Apresentação da Revista Movimento n. 17

Apresentação da Revista Movimento n. 17

Número contém artigos, entrevistas e documentos que buscam encontrar caminho de análise e de intervenção para os socialistas.

Thiago Aguiar 1 ago 2020, 13:12

Publicamos a décima sétima edição da Revista Movimento ainda sob o impacto da pandemia da Covid-19. Em todo o mundo, as contradições acumulam-se. Este volume está dedicado à análise de várias dimensões desta verdadeira crise global e de seus desdobramentos. Com destaque, tratamos da mobilização antirracista nos Estados Unidos e no mundo, iniciada após o assassinato de George Floyd, e da situação brasileira, discutindo a crise do governo Bolsonaro e as recentes manifestações dos trabalhadores por aplicativos.

Reunimos, nas páginas a seguir, um conjunto de artigos, entrevistas e documentos que buscam encontrar um caminho de análise e de intervenção para os socialistas. Inaugurando a edição, Roberto Robaina trata da necessidade de enfrentar a extrema-direita e o pensamento nazista, partindo de uma análise do governo Trump e dos protestos estadunidenses. Na sequência, Tiago Madeira assina um instigante artigo a respeito dos desdobramentos da crise global por meio da análise da digitalização da economia, da vida social e de suas consequências políticas. Luana Alves, por sua vez, propõe uma reflexão a respeito das lutas antirracistas nos Estados Unidos e no Brasil, a propósito das manifestações recentes em todo o mundo.

Ainda na primeira seção do volume, Frederico Henriques e Giovanna Marcelino assinam artigo de fôlego sobre a situação brasileira e as tarefas da esquerda socialista em nosso país, dedicando atenção à organização dos subalternos e ao papel do PSOL. Nathalie Drumond e Giovanna Marcelino, além disso, analisam os efeitos da pandemia da Covid-19 e a crise em curso com um olhar feminista.

Na seção de entrevistas, publicamos dois materiais fundamentais para compreender as lutas em curso: Bruno Magalhães entrevistou Keon Liberato, dirigente do Democratic Socialists of America, a respeito da mobilização antirracista nos EUA, e Giulia Tadini entrevistou Alessandro Sorriso, um dos dirigentes, no Distrito Federal, do “Breque dos Apps”, a recente e importante paralisação dos trabalhadores por aplicativos.

Dando sequência à série de depoimentos de Pedro Fuentes sobre sua rica trajetória de militância revolucionária, publicamos artigo em que nosso camarada relembra o “entusiasmo” das décadas de 1960 e 1970, quando uma importante geração de militantes formou-se em processos de luta pré-revolucionários e revolucionários que chacoalharam o mundo.

Na seção de teoria, relembramos Immanuel Wallerstein, publicando um artigo de 2010 em que o sociólogo analisa as crises estruturais do capitalismo. Na sequência, aparece traduzido artigo de Michel Husson que analisa as tendências das crises sanitária e econômica atuais. Também publicamos resenha do economista marxista Michael Roberts de livro recente de Éric Toussaint, no qual o dirigente da IV Internacional critica obra de Yanis Varoufakis, ex-ministro da Economia grego, sobre as negociações entre governo grego e a Troika em 2015.

Temos a alegria de encerrar a seção de teoria oferecendo a nossa militância dois artigos de CLR James, historiador negro e dirigente trotskista na Grã-Bretanha durante os anos 1930. Nascido em Trinidad e Tobago, seus escritos (principalmente o livro Jacobinos Negros, de 1938, sobre a Revolução Haitiana) influenciaram os movimentos independentistas caribenhos e africanos do pós-guerra.

Por fim, esta edição conclui-se com a publicação de dois documentos recentes do Movimento Esquerda Socialista que tratam, no calor dos acontecimentos, dos desdobramentos da crise em nosso país e no mundo.

Boa leitura!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.