa é umas das principais funções das universidades. Só apostando no exemplar contingente científico das universidades paulistas poderemos ser capazes de reverter a subnotificação no país e ter os dados corretos para forjar as melhores estratégias para conter o avanço do SARS-COV-2 em nosso território. Foram anos de retirada de verbas das universidades e das agências de fomento, principais responsáveis pelos investimentos públicos em ciência. É preciso, agora que a ciência prova mais uma vez sua importância e essencialidade para o funcionamento da sociedade, que se reverta os erros do passado, e um investimento massivo em educação e na pesquisa se tornem uma prioridade, ao lado do investimento no SUS, como os meios que poderão nos levar a superação desse momento de tantas incertezas e inseguranças.

Esta crise só tem um peso tão grande para o mundo pois nos últimos 40 anos uma considerável instabilidade econômica, social e política que se acumulou, graças às políticas de austeridade promovidas pelo modelo capitalista neoliberal em todo o Ocidente. Esses planos levaram ao agravamento  da situação econômica dos estados e nos desarmou de políticas quaisquer de medidas preventivas para situações desse tipo. Tais elementos, somados à condição globalizada do sistema e a força conquistada eleitoralmente últimos anos pela extrema-direita no mundo, culminaram na receita perfeita para o caos, mesmo nos países centrais para o capitalismo.

Avaliando as demandas atuais, a curto prazo, é indispensável combater a lógica neoliberal e se realocar todos os recursos possíveis para a pesquisa centrada nas universidades públicas, assim como para o SUS. Emendas parlamentares, dinheiro recuperado pela justiça de processos de corrupção ou pela receita de sonegadores fiscais (no ano passado, R$186 bilhões) devem ser encaminhados aos esforços que vem se desenrolando por todo o país. É inadmissível, que em meio a grave situação que vivemos, se mantenham as largas renúncias fiscais históricas ofertadas aos grandes empresários e banqueiros do nosso país, e que em 2019 somaram mais de R$330 bilhões de rombo nos cofres públicos. É também o momento ideal para se taxar os muito ricos, regulamentando os impostos sobre grandes fortunas previsto na Constituição de 88, e expandindo a alíquota cobrada sobre heranças. Devemos cobrar de quem lucra a anos com os esforços da sociedade, que paguem pela nossa salvação em meio ao momento mais difícil de nossa história em séculos.

Se torna necessário repensar também a mecânica de repasse de verbas dos estados. Em meio à recessão que enfrentaremos, tendo em vista os efeitos da paralisação das atividades do comércio sobre a arrecadação do ICMS, as consequências para as universidades estaduais podem ser catastróficas em São Paulo. Isso pois essa é a principal fonte de dinheiro público, que a muito já é insuficiente para as necessidades mesmo mais básicas, como o pagamento de pessoal. Manter a excelência, e até mesmo a existência, do modelo de universidade que temos hoje, e que tem provado ser uma garantia para o Brasil superar a pandemia, apenas será possível com uma reorganização na captação de recursos e financiamento. Durante o governo Dória, as isenções foram ampliadas sobre o ICMS, afetando diretamente os repasses para municípios, responsáveis pelas unidades básicas de saúde, e universidades estaduais. Esse plano de desmonte não pode continuar.

É inadmissível, como tenta impor Weintraub, que as universidades retornem às suas atividades acadêmicas presenciais em meio a tanto transtorno. Mas é de extremo valor que os docentes, pesquisadores, servidores, pós-graduandos e até os estudantes que puderem, sigam refletindo e agindo sobre os caminhos necessários para que a ciência seja a maior protagonista em nosso país. Os sentimentos de indignação e defesa radical do investimento público em ciências e na educação, e os acúmulos de força reunidos no movimento Tsunami da Educação de 2019, devem agora se reorganizar para fortalecer a disputa da maioria da sociedade contra o Bolsonarismo e sua política genocida, anti-ciência e anti-povo. O movimento da educação, a partir da sua capacidade de unidade, precisa pensar formas inovadoras de expor para a massa da sociedade os esforços que têm sido realizados pelas universidades contra a pandemia e se manifestar pela urgência de se reverter a redução de verbas que sofremos nos orçamentos dos últimos anos.

Por isso, a luta pela revogação da EC 95 do teto de gastos está na ordem do dia, e unifica os setores da saúde e da educação, mas ainda precisa se expandir para as massas. O desafio de nossa geração, momentaneamente, é organizar a resistência tendo a impossibilidade de ocupar as ruas. Precisamos e podemos utilizar das ferramentas tecnológicas tão avançadas no nosso tempo, aliadas a nossa criatividade, para reinventar os métodos de mobilização, seguindo o exemplo dos panelaços nas janelas pelo Brasil a fora, que fortalecem o #ForaBolsonaro. É nossa tarefa também pautar a necessidade imediata do impeachment deste governo obscurantista que sempre nos combateu e deslegitimou. A sobrevivência do povo depende de nós e da nossa luta também, em especial a dos idosos, negros, trabalhadores e periféricos que comprovadamente já sofrem com as maiores taxas de mortalidade até agora.

Cientistas do mundo uni-vos, o mundo precisa de nós!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.