Ser humano e não ser humano
Vista da cúpula da sede do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas no Palácio das Nações, em Genebra - Reprodução

Ser humano e não ser humano

O mundo hoje caminha com duas bandeiras a mão, humanismo e solidariedade.

Leandro Santos Dias 5 maio 2020, 17:35

A diferença é gritante no tratamento do problema do coronavírus no Brasil. Vou pegar apenas o Estado de SP como exemplo.

Estou nesse momento acompanhando coletiva de imprensa e quero destacar alguns pontos.

Primeiro somos oposição de esquerda a Dória e sabemos bem o que representa seu governo, nossos militantes todos quase em SP já apanharam e muito da sua terrível PM.

Mas é preciso destacar. O mundo hoje caminha com duas bandeiras a mão, humanismo e solidariedade.

A coletiva de SP se destaca pelo tom de VOZ, todos com voz serena, com saber profundo do que estão falando, pois são os sentimentos das pessoas que estão em jogo, tem quem já perdeu seus entes queridos, tem quem esteja com parente na UTI, quem tenha parente em grupo risco. Então o secretário de saúde de SP transmite isso no tom de voz, calma, serenidade e demonstrando profundo respeito.

A qualidade da coletiva nem se compara, são especialistas, infectologista, intensivistas, pessoas que sabem minimamente do que estão falando, falam os dados, percorrem por perguntas como colapso do sistema, como encarar a dor das pessoas, enfim nenhuma pergunta é tabu.

Do outro lado temos Bolsonaro que a despeito de outras lideranças mundiais, como Ângela Merkel, o presidente jamais se arrisca a entrar a vero no tema pois o pouco que fala podemos destacar que não faz a menor ideia, um resfriadinho como diz o presidente.

Mas o que precisamos destacar é justamente o humanismo, não se vê respeito no trato da questão gravíssima no presidente, as mortes podem estar em 10 ou 8 mil, o desdém é a marca registrada: E daí?

Exigir tom de voz respeitoso é pedir muito a um boçal que passou 30 anos dormindo no parlamento, não tem nada de relevante no seu trabalho como deputado nos sete mandatos a não defender torturadores, se sua aposentadoria como deputado de R$ 27 mil reais fosse proporcional ao seu trabalho é possível que nem R$ 2 mil merecesse.

Aliás é sempre bom lembrar que Bolsonaro saiu do exército com 33 anos aposentado com a bagatela de R$ 10 mil reais. Portanto estamos falando de 10 mil, 27 mil como deputado e mais R$ 30 mil como presidente, uma pequena importância de R$ 67 mil reais Bolsonaro custa a todos nós por mês.

O tom de voz é o mesmo desde o começo gritaria, palavrões contra imprensa, fakenews, deboche e mais deboche, Bolsonaro só pensa naquilo, ou seja, nas eleições de 2022 e com isso leva o brasil ao abismo.

Mas com todos os nossos problemas é preciso destacar que existem reservas de solidariedade e humanismo no país, tem os que se levantam todos os dias e estão na linha de frente, como médicas, enfermeiras e técnicas, ativistas que levantam campanhas de solidariedade para enfrentar a terrível desigualdade que nos assola, sindicalistas mesmo pondo a vida em risco lutando para que os EPIs cheguem no hospital.

Temos que avisar ao mundo que aqui tem pessoas que amam e respeitam pessoas que não pensam apenas nos seus próprios umbigos, o Brasil e os brasileiros e brasileiras são muito mais que uma seita fanática que aplaude tudo e negligencia o óbvio, nosso presidente é um miliciano, terrivelmente egoísta, individualista e com problemas sérios com a justiça.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.