Lutar contra a transfobia é vital na luta anticapitalista

Lutar contra a transfobia é vital na luta anticapitalista

É a “família tradicional” que destrói a população LGBTIQA+.

Joanne Oliveira 4 ago 2020, 18:26

Não somos nós, pessoas LGBTIQA+, que estamos destruindo a “família tradicional brasileira”. É a “família tradicional” que destrói a gente! Só que as nossas vidas não importam. Somos invisíveis!

É carnificina minimizar essa exclusão estrutural no país que mais mata pessoas LGBTIQA+ há mais de uma década e onde a expectativa de vida das pessoas trans é de 35 anos!

E aos que dizem que a pauta identitária não é importante e distrai a luta anticapitalista, é importante entender que a base do capitalismo e do patriarcado é justamente essa “família tradicional” meus amores! Eu lembro vocês do vídeo icônico da Amanda Palha falando sobre o nosso lugar dentro dessa família… Fora dela!

Nossas existências questionam o princípio básico do capitalismo: a criação de mão de obra explorável. Não há nada mais anticapitalista do que ser um corpo dissidente de gênero! Lutar pelas nossas vidas, nossos afetos, direitos, qualidade de vida, dignidade e tudo mais que nos é tirado, é fundamental para realmente mudarmos essa realidade absurda que vivemos.
É triste isso parecer utópico. Muitas vidas esquecidas ainda serão interrompidas. É desolador!

É fundamental se posicionar contra a transfobia, e digo isso para população cisgenera principalmente. Para a gente que é dissidente não tem outra opção, todo dia é uma luta!

Esse dia dos pais vai ser o mais especial para mim! Vou celebrar todos os pais trans e as famílias que desafiam de alguma forma esse modelo colonizador que nos expulsa, mutila e explora. Nossas vidas importam!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.