O lugar do PSOL na atual crise: é hora de ação para derrotar Bolsonaro!
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O lugar do PSOL na atual crise: é hora de ação para derrotar Bolsonaro!

Diante da grave crise em curso no país, é preciso que o PSOL entre em campo e aponte uma saída.

Israel Dutra e Thiago Aguiar 22 abr 2020, 22:21

Diante da grave crise em curso no país, em que a pandemia de Covid-19 soma-se à escalada golpista de Bolsonaro, é preciso que o PSOL entre em campo e aponte uma saída. O Partido terá uma reunião virtual de seu Diretório Nacional no próximo dia 25 de abril e precisa posicionar-se. Nossa organização apresentará, na oportunidade, uma resolução política com setores aliados, das tendências internas do Partido.

Nos últimos dias, é evidente que há uma escalada de uma crise com múltiplas dimensões: a Covid-19 tem vitimado centenas de brasileiros por dia, cenário agravado pela subnotificação de casos e mortes. Por outro lado, já se nota a ruína da economia, cujos efeitos pesam mais intensamente sobre dezenas de milhões de trabalhadores que perdem sua renda e veem sua subsistência ameaçada. Bolsonaro, por sua vez, dobra a aposta em sua orientação reacionária, patrocinando e participando pessoalmente de manifestações golpistas, que demandam o fechamento do STF e do Congresso, e a instalação de um novo “AI-5”, enquanto o pagamento do auxílio emergencial segue moroso e com falhas.

Os casos de Covid-19 saltam e o sistema de saúde começa a colapsar em alguns estados e municípios – Manaus é o caso mais grave, mas a ocupação de leitos da rede pública já está em níveis críticos no Ceará e muito perto disso em São Paulo e no Rio de Janeiro. Ao mesmo tempo, o FMI projeta uma recessão de 5,3% do PIB do Brasil em 2020, mas há previsões que alcançam de 6 a 8% de recessão no país. A inaudita queda dos preços do petróleo, com mercados de futuros operando na negativa nos Estados Unidos, dá uma dimensão dramática do cenário. Enquanto isso, Bolsonaro sabota os esforços sanitários para conter a pandemia e extrapola todos os limites ao convocar aglomerações, conhecidas como “carreatas da morte”, e participar de ato golpista em frente ao quartel-general do Exército no último domingo.

A questão sanitária: defender os que estão na linha de frente com testes massivos já! Contratação imediata de profissionais da saúde!

Depois da demissão de Luiz Henrique Mandetta do Ministério da Saúde, aumenta a pressão dos setores bolsonaristas, relativizando os efeitos da Covid-19, para relaxar as medidas de isolamento e apontar a cloroquina – medicamento com efeitos duvidosos e não comprovados sobre o novo coronavírus – como saída.

Como resultado, o caos toma conta de unidades de saúde em todo o país e já há, diariamente, dezenas de mortes, em casa, de doentes que não encontraram tratamento. Os profissionais de saúde, por sua vez, lidam com a falta de equipamento para atender aos doentes e com a dramática falta de EPIs, que tem levado centenas de profissionais a afastar-se. Não por acaso, em todo o país há reivindicações e protestos, como dos trabalhadores da saúde do Pará. Este é o momento de organização e de defesa dos direitos pelos sindicatos e associações, como está sendo feito pelo Sindisaúde-RS. Queremos a contratação imediata de mais profissonais da saúde.

Ao mesmo tempo, a lotação dramática da rede pública mostra a necessidade de maior centralização de leitos, da defesa do SUS, da ampliação do orçamento da saúde, e da reconversão industrial para prover o país de reagentes, materiais e equipamentos necessários, nos moldes da proposta do DIEESE.

A questão econômica: medidas emergenciais para proteger a renda do povo!

É preciso lutar para ampliar as medidas que garantam renda para o povo trabalhador. O PSOL lutou pela ampliação da renda básica para mães de famílias monoparentais. A deputada Sâmia Bomfim, por sua vez, aprovou na Câmara emenda que garante a extensão da renda básica para professores temporários. Mais medidas devem ser propostas, levando em consideração, também, a situação dos trabalhadores formalizados sob risco de demissão ou afetados pela redução da renda promovida pelo governo Bolsonaro.

É preciso defender a extensão do período e do valor da renda básica, garantindo a sobrevivência de milhões de informais. O partido deve disputar com o hipócrita discurso bolsonarista, preocupado com os lucros das empresas, de “economia versus vida”. É fundamental lutar para frear as demissões, a exemplo do que se fez em outros países, lutando em conjunto com setores do movimento operário organizado.

De onde virá o dinheiro para essas iniciativas? O PSOL deve focar na linha de taxação das grandes fortunas, da qual fomos vanguarda durante a campanha presidencial de Luciana Genro em 2014, além de outras medidas fiscais que enfrentem os interesses de bancos e do sistema financeiro, além, é claro, de oferecer respostas ao problema da dívida, exigindo a auditoria e suspensão de pagamento de juros e dividendos para grandes credores.

Estamos organizando atividades de solidariedade ativa, com arrecadação e entrega de alimentos, medicamentos, produtos de higiene e livros, como fez o Emancipa na Restinga em Porto Alegre, no Grajaú em São Paulo, São Gonçalo no Rio, em Brasília nos acampamentos da FNL, entre diversas entregas e iniciativas.

A questão política: unir o PSOL na luta pelo impeachment!

A escalada da crise deixa claro que Bolsonaro atua como um genocida, que condenará à morte milhares de brasileiros com sua linha autoritária, negacionista científica e pró-patronal. Nós demos um passo fundamental ao protocolar pedido de impeachment, encabeçado por parlamentares, dirigentes e lideranças psolistas, como Fernanda Melchionna, Sâmia Bomfim, David Miranda e Luciana Genro, vários intelectuais e artistas, que reuniu mais de um milhão de assinaturas em seu apoio. Há, agora, um debate na esquerda a respeito do impeachment. O PDT anunciou hoje que protocolará mais um pedido de impeachment ao mesmo tempo em que o PT encontra-se dividido a respeito. Não há mais tempo a perder.

O PSOL tem a obrigação de oferecer um caminho a milhões de brasileiros. Como parte deste esforço, devemos ampliar o escopo de hipóteses de luta contra Bolsonaro, com greves, panelaços e planejando, para o próximo período, ações criativas, respeitando a orientação de distanciamento social, a exemplo do que se fez recentemente em Tel Aviv. Ao mesmo tempo, temos exemplos de protestos como do Pronto-Socorro de Belém, do Hospital Universitário da USP e da luta dos médicos residentes.

Basta de paralisia: é hora de ação! Fora, Bolsonaro! Impeachment já!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.