25 de Julho: Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

25 de Julho: Dia da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha

Cada luta diária representa a resistência de vida que significa a conquista de uma mulher preta.

Vanderlea Aguiar 25 jul 2020, 15:09

A população negra corresponde a mais da metade dos brasileiros: 54%, segundo o IBGE. Na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes, de acordo com a Associação Mujeres Afro. Tanto no Brasil quanto fora dele, porém, essa população também é a que mais sofre com a pobreza: por aqui, entre os mais pobres, três em cada quatro são pessoas negras, segundo o IBGE.

A população negra corresponde a mais da metade dos brasileiros: 54%, segundo o IBGE. Na América Latina e no Caribe, 200 milhões de pessoas se identificam como afrodescendentes, de acordo com a Associação Mujeres Afro. Tanto no Brasil quanto fora dele, porém, essa população também é a que mais sofre com a pobreza: por aqui, entre os mais pobres, três em cada quatro são pessoas negras, segundo o IBGE.


Há 25 anos, um grupo decidiu que uma solução só poderia surgir da própria união entre mulheres negras. Em 1992, elas organizaram o primeiro Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas, em Santo Domingos, na República Dominicana, em que discutiram sobre machismo, racismo e formas de combatê-los. Daí surgiu uma rede de mulheres que permanece unida até hoje. Do encontro, nasceu também o Dia da Mulher Negra Latina e Caribenha, lembrado todo 25 de julho, data que foi reconhecida pela ONU ainda em 1992.

Aqui no Brasil também é o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra.

Tereza de Benguela foi uma líder quilombola, viveu durante o século 18.
Tereza se tornou a rainha do quilombo após a morte do companheiro, a comunidade negra e indígena resistiu à escravidão por duas décadas sob seu comando sobrevivendo até 1770, quando o quilombo foi destruído pelas forças de Luiz Pinto de Souza Coutinho e sua população morta ou aprisionada. (79 negros e 30 índios).

Todos os anos acontece a Marcha das Mulheres Negras no Brasil, desde 18 de Novembro de 2015 onde a primeira Marcha levou a Brasília mais de 50 mil mulheres de todos os cantos do Brasil. A marcha é ao mesmo tempo uma forma de expressar o orgulho de ser mulher negra, mas também de denunciar todas as mazelas que sofremos pelo mesmo motivo.

Nos últimos anos a marcha tem levado mulheres de todos os territórios do país às ruas num belo espetáculo do levante das Mulheres negras, este ano devido a pandemia não estaremos nas ruas, mas estaremos em Marcha virtualmente organizadas pelo Fórum Estadual de Mulheres Negras e em diversas atividades mostrando nossa força frentes aos ataques que o sistema capitalista tenta nos impor. Somos a resistência da luta contra os governos e retirada de direitos que tenta nos impor um política de morte através da retirada das vidas dos nossos filhos e do encarceramento da nossa juventude.

Dados levantados pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública apontam que houve um aumento de 22% nos registros de casos de feminicídio no Brasil durante a pandemia do novo coronavírus. As mulheres negras mais uma vez são as maiores vítimas, como se não bastasse o machismo ainda temos que lidar com o racismo que nos coloca ainda mais vulneráveis, o isolamento social acentua a convivência que em tempos normais muitas vezes é aliviada ao não ter que conviver tanto tempo confinadas com seus agressores dentro de casa.

Ser e se reconhecer enquanto mulher negra é mais que um reconhecimento, é um ato de coragem! Até isso nos é negado pelo racismo estrutural no Brasil. Não somos educadas para ter orgulho do nosso pertencimento e nossa negritude, para uma sociedade racista ser preta ou negra é “ruim”, é mais bonito ser “morena” e com isso tirado todo o direito à nossa ancestralidade, beleza,religiosidade, nossa verdadeira história não é contada. A única herança que tivemos foi a da escravatura, fomos arrancadas da nossa vida e só restou a dor e a humilhação, criadas para sermos fortes, o que sobrou foi o quarto de empregada. Muitas mulheres negras não sabem e demoram a entender o motivo de tudo ser muito mais difícil de alcançar, sem nenhuma política pública de reparação pós “libertação”, enquanto o Estado diz que não conseguimos porque não nos esforçamos o suficiente, a sociedade diz que somos guerreiras quando conseguimos sobreviver e criar nossos filhos para mais uma vez servir ao Estado.

Vivemos um momento de pandemia do novo corona vírus, onde no Estado do Rio de Janeiro a primeira pessoa a morrer foi uma empregada doméstica pela negligencia dos patrões que voltaram da Europa infectados. Outra situação foi o da Mirtes, empregada doméstica que não teve o direito de estar em isolamento social, foi obrigada a levar seu filho Miguel para trabalhar, teve que levar o cachorro da “madame” para passear e deixar o menino de 05 anos no apartamento aos cuidados da patroa, que por total negligência deixou a criança no elevador, Miguel morreu ao cair do nono andar do prédio.

Vivemos um governo negligente às orientações da OMS omitindo-se à gravidade da pandemia, insistindo na reabertura da economia colocando o lucro acima da vida, mesmo com o número de mortes acima de mil por dia. Forçando a reabertura das escolas e creches sem nenhuma política de segurança às crianças e às profissionais da educação, onde a maioria no caso das creches também é formada por mulheres negras!

Por isso, levantar o tom das das lutas pelo Fora Bolsonaro, Witzel e Crivela é fundamental pois estes governos continuam com sua política racista e genocida!

Sabemos quem está do nosso lado e quem é comprometido com a causa das Mulheres Negras! Por isso, fortalecer esta luta é oxigenar a construção de uma esquerda comprometida com pautas daquelas que estão na base da sociedade capitalista que seguram nas costas estruturas que seguram esse sistema.

Com tudo isso não desistimos de lutar por igualdade de direitos e hoje alcançamos espaços com a nossa resistência, somos a utopia de nossas ancestrais, educadoras popular, profissionais da saúde, pedagogas, doutoras, professoras, mestras, políticas. E cada luta diária representa a resistência de vida que significa a conquista de uma mulher Preta!

Nada nos foi dado, tudo foi conquistado, temos orgulho da nossa história!
Ainda há muita coisa a se fazer e conquistar, continuamos lutando por liberdade, ousaremos e venceremos!

Orgulho das lutas e resistências das mulheres negras!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
Publicamos a décima sétima edição da Revista Movimento ainda sob o impacto da pandemia da Covid-19. Em todo o mundo, as contradições acumulam-se. Este volume está dedicado à análise de várias dimensões desta verdadeira crise global e de seus desdobramentos. Com destaque, tratamos da mobilização antirracista nos Estados Unidos e no mundo, iniciada após o assassinato de George Floyd, e da situação brasileira, discutindo a crise do governo Bolsonaro e as recentes manifestações dos trabalhadores por aplicativos.