Reprodução Social e a Pandemia, com Tithi Bhattacharya
Enfermeiras e apoiadoras/es em uma vigília no Centro Médico da UCLA Ronald Reagan em 30 de março de 2020 (Mario Tama/Getty Images)

Reprodução Social e a Pandemia, com Tithi Bhattacharya

A crise do coronavírus deixou claro que o cuidado e o trabalho de produção da vida são o trabalho essencial da sociedade.

Sarah Jaffe e Tithi Bhattacharya 7 abr 2020, 14:26

A pandemia do coronavírus tem mostrado a muitas/os de nós, com brutal clareza, o quão rapidamente a sociedade pode mudar, e sem o que podemos – ou não podemos – viver. Acontece que grandes partes de uma economia capitalista podem ser essencialmente congeladas em tempos de crise, enquanto os recursos são redirecionados para a saúde. Muitas coisas que nos disseram anteriormente que eram impossíveis – desde libertar prisioneiros dos cárceres até suspender aluguéis e hipotecas e simplesmente dar a todas/os no país um pagamento em dinheiro – estão sendo feitas.

Tithi Bhattacharya tem pensado sobre como seria uma sociedade orientada para vidas humanas e não para as necessidades do Mercado Todo-Poderoso por um tempo. Ela é professora de história e diretora de estudos globais da Universidade Purdue, co-autora de “Feminismo para os 99 %: Um Manifesto” (atualmente disponível gratuitamente em inglês como e-book da Verso Books), do conselho editorial da nova revista Spectre, e editora de um recente livro intitulado “Social Reproduction Theory: Remapping Class, Recentering Oppression”. Falamos sobre o que a teoria da reprodução social pode nos ensinar sobre o momento atual, as exigências que a esquerda deveria estar fazendo neste momento e como podemos usar essas lições para prevenir a catástrofe climática.

Sarah Jaffe: Para começar, explique brevemente o que é a teoria da reprodução social.

Tithi Bhattacharya: A melhor maneira de definir a reprodução social são as atividades e instituições que são necessárias para produzir a vida, manter a vida, e substituir geracionalmente a vida. Eu a chamo de atividades de “produção da vida” [life-making].

Produzir a vida no sentido mais direto é dar à luz. Mas para manter essa vida, precisamos de toda uma série de outras atividades, como limpar, alimentar, cozinhar, lavar roupas. Há exigências físicas institucionais: uma casa para morar; transporte público para ir a vários lugares; instalações recreativas públicas, parques, atividades pós-escolares. Escolas e hospitais são algumas das instituições básicas que são necessárias para a manutenção da vida e para a realização da vida.

Aquelas atividades e instituições que estão envolvidas neste processo de vida, chamamos de trabalho de reprodução social e instituições de reprodução social. Mas a reprodução social também é um marco. É uma lente através da qual olhamos para o mundo ao nosso redor e tentamos entendê-lo. Ela nos permite localizar a fonte de riqueza em nossa sociedade, que é tanto a vida humana quanto o trabalho humano.

O enquadramento ou a lente capitalista é o oposto de produzir vida: é produzir coisas ou produzir lucro. O capitalismo pergunta: “Quantas coisas mais podemos produzir?”, porque as coisas dão lucro. A consideração não é o impacto dessas coisas sobre as pessoas, mas a criação de um império de coisas em que o capitalismo é o necromante que reina supremo.

A maioria dessas atividades e a maioria dos empregos no setor de reprodução social – enfermagem, ensino, limpeza – são dominados pelas mulheres trabalhadoras. E como o capitalismo é um sistema de produzir coisas, não um sistema de produzir vida, essas atividades e esses trabalhadores são severamente subvalorizados. As trabalhadoras de reprodução social são as mais mal remuneradas, são as primeiras a ser dispensadas, enfrentam constante assédio sexual e, muitas vezes, violência direta.

Jaffe: Estamos num momento em que temos mortos-vivos como Glenn Beck dizendo que eles ficariam felizes em morrer se o capitalismo pudesse continuar funcionando, deixando tudo isso bem claro.

Bhattacharya: A crise do coronavírus tem sido tragicamente esclarecedora em dois aspectos. Em primeiro lugar, tem esclarecido o que as feministas da reprodução social vêm dizendo há algum tempo, que o trabalho de cuidados e o trabalho de produção da vida são o trabalho essencial da sociedade. Neste momento em que estamos sob lockdown, ninguém está dizendo: “Precisamos de corretores e banqueiros de investimentos! Vamos manter esses serviços abertos”! Eles estão dizendo: “Vamos manter enfermeiras trabalhando, limpadoras trabalhando, serviços de remoção de lixo abertos, produção de alimentos em andamento”. Alimentação, combustível, abrigo, limpeza: estes são os “serviços essenciais”.

A crise também revelou tragicamente como o capitalismo é completamente incapaz de lidar com uma pandemia. Está mais voltado para a maximização do lucro do que para a manutenção da vida. [Os capitalistas argumentam] que as maiores vítimas de tudo isso não são as inúmeras vidas que estão sendo perdidas, mas a economia sangrenta. A economia, ao que parece, é a criancinha mais vulnerável que todos, de Trump a Boris Johnson, estão prontos para proteger com espadas reluzentes.

Enquanto isso, o setor de saúde tem sido devastado nos Estados Unidos pela privatização e por medidas de austeridade. As pessoas estão dizendo que enfermeiras têm que fazer máscaras em casa. Eu sempre disse que o capitalismo privatiza a vida e a produção da vida, mas acho que precisamos reformular isso depois da pandemia: “O capitalismo privatiza a vida, mas também socializa a morte”.

Jaffe: Eu gostaria de falar mais sobre a forma como o trabalho de cuidados e essas outras formas de reprodução social são desvalorizadas. O governador da Pensilvânia tinha uma lista literal de serviços que sustentam a vida e que podiam permanecer abertos. Trabalhadoras/es sanitários deixaram o trabalho porque não tinham equipamentos de proteção. Nossa tendência de desvalorizar esse tipo de trabalho é afetada e, também, afeta o que pensamos sobre as pessoas que o fazem.

Bhattacharya: As casas de repouso e a indústria de cuidados assistidos admitem atualmente cerca de 4 milhões de pessoas nos Estados Unidos. A maioria delas está no Medicare. O New York Times relatou recentemente que 380 mil pacientes morrem anualmente de infecções em estabelecimentos de cuidados de longo prazo que muitas vezes não estão dispostos a investir em procedimentos sanitários e de saúde adequados. Estas instituições desempenham um papel importante na escalada das epidemias. Considerando agravante o fato de que, nos Estados Unidos, 27 milhões de pessoas não têm cobertura médica.

Quase 90 por cento dos trabalhadores de saúde domiciliar e auxiliares de enfermagem nos Estados Unidos são mulheres. Mais de 50 por cento delas são mulheres de cor [women of colour]. Não tenho certeza – ninguém tem – sobre quantas delas são indocumentadas. Elas são duplamente vulneráveis, tanto à perda de empregos quanto às batidas do ICE. Em média, elas ganham em torno de 10 dólares por hora, e na maioria das vezes não têm licença médica remunerada ou seguro saúde. Estas são as mulheres cujo trabalho está sustentando tantas das instalações de atendimento do nosso país.

Eu peguei algumas das categorias de empregos que estão na lista de serviços essenciais que os estados de Indiana e Pensilvânia apresentaram, e comparei os salários dessas/es trabalhadoras/es de serviços essenciais com os salários de CEO. A diferença é astronômica. As/os trabalhadoras/es desses serviços que agora nos dizem ser essenciais – que como feministas e socialistas sempre soubemos ser essenciais – estão recebendo menos de 10 dólares por hora, enquanto os banqueiros estão sentados em casa.

Durante a crise, precisamos fazer exigências como instituir imediatamente o que estou chamando de “pagamento pandêmico” [pandemic pay] para trabalhadoras/es dos cuidados essenciais. Elas/es estão arriscando suas vidas. Elas/es precisam de salários muito mais altos. Investir imediatamente em hospitais e serviços médicos, tentar nacionalizar a saúde privada, como a Espanha tem feito. Providenciar cuidados infantis e assistência financeira imediata a todas/os, especialmente a trabalhadoras/es que estão tendo que ir trabalhar. E nada de batidas da imigração ou deportações. Isso é algo que impede o acesso das pessoas à assistência médica – o medo de ir ao médico, temendo que isso possa levar o ICE até elas. Irlanda e Portugal instituíram leis que estendem todos os vistos e abolem o status de imigração indocumentada. Estes são os modelos que precisamos seguir.

Jaffe: Um dos grandes surtos no estado de Washington veio porque os trabalhadoras/es de lares de idosos tinham múltiplos empregos e, portanto, trouxeram o vírus para múltiplos lares de idosos. Não ser pago o suficiente em um emprego está causando mais disseminação do vírus.

Bhattacharya: O vírus, de certa forma, é democrático. Ele afetou até o Príncipe Charles. Mas isso não nos engana a acreditar que o acesso à cura será tão democrático quanto o vírus. Como todas as outras doenças do capitalismo, a pobreza e o acesso aos cuidados vão determinar quem vive e quem morre.

Vai ter um efeito devastador no meu país, a Índia. O primeiro-ministro fascista Narendra Modi acaba de ordenar um lockdown de vinte e um dias. Todas as cidades basicamente fecharam para os negócios. O que acontece com trabalhadoras/es migrantes? Modi tem um plano para eles? Não. Milhões de trabalhadoras/es migrantes estão literalmente perambulando pelo país para voltar às suas aldeias nativas, filas de pessoas andando pelas ruas do oeste para o leste. Modi fechou todas as formas de transporte público e privado a fim de impedi-las/os de voltar para casa, pois elas/es podem carregar o contágio. Modi certificou-se, no entanto, de que indianas/os que viviam fora da Índia – mais especificamente indianas/os de classe média – fossem levados de volta para casa. Houve vôos especiais, exceções foram feitas para permitir vôos para pousar apesar dos fechamentos anunciados, e vistos especiais foram emitidos.

É assim que vários governos capitalistas do Sul Global vão lidar com seus pobres. Vamos ver a doença perseguir as favelas de Calcutá, Mumbai, Joanesburgo, e assim por diante. Já estão ouvindo declarações de nossos governantes de que o vírus é uma forma de o planeta se recuperar, de se livrar dos indesejáveis. Este é um chamado eugênico para limpar socialmente os mais vulneráveis e os mais fracos.

Jaffe: O que isso nos mostra não é que as emissões diminuem sem as pessoas – porque a maioria das pessoas não está morrendo. O que nos mostra é que o mundo é muito mais saudável sem tanto trabalho, porque as pessoas estão fazendo – como você estava dizendo – apenas o trabalho de produção da vida.

Bhattacharya: Este argumento de que o coronavírus é um botão de reset para a Terra é um argumento eco-fascista. O que deveria ser é um botão de reset para a organização social. Se o vírus passar e nós voltarmos à vida como antes, então isso não nos ensinou nada.

Porque se tornou necessário ficar em casa, podemos encontrar beleza e tempo para desfrutar daqueles com quem compartilhamos nossas casas. Mas não podemos esquecer que os lares sob o capitalismo, ao mesmo tempo em que oferecem segurança e proteção, são também teatros de uma violência incrível. Há dois dias, recebi um e-mail de um abrigo de violência doméstica local onde costumava ser voluntária, perguntando se eu consideraria entrar novamente, pois elas antecipam um pico nos casos.

Minhas companheiras feministas no Brasil, Sri Lanka e Índia estão relatando o mesmo: um pico de violência doméstica por causa da panela de pressão de todos que ficam na casa. Não precisamos de isolamento social. Precisamos de isolamento físico e solidariedade social. Não podemos ignorar o vizinho idoso que mora do outro lado da minha rua, pode não ser seguro para elas/es irem ao supermercado. Não podemos ignorar nossa colega de trabalho que vem trabalhar com muita maquiagem em volta dos olhos e diz que bateu com a cabeça em uma porta. Temos que checá-las regularmente.

As pessoas estão fazendo isso voluntariamente, apesar de nossos governantes fazerem o mínimo absoluto para realmente encorajá-los. Os professores estão passando pela casa de seus alunos, acenando para eles e dizendo: “Vai ficar tudo bem! Meu distrito escolar, como muitos outros, está fornecendo refeições para qualquer pessoa com menos de 18 anos. No meu estado, eles estão sendo entregues em casa. Isso não é algo que o governo federal ou qualquer político tenha feito. Isto são professores e distritos escolares que decidem fazer isso eles mesmos. Há brilhantes atos de solidariedade, amor e carinho que estão florescendo nesta tremenda crise. Estes são nossos recursos para a esperança.

Jaffe: Estou me perguntando agora mesmo sobre o trabalho doméstico, porque temos uma situação onde muitos desses trabalhos “essenciais” que as pessoas ainda estão fazendo são feitos por mulheres. E o trabalho de cuidado que essas mulheres normalmente são responsáveis em casa agora está sendo feito por seus maridos subitamente menos “essenciais”. Que perspectiva isso traz para o entendimento de algumas pessoas sobre o trabalho de reprodução social?

Bhattacharya: Joan C. Williams fez um interessante estudo que mostra que homens da classe trabalhadora cuidam mais das crianças do que homens da classe média. Os homens da classe média se vangloriam disso, enquanto os homens da classe trabalhadora não gostam de admitir isso porque é trabalho de mulher.

Eu me pergunto se esse tabu será enfraquecido. As mulheres trabalham nove horas a mais de trabalho doméstico do que os homens, em média, semanalmente, nos Estados Unidos. Essas nove horas podem mudar, mas eu me pergunto se a atitude vai mudar. Será que os homens vão ficar orgulhosos de manter a família unida enquanto seus parceiros mantêm o mundo unido?

Jaffe: Uma das razões porque os homens não admitem isso, como você disse, é que é trabalho de mulher. Muito do trabalho também é racializado. Muitas das pessoas que estão fazendo esse trabalho de cuidado são mulheres imigrantes, mulheres de cor.

Bhattacharya: Nos Estados Unidos, é racializado. Em outras partes do mundo, por exemplo na Índia, ainda são mulheres migrantes e as mais pobres e muitas vezes de casta inferior. As mais vulneráveis de qualquer sociedade realizam este trabalho. Seus salários e benefícios refletem isso.

Em termos de reprodução social, muitas das tarefas que precisamos fazer em um determinado dia são realizadas por mulheres de cor. Não poderíamos comer comida, andar nas ruas, ter nossos filhos e idosos atendidos, ter nossas casas e hotéis limpos, sem mulheres migrantes e mulheres negras fazendo esse tipo de trabalho. Este trabalho de produção do mundo é completamente desconhecido pelo capitalismo.

Jaffe: Estamos ouvindo muito agora sobre esta crise ser como uma guerra. Mas o economista James Meadway se referiu a ela como a economia antiguerra, porque o que temos que fazer é o oposto da guerra. Temos que desacelerar a produção. Espero que isso possa trazer um entendimento de que o trabalho que é necessário e que terá que continuar mesmo em um mundo radicalmente diferente é um trabalho que temos sistematicamente subvalorizado por séculos ao invés de “as Tropas” que estamos tão acostumados a fetichizar.

Bhattacharya: Eu concordo com James que a produção tem que ser desacelerada. No entanto, não todos os tipos de produção. Devemos aumentar a produção de suprimentos médicos, alimentos e outros recursos essenciais para a vida. Nos Estados Unidos – o país mais rico do mundo – tenho amigas/os enfermeiras/os que vão trabalhar sem o equipamento adequado.

Mas veja, por exemplo, as compras on-line. É ótimo poder pedir algumas roupas ou sapatos. Mas temos que lembrar que, mesmo que um par de sapatos já esteja feito, quando você os encomenda, eles têm que viajar por vários locais de trabalho para chegar à sua porta. Pense nos caminhoneiros que fazem isso. Pense nas pessoas que mantêm as paradas de caminhões abertas. Pense nas pessoas que mantém as paradas de caminhões abertas. Se você está encomendando medicamentos essenciais online, vá em frente. Mas esse lindo par de sapatos provavelmente pode esperar.

Nós não costumamos pensar no trabalho invisível que está por trás desses sapatos. Não pensamos nos seres humanos das cadeias de produção e fornecimento que entregam esses sapatos à nossa porta. Mas nestes tempos de pandemia, temos que pensar nessas pessoas e tentar determinar se devemos arriscar que elas entrem no trabalho e façam isso por nós. É um risco que queremos impor a elas? Trata-se de olhar para o trabalho humano e não para o produto do trabalho humano.

A segunda coisa sobre a frase “apoiar as nossas tropas”: Penso que precisamos redefinir as tropas por completo. Nossas/os trabalhadoras/es da saúde, nossas/os trabalhadoras/es da produção de alimentos, nossas/os trabalhadoras/es da limpeza, nossas/os trabalhadoras/es do lixo: estas são as nossas tropas! Estas são as pessoas que devemos apoiar. Não devemos pensar nas tropas como pessoas que tiram a vida. Temos que pensar nas tropas como pessoas que dão e sustentam a vida.

Jaffe: Há décadas lidamos com a recusa de mudar o capitalismo para combater as mudanças climáticas, e agora vemos como as coisas podem mudar rapidamente, com destilarias e até a Ford planejando mudar para fazer higienizadores de mãos ou respiradores. Que lições isso nos dá para a futura luta contra a catástrofe climática?

Bhattacharya: Nossa luta por infraestrutura é necessária, mas não suficiente. Temos que lutar por uma mudança de atitude em relação à organização social. Isso é muito mais difícil do que apenas lutar por conquistas social-democratas. Já sabemos que um aumento da temperatura global vai colocar em crise a nossa capacidade de produzir alimentos em nível global.

Se não for controlada, as temperaturas subirão tanto que, em lugares como o Sul da Ásia e África, a agricultura ao ar livre se tornará impossível durante boa parte do ano, e a pecuária morrerá. Hoje em Delhi, onde minha família vive, durante vastas partes do ano as escolas têm que permanecer fechadas porque está muito calor, e nos invernos elas permanecem fechadas por causa do smog.

A ameaça à produção de alimentos vai espiralar para o aumento do sexismo e possivelmente da violência para as mulheres em todo o mundo, porque são as mulheres ou pessoas identificadas como mulheres que são “responsáveis” por trazer alimentos para a mesa e, muitas vezes, por realmente produzirem esses alimentos. E já existe uma crise de água potável em todo o mundo que vai se agravar.

Em outras palavras, a menos que lidemos com as mudanças climáticas com o tipo de urgência que estamos lidando hoje com o coronavírus, então esta pandemia vai parecer um feriado em comparação com o que está por vir. O apocalipse climático não será temporário, e muitas/os não terão a opção de se abrigar no local.

Estamos vendo agora as medidas extraordinárias que os estados capitalistas podem tomar para lidar com uma crise. O governo britânico está cuidando de 80 por cento dos salários de muitos trabalhadores. O governo dos EUA está planejando enviar cheques para as famílias. Mas se esse tipo de medidas e essa ênfase no essencial forem retiradas assim que a crise passar, o apocalipse climático virá e não haverá como sair dele.

Após a crise da COVID-19, o capitalismo tentará voltar ao normal. Os combustíveis fósseis continuarão a ser utilizados. Nosso trabalho é não deixar o sistema esquecer.

Artigo originalmente publicado na Dissent Magazine. Tradução de Maíra Tavares Mendes

Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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