Dia Nacional da Consciência Negra! Quantos mais terão que morrer para o racismo acabar?
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Dia Nacional da Consciência Negra! Quantos mais terão que morrer para o racismo acabar?

Feriado de 20 de novembro dia nacional da consciência negra, uma homenagem ao grande Zumbi dos Palmares, uma homenagem a nossa resistência, aos nossos quilombos do passado e os do presente.

Danilo Serafim 20 nov 2020, 14:10

Feriado de 20 de novembro dia nacional da consciência negra, uma homenagem ao grande Zumbi dos Palmares, uma homenagem a nossa resistência, aos nossos quilombos do passado e os do presente.

 Acordo um pouco mais tarde. Ainda meio sonolento, ouço barulho estridente de ferro se arrastando no paralelepípedo da minha rua.  Chego na janela e vejo dois homens empurrando carrinhos de ferro de entrega de supermercado. Dois homens negros. Um paradoxo!

Valença no Estado do Rio de Janeiro, na região do Vale do Paraíba, cidade que em 13 de maio de 1888 habitavam cerca de 25 mil escravos africanos  quando o Parlamento aprovou a lei da “abolição total”, a chamada Lei Áurea. Uma pequena África! Gente  que produziam as riquezas dos barões do café e eregiam os casarios monumentais das fazendas sob os açoites  dos senhores de escravos.  

A escravidão chegara ao fim, mas o Brasil não eliminara as extremas desigualdades originadas por ela.  A persistência do racismo, do preconceito e da discriminação racial perduram até hoje e é banalizada. Frases pejorativas do tipo: “preto quando não caga na entrada caga na saída” continuam no vocabulário corriqueiro, pelos cantos ou abertamente.

Abertamente, como disse Jair Bolsonaro, se referindo aos quilombolas, discursando para sua base de apoio: “Esses devem pesar mais de 20 arrobas. Não querem saber de trabalhar.”  Argumentando com a raiva e a mentira, o discurso do ódio é semelhante a um vírus, se espalha no corpo social e alimenta os piores sentimentos como o racismo e o preconceito racial. 

Trezentos e vinte e cinco anos após a morte de Zumbi dos Palmares, ligo o computador e vejo de cara a notícia: “ homem negro morre após ser espancado por seguranças do Carrefour em Porto Alegre”. Esse homem negro possui nome e sobrenome e tem família e é um trabalhador João Alberto Silveira Freitas, de 40 anos, após espancamento por dois seguranças de uma loja do supermercado citado, é asfixiado, morreu  enfartado. 

  No dia Nacional da Consciência Negra, nos deparamos com essa  brutalidade. O preconceito racial  é um esteriótipo.  Pois se fosse uma pessoa branca certamente essa crime violento,  essa tragédia não teria ocorrido.  

Quantos Amarildos, quantas Marielles, quantos João Albertos… quantos mais terão que morrer para o racismo acabar?  Basta!

Um acinte! Porto Alegre uma cidade que acaba de eleger vereadores e vereadoras negros(as) Matheus Gomes e Karen Santos do PSOL com votações expressivas. Que concorreu um candidato a vice prefeito negro Márcio Gomes na chapa juntamente com Fernanda Melchionna pelo PSOL.

Revolta e perplexidade é o que sinto nesse momento.  Não tem outro jeito. Sem justiça não há paz! O racismo  tem que ser combatido e derrotado nas ruas! 

Não iremos nos calar!


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.