Nota pública do MES-RJ sobre a desistência de Marcelo Freixo
O Palácio da Cidade, no Rio de Janeiro

Nota pública do MES-RJ sobre a desistência de Marcelo Freixo

Sua desistência deixa vago um espaço político que era do PSOL, é necessário lutar para preservar essa conquista.

MES-RJ 21 Maio 2020, 14:30

Uma caracterização, ainda que breve, da política carioca e fluminense dos últimos anos é parte fundamental da reflexão que as instâncias do partido devem fazer diante da desistência da pré-candidatura de Marcelo Freixo. Foi na esteira dos governos petistas que Sérgio Cabral e Eduardo Paes tornaram-se, respectivamente, governador e prefeito, com o apoio entusiasmado de Lula e da frente partidária que ele liderava. O PT do Rio de Janeiro serviu, em muitos momentos, como moeda de troca para os acordos nacionais da cúpula petista. O maior exemplo disso foi a intervenção de 1998, com a cassação da candidatura de Vladimir Palmeira ao governo do estado para apoiar Garotinho com a petista Benedita da Silva de vice. Assim foi se consolidando a dinâmica do PT no Rio de Janeiro: primeiro a renúncia a um projeto independente e protagonista e, depois, a aliança com a máfia que governou o estado liderada por Cabral e Paes. Foi neste espaço deixado à esquerda que o PSOL e Marcelo Freixo cresceram. Somos fruto de um enorme esforço de milhares de militantes e muitos acertos, mas somos também produto de uma condição objetiva propícia.

Os anos de política fisiológica praticada pelos governos do Rio de Janeiro levaram o estado a uma situação de profunda degradação, ao empobrecimento geral da população e à piora nas suas condições de vida, ao aumento e incentivo da letalidade policial, especialmente de jovens negros e pobres em favelas. Levou ainda à ampliação do domínio de territórios por milícias, sobretudo na Zona Oeste da capital e municípios da Baixada Fluminense. Foi a partir disso que Bolsonaro e seus filhos foram catapultados à política nacional.

Paralelamente a tudo isso, o PSOL se tornou a mais importante expressão das lutas sociais na cidade e no estado. Em troca com movimentos sindicais, sociais e populares, e tendo Marcelo Freixo como sua principal expressão eleitoral e líder político, o partido esteve sucessivamente no segundo turno das eleições da capital e consolidou grandes e qualificadas bancadas de vereadores e deputados. Freixo, como líder democrático, foi a figura que ajudou o PSOL-RJ a se tornar o principal partido de oposição no Rio de Janeiro. Um instrumento com influência de massas. Sua desistência em disputar a prefeitura deixa vago um espaço político que era do PSOL e que também foi conquistado pelo esforço de milhares de militantes e ativistas. É necessário lutar para preservar essa conquista.

Diante da retirada de sua pré-candidatura, o MES/RJ considera que Marcelo Freixo deve dizer ao partido claramente o que pensa. É muito importante que ele apresente uma proposta de encaminhamento, sob o holofote do que ele próprio colocou: “retirada para buscar a unidade”. Nesse sentido, é fundamental que ele diga que candidato apoia e que o partido, de conjunto, entenda o conteúdo dessa posição. Como principal figura pública do partido, Freixo deve apresentar uma proposta objetiva e apontar os caminhos que, no seu entendimento, o PSOL Carioca deveria trilhar neste exato momento. A partir desse ponto, com todas as posições sobre a mesa, num debate franco e honesto, acreditamos que o partido terá melhores condições de definir uma resolução à altura da situação que nos foi colocada.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.