Sobre a política de alianças do PSOL Carioca

O diretório municipal decidiu pela candidatura de Renata Souza à prefeitura do Rio de Janeiro, com o nosso apoio.

Camila Souza e Honório Oliveira 14 jul 2020, 20:11

O diretório municipal do PSOL-RJ decidiu nesta segunda-feira (13) pela candidatura de Renata Souza à prefeitura do Rio de Janeiro, com o nosso apoio. Dentre os debates feitos na instância, estava o de política de alianças do PSOL Carioca.

Durante o período que antecedeu a pandemia, fizemos a leitura de que, com Marcelo Freixo como candidato, estava aberta uma hipótese de uma unidade eleitoral mais ampla, com partidos de esquerda reformista e centro esquerda, numa estratégia de luta democrática contra as milícias e o neofascismo e, assim, de enfraquecimento do Bolsonarismo no terreno eleitoral. A candidatura de Freixo garantia a força predominante do PSOL nesta frente.

Embora suas propostas no terreno programático não estivessem indo além de uma linha democrática, sem afirmação de uma estratégia anticapitalista, componente político fundamental, sua candidatura permitia a coerência da luta democrática, cuja consistência, tão bem sabemos, não pode ser garantida de modo consequente por outras forças políticas que no Rio compuseram os governos do PMDB. Com Freixo a ampliação das alianças tinha um eixo democrático e uma hegemonia clara.

No entanto, com a desistência de Freixo, isso deixou de ser possível. E a defesa de uma aliança ampla deixou de ser real porque, por melhor que seja o nome do PSOL, não temos força para hegemonizar uma unidade de ação eleitoral democrática. Tampouco vemos sentido em dar apoio a que outra força hegemonize tal estratégia, não enxergamos a possibilidade de condução consequente da pauta democrática por outro partido na eleição carioca.

Assim, diante dessas circunstâncias, o melhor que o PSOL pode fazer nesse momento é afirmar de modo claro seu perfil e seu espaço, defender seu programa, explicitar seu sentido de existência. Se impôs, portanto, a necessidade mais urgente da afirmação do PSOL como partido independente e real alternativa conectada com as mobilizações sociais do povo.

Nossa posição na votação de ontem no diretório não levou em conta essa atualização. Por isso, reavaliamos e consideramos ser necessária uma correção. Apontamos que, a partir do novo quadro, devemos afirmar o PSOL com sua candidatura própria. Esse é o eixo de nossa intervenção. Postular o PSOL com um programa independente, levando em conta a hipótese mais realista e correta neste momento, a de candidatura própria sem ampliação do arco de alianças.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

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Esta é a vigésima primeira edição da Revista Movimento, dedicada aos debates em curso do VII Congresso Nacional do PSOL. Nela encontram-se artigos de análise, polêmica e discussão programática para subsidiar os debates de nossos camaradas em todo o país e contribuir com a batalha pela pré-candidatura de nosso companheiro Glauber Braga à presidência da República pelo PSOL. A edição também conta com análises de importantes questões internacionais contemporâneas e de outros temas de interesse, como os desafios da luta pelo “Fora, Bolsonaro” e as crises hídrica e elétrica no Brasil. Num ano de 2021 ainda marcado pela tragédia da pandemia da Covid-19 e pelo descaso criminoso de governos em todo o mundo, lamentamos a perda de nosso grande camarada Tito Prado (1949-2021), militante internacionalista e dirigente de Nuevo Perú. A ele dedicamos esta edição de nossa revista e, em sua homenagem, publicamos artigos em sua memória. Boa leitura!