Dia Mundial da Saúde: defender o SUS e a vida
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Dia Mundial da Saúde: defender o SUS e a vida

Para transformar os aplausos aos profissionais de saúde em força motriz de esforço coletivo em prol de um plano emergencial de combate ao Covid-19.

Danilo Rezegue 7 abr 2020, 20:43

Há aproximadamente um mês, a OMSdeclarava o estado de pandemia global causada pelo novo coronavírus. Desde o registro dos primeiros casos na China, a disseminação pela Europa e a consolidação dos EUA como epicentro da crise, a pandemia virou o mundo do avesso e alterou toda a atmosfera geopolítica que conhecíamos até então. O mundo que conhecíamos antes da Covid-19 não existe mais. E os cenários pós-pandemia ainda são verdadeiras incógnitas.

O lastro de mortes, pânico e sofrimento é uma marca indelével da atual conjuntura. Colapsodos sistemas de saúde, lockdown, economia do avesso e mais de 1 milhão de pessoas infectadas no mundo. Não sabemos até quando a Covid-19 deixará suas marcas, mas é necessário que desde já possamos extrair lições do cenário atual. O novo coronavírus desnudou os tentáculos de um sistema econômico global regido por um receituário neoliberal individualista e privatizante cuja lógica de mercantilização da vida encontra-se em xeque diante das demandas que emergem no bojo da pandemia.

Países asiáticos, europeus, e até os Estados Unidos, precisaram lançar mão de vultuosos investimentos públicos, para garantir renda básica emergencial e garantir as condições concretas para estratégias rigorosas de isolamento social e contenção do vírus. Em alguns países, leitos privados foram estatizados, dívidas públicas postergadas e foram instituídas medidas de proteção do salário e garantia dos empregos.

No Brasil, temos um trunfo: um Sistema Único de Saúde, público, com acesso universal e que atende indistintamente brasileiros e brasileiras em todo o território nacional, dos grandes centros urbanos aos distritos sanitários indígenas. Porém, há mais de trinta anos, este mesmo sistema, que nunca foi ÚNICO dada a expansão conflituosa do capital privado em saúde, precisa resistir firmemente às políticas de sucateamento implementadas desde a sua gênese.

No contexto brasileiro, ainda temos outro agravante: um governo federal alinhado a umaelite mesquinha, está disposto a usar a vida dos trabalhadores brasileiros como escudo para manutenção de privilégios de rentistas e grandes empresários, contrariando recomendações da própria Organização Mundial da Saúde quanto às regras de quarentena e distanciamento social.

Disseminando fake news e caminhando na contramão da ciência, o governo Bolsonaro se consolida como vergonha internacional no combate ao Covid-19, gerando conflitos desnecessários e zombando da classe trabalhadora, esquivando-se de propor medidaseconômicas emergenciais para preservar salários e empregos, enquanto socorre os cofres dos bancos e do grande empresariado. Hoje, no Brasil, Bolsonaro e seus asseclas são os maiores obstáculos ao enfrentamento da pandemia e o impeachment tem se tornado a cada dia que passa uma tarefa emergencial, que já conta com aproximadamente um milhão de assinaturas e sua agenda está na ordem do dia.

As próximas semanas ainda serão de disseminação do vírus no Brasil, em meio aos cenários de desigualdade socioeconômica, carência de saneamento básico e precariedadedo trabalho. Os prognósticos assustam e nossa posição irrefutável é a de defesa da vida como princípio humanitário, defesa do SUS como projeto emancipatório e de defesa dademocracia como tarefa política. 

Que neste dia 07/04/2020, o Dia Mundial da Saúde, possamos transformar os aplausos aos profissionais de saúde em força motriz de um esforço coletivo em prol de um plano emergencial de combate ao Covid-19 capaz deatender às recomendações científicas mundiais, aplicação imediata da renda básica emergencial, estratégias de controle da propagação do vírus nas favelas e periferias urbanas, medidas de controle e proteção dos povos tradicionais e garantia de condições de trabalho dignas aos profissionais de saúde com fornecimento adequado de EPIs, expansão de leitos de UTI e investimentos públicos para evitar o colapso do Sistema Único de Saúde.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.