Novo clipe do Dead Fish é um chamado à luta e à esperança

A banda capixaba Dead Fish lançou seu novo clipe no ápice da crise política.

Israel Dutra 4 maio 2020, 20:31

A banda capixaba Dead Fish lançou seu novo clipe no ápice da crise política. Enquanto Bolsonaro abusa da política de morte, Dead Fish inova em forma e conteúdo, mantendo-se na vanguarda da crítica social. Num período de baixas, em que grandes músicos, poetas e intelectuais nos deixam por conta da Covid-19, uma boa nova merece ser celebrada.

O clipe já é sucesso, com milhares de visualizações no Youtube.  A canção “Não termina assim” soa profética. O clipe é uma animação com colagens de imagens do que se tornou o Brasil em 2020, como diz a letra “a distopia que era mito”, ironizando as cenas de Bolsonaro, amplificando a denúncia de seu autoritarismo.

“Não termina assim” é uma das faixas melhor avaliadas do último álbum do grupo de hardcore, “Ponto Cego”, lançado em 2019, já no cenário do governo da extrema-direita. As faixas são verdadeiros manifestos de coragem contra o conformismo, como “Sangue nas mãos”, música de trabalho do disco: “Os gritos que ecoam das janelas/O lado certo da história/Não tem sangue nas mãos”.

O cenário alternativo ficou agitado durante o ano de 2019, com o cancelamento do show da histórica banda de punk rock californiana Dead Kennedys, após a polêmica do cartaz de divulgação alusivo ao bolsonarismo, com a representação de palhaços agressivos como “apoiadores médios” do presidente. No começo de 2020, vários festivais de punk rock foram cancelados e/ou perseguidos por seguirem na linha crítica ao governo e seus atores. Nesse quadro, o clipe de “Não Termina assim” ganha destaque, mesmo em tempos de quarentena, quando a cena cultural está paralisada.

Dead Fish é a grande referência do hardcore nacional. Na ativa desde 1991, banda tem álbuns marcantes, como “Sonho Médio” e “Afasia”, defendendo sempre os movimentos sociais do campo e da cidade, a ideia da luta de classes, com amplitude e radicalidade.  A banda nunca se furtou das críticas aos governos de corte social-liberal, responsáveis por cooptar movimentos sociais e desarticular as lutas e bandeiras populares.

Mais do que nunca, a combinação entre o espírito contestador do cenário alternativo brasileiro, com uma presença muito expressiva da “cena capixaba”, e a necessária resistência contra o neofascismo da ala dura do bolsonarismo, indica um caminho. Pegamos carona na palavra-de-ordem feita em verso do Dead Fish, “Não termina assim”. O Brasil tem em amplos setores democráticos uma reserva de elementos políticos antifascistas. Quando Bolsonaro e sua trupe nos ameaçam com uma política genocida, com seus estúpidos apoiadores agredindo jornalistas e transmitindo o vírus da morte, afirmamos em alto em bom som, na melhor tradição do punk rock nacional: “Estamos prontos para lutar”.

Assista ao clipe aqui.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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