Regina Duarte e a arte e cultura do terror
Reprodução

Regina Duarte e a arte e cultura do terror

Comportamento revela descompasso entre o governo Bolsonaro e os padrões éticos e morais no trato com a coisa pública.

Leandro Santos Dias 9 maio 2020, 15:34

A secretária de Cultura participou nesse dia 07 de maio de uma entrevista ao vivo para a televisão CNN Brasil.

Nessa entrevista toda sua cultura o que para muitos é uma tremenda falta de cultura veio à tona. A entrevista foi tranquila até quando Regina passou a ser questionada sobre as políticas para o setor da cultura no que se refere ao enfrentamento do COVID19 e seus desdobramentos, pois do sul ao norte, de leste a oeste do país tem pessoas que viviam da cultura, tocando, desenhando, interpretando e hoje não podem continuar.

A entrevista começou a descambar quando Regina cantou o hino que simboliza a ditadura militar “De repente é aquela corrente para frente”, com todos os dentes a mostra e uma alegria absolutamente incompatível com o momento do país a secretária de cultura bradou: Não era bom quanto todos nos cantávamos essa música.

O entrevistador logo questionou, mas secretária morreram pessoas, tantas foram torturadas e a resposta de Regina pode ser um e daí, agora na versão “cultural”.

Assim ela bradou:

“Cara na humanidade sempre pessoas morreram, ao lado da vida sempre vai estar a morte”, ou seja, podemos constatar que realmente morte para esse governo é uma questão menos importante, quantas famílias não tiveram entes que saíram para comprar pão e nunca mais voltaram durante 64 a 85, tantas outras que simplesmente perderam contato e ou até hoje buscam notícias das mortes durante a ditadura.

Não secretária, isso não tem a menor graça, realmente a morte está ao lado da vida, mas a vida continua sendo um direito humano universal e não é a senhora ou esse governo de milicianos que determinam quando ela acaba.

Esse comportamento revela um claro descompasso entre o governo Bolsonaro e os mínimos padrões éticos e morais no trato com a coisa pública, seja no campo da cultura e ou outro qualquer, o Brasil foi tomado de assalto e essa gente “alegre e leve” acham que o Brasil é deles.

Mas o mais impressionante foi quando a secretária recorreu as suas anotações para poder responder o que secretaria de cultura vem fazendo para ajudar o setor a enfrentar essa grave crise, demonstrando claro despreparo e falta de afinidade, falou poucas questões cujo ponto alto era o auxílio emergencial que como todos sabem pelo governo Bolsonaro seria de R$ 200, 00 (duzentos reais) e a oposição via Samia, Fernanda, David e outros conseguiram aprovar um aumento para R$ 600,00 (seiscentos reas).

Resumo da ópera é afora a alegria e leveza da rainha da ditadura a secretaria de cultura não tem nada a apresentar ao setor, pelo contrário é o PUM do palhaço que precisa ter criatividade e dar um jeito.

Mas como se esse teatro de horrores não pudesse se superar o pior ainda veio, a CNN tinha um vídeo com a atriz Maitê Proença colega de Regina e que resumidamente cobra as medidas para o setor, a secretaria não se conteve e demonstrou o vocabulário herdado da casa grande.

Interpelou a âncora da CNN aos berros: Isso não estava combinado, porquê desenterrar esse vídeo de dois meses atrás? Quem você pensa que é?
Esse quem você pensa que é não se vê apenas nas novelas do século passado, ele sempre está ali quando o pessoal da casa grande é questionado.
Essa é a cultura que Dona Regina foi criada e quer fazer valer no nosso país, tendo o despreparo, a falta de criatividade, a meritocracia dos de cima e a cultura dos inquestionáveis como primado.

Mas termino com Chico Buarque dedicado a você Regina.

“Apesar de você amanhã há de ser outro dia”.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Publicamos a décima sétima edição da Revista Movimento ainda sob o impacto da pandemia da Covid-19. Em todo o mundo, as contradições acumulam-se. Este volume está dedicado à análise de várias dimensões desta verdadeira crise global e de seus desdobramentos. Com destaque, tratamos da mobilização antirracista nos Estados Unidos e no mundo, iniciada após o assassinato de George Floyd, e da situação brasileira, discutindo a crise do governo Bolsonaro e as recentes manifestações dos trabalhadores por aplicativos.