O cerco está fechando-se
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O cerco está fechando-se

Mais do que nunca: fora, Bolsonaro e seu governo de militares!

Israel Dutra e Thiago Aguiar 18 jun 2020, 20:05

Quando terminávamos o editorial da semana, a notícia da prisão do operador político da família Bolsonaro, Fabrício Queiroz, ganhava as principais manchetes da imprensa nacional. A detenção de Queiroz acirra ainda mais a luta política, deixando Bolsonaro na defensiva e aumentando a tensão, num grave momento da pandemia.

Chegaremos ao final dessa semana com a triste marca de um milhão de casos de Covid-19. Segundo as estatísticas oficiais, já são 50 mil vidas a menos no país. Tudo isso com uma brutal subnotificação. O Brasil está no epicentro da epidemia. O crescimento do contágio do novo coronavírus em toda a América Latina apenas acirra o naufrágio econômico do capitalismo neoliberal. A incerteza sobre o futuro, com todas as dúvidas sobre a efetividade de uma vacina e a hipótese concreta de uma segunda onda de contaminação, derrubou as bolsas do planeta.

O negacionismo do governo, mesmo que na defensiva, chegou ao ápice com a orientação em rede nacional por parte de Jair Bolsonaro para que seus apoiadores invadissem hospitais públicos, com a finalidade de provar que a Covid-19 está sendo superestimada pela imprensa “opositora”. Uma afronta em toda linha.

No âmbito político, o levante da juventude negra e popular nos Estados Unidos é o coração da luta. No Brasil, tanto a retomada das ruas no dia 7 de junho, por parte da oposição combativa e dos movimentos sociais, quanto a movimentação do STF, deixaram o bolsonarismo e o governo na defensiva. A ação contundente contra as fake news debilitou o bolsonarismo nas redes, desmoralizando importantes personagens como Sara Winter, que está presa, no mesmo momento em que Abraham Weintraub é demitido do comando do Ministério da Educação.

A prisão de Fabricio Queiroz

É importante registrar que no centro da crise do governo – que levou à demissão de Moro e ficou evidenciada na fatídica reunião ministerial gravada de 22 de abril – estava justamente a investigação sobre os filhos de Bolsonaro no Rio de Janeiro. A prisão de Fabrício Queiroz mostrou que a pressão presidencial por uma enquadramento “político” da Polícia Federal, por meio da troca de chefias no órgão, resultou inócua.

Queiroz foi preso em Atibaia (SP), num imóvel de propriedade do advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef, que chegou a mentir em entrevista afirmando que não conhecia Queiroz e nem seu paradeiro. A operação que capturou o operador da família Bolsonaro foi comandada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro e a Justiça também pediu a prisão da esposa de Queiroz, também ex-assessora, como a filha, em gabinetes da família Bolsonaro. A relação, portanto, da família presidencial com Queiroz era profunda e os desdobramentos da investigação são explosivos para Bolsonaro. Não por acaso, nos últimos dias, multiplicam-se suas declarações dizendo que “está chegando a hora” em mais ameaças golpistas.

Crise nas ruas e nas redes: fora, Bolsonaro e seu governo militar!

A ação do movimento antifascista – convocado pelas torcidas organizadas e pelo ativismo da negritude inspirado na rebelião estadunidense, primeiro no dia 31 de maio e consolidada no ato nacional de 7 de junho – tirou o protagonismo da extrema-direita nas ruas e desequilibrou a balança para o lado da esquerda, da oposição combativa e dos movimentos sociais.

Nas redes, por sua vez, Bolsonaro também tem acumulado reveses, com o avanço das investigações sobre as fake news, os pedidos de quebra de sigilo de parlamentares bolsonaristas e a pressão sobre os financiamento do dispositivo bolsonarista na internet, por meio das investigações no STF e da ação nas redes de ativistas, como o Sleep Giants, que têm denunciado publicidade de empresas em páginas disseminadoras de fake news e de ataques às liberdades democráticas.

Ao mesmo tempo, as Forças Armadas enfrentam o desgaste de sua vinculação ao governo Bolsonaro, tendo que se expor no comando do Ministério da Saúde durante a pandemia, vinculando-se às orientações negacionistas e às declarações golpistas da presidência. Há um mal-estar que deve aprofundar-se com as críticas que se levantam, de nomes como Santos Cruz, e com os levantamentos de opinião mostrando uma importante perda de prestígio das Forças Armadas.

O governo está sem rumo. A oposição precisa reforçar a luta para derrubar o governo em todos os terrenos e exigir novas eleições. A permanência de Bolsonaro significa a condenação à morte de mais milhares de brasileiros, diante do caos estimulado pela presidência no enfrentamento à pandemia da Covid-19.

Ao mesmo tempo, as seguidas ameaças às liberdades democráticas mostram que Bolsonaro deseja e prepara um golpe de Estado, para o qual pretende arrastar os militares, como mostrou sua carta defendendo uma intervenção contra os outros Poderes caso haja “ordens absurdas” ou “julgamentos políticos”, assinada por Mourão e por Fernando Azevedo, ministro da Defesa.

É necessário lutar para derrubar Bolsonaro, na defensiva e acuado, associando tal batalha a questões concretas como a defesa de um plano emergencial para a pandemia, que passe por ampliar os testes, garantir isolamento social e, sobretudo, a defesa da ampliação da renda básica, coisa que o governo já indica que não quer fazer. O calendário de lutas prevê ações em várias cidades, como em Porto Alegre no dia 21, além do apoio aos processos de luta em curso, como a convocatória da greve nacional dos entregadores de aplicativo do dia 1º de julho.

Mais do que nunca: fora, Bolsonaro e seu governo de militares!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Na 16ª edição, estão disponíveis dois dossiês. No primeiro, sobre o ecossocialismo, podem-se se encontrar as recentes teses de Michael Löwy, além de uma entrevista com o sociólogo e dirigente da IV Internacional. Também publicamos uma entrevista com Zé Rainha, dirigente da FNL, sobre sua trajetória de luta e os desafios dos socialistas no Brasil; uma entrevista com Antônia Cariongo, dirigente quilombola e do PSOL-MA; e artigos de Luiz Fernando Santos, sobre a lógica marxista e a Amazônia, e de Marcela Durante, do Setorial Ecossocialista do PSOL. O segundo dossiê traz algumas análises iniciais sobre a pandemia de coronavírus. Há artigos de Mike Davis e Daniel Tanuro; documentos do MES e do Bureau da IV Internacional; além de uma densa análise de nossas companheiras Evelin Minowa, Joyce Martins, Luana Alves, Natália Peccin Gonçalves, Natalia Pennachioni e Vanessa Couto e de um artigo do camarada Bruno Magalhães. A seção de depoimentos traz um instigante artigo de Pedro Fuentes sobre a história de seu irmão Luis Pujals, o primeiro desaparecido político da história da Argentina. Já a seção internacional traz uma análise do sociólogo William I. Robinson sobre a situação latino-americana.