Continuando o debate com a Resistência
Annelize Tozetto

Continuando o debate com a Resistência

Defendemos qualquer tática para a derrota da extrema-direita ao mesmo tempo em que defendemos total independência de classe na construção de uma alternativa política. Os camaradas da Resistência fazem o contrário, recusam táticas momentâneas contra a extrema-direita ao mesmo tempo priorizam o PT como aliado imprescindível na construção de uma alternativa. Por quê?

Bruno Magalhães 30 jan 2021, 16:11

Este texto é a continuação do debate realizado entre militantes do MES e Resistência (tendências internas do PSOL) a partir de texto do companheiro Valério Arcary (da Resistência), da resposta do companheiro Roberto Robaina (do MES), seguida da análise de Roberto sobre a crise instalada na bancada federal do partido e respondida recentemente pelo companheiro Gabriel Casoni (também da Resistência).

Este debate surge sobre uma questão tática – as eleições da Câmara dos Deputados – mas revela questões mais profundas da polêmica entre as organizações. É com certeza enfadonho para aqueles e aquelas que não acompanham a polêmica, mas necessário para desmistificar posições e aprofundar temas centrais para a militância do PSOL e seus apoiadores. 

O “inverno siberiano” e a eleição da Câmara dos Deputados

Para começar é preciso voltar ao texto inicial de Valério Arcary, “No inverno siberiano”.  Nele, o companheiro pretende demonstrar a “tática errada” e a “estratégia míope” da metade da bancada federal do PSOL que defendeu o voto em Baleia Rossi contra Artur Lira, o candidato à presidência da Câmara apoiado por Bolsonaro e com enormes chances de vitória. No texto, Valério inicia descrevendo o cenário político atual como um “inverno siberiano” e depois continua a metáfora declarando o campo da esquerda em estado de “hibernação” na qual “prevalece uma letargia, marasmo, torpor, sonolência e inação”.

Buscando compreender o pensamento de Valério é necessário refletir sobre a metáfora catastrofista: é possível piorar? O que seria pior que um “inverno siberiano”? A luta de classes também “hibernou” nos últimos dois anos, ou somente a esquerda? Não se trata de fazer um chiste, mas de notar o impressionismo do argumento, que não coloca nenhum dos importantes processos de resistência ao governo Bolsonaro nem a grande divisão da direita brasileira como elementos da realidade dignos de serem citados. O Tsunami da Educação, as crises no governo, a comoção internacional sobre a Amazônia, a queda da popularidade devido à crise das vacinas, os grandes panelaços e agora as carreatas contra Bolsonaro são exemplos da realidade que deveriam ser, no mínimo, citados em um texto que propõe declarar o inverno siberiano político e a hibernação da esquerda brasileira.

Após propor este cenário bastante parcial, Valério faz um movimento paradoxal para defender uma posição que aparantemente contradiz sua própria posição impressionista. Segundo o autor:

“As condições objetivas serão terríveis no ano que inicia. Mas um agravamento da crise social não será o bastante. A questão decisiva será a maturação das condições subjetivas para derrotar Bolsonaro. Mas, também, o perigo que se insinua com a formação, em alguma medida surpreendente, de uma posição que divide as bancadas do PT e do PSol, e parece ser unânime no PCdB, que defende o apoio a Baleia Rossi, desde o primeira turno. Confundir a relação de forças política ultra-desfavorável dentro do Congresso Nacional com a relação de forças social no terreno da luta de classes é preocupante.” 

Este trecho é enigmático. Perante o risco do fascismo, em meio ao “inverno siberiano”, o companheiro coloca a posição tática de apoio à Baleia Rossi como um perigo porque confunde a “relação de forças ultra-desfavorável dentro no Congresso Nacional com a relação de forças social no terreno da luta de classes. Seria então o “inverno siberiano” uma condição climática somente dentro do Congresso Nacional? Ou o “inverno siberiano” não seria tão frio assim e nos abre possibilidades de avanço? O labirinto argumentativo continua:

“O fato de ser tão polêmico o lançamento de uma candidatura de esquerda no primeiro turno, quando há acordo em um voto crítico contra Artur Lira no segundo turno é o mais perturbador. Por quê? Há três grandes blocos políticos no Brasil, não dois. Devemos fazer unidade de ação pontual com os inimigos de classe em defesa das liberdades democráticas. Mas não podemos entrar em uma frente programática com os inimigos de classe. O apoio no segundo turno é um voto contra Artur Lira. O apoio no primeiro turno é um voto de apoio à plataforma de Baleia Rossi, desconsiderando que os discursos anti-Bolsonaro são um jogo de dissimulação eleitoral. A tática de 2021 é indivisível da estratégia para 2022.” [grifo nosso] 

Valério declara então que votar em Baleia Rossi seria um apoio à sua plataforma. Provavelmente o companheiro não defende que Marcelo Freixo e o MES mudaram de posição sobre as reformas neoliberais nem concorda com as calúnias sobre fisiologismo feitas recentemente por Luiza Erundina. Seu argumento aqui é que “os discursos anti-Bolsonaro” de Maia “são um jogo de dissimulação eleitoral”. Isso dá a entender que não existem então diferenças profundas entre Maia e Bolsonaro, logo nem entre Baleia e Lira, e que as diferenças públicas seriam uma dissimulação.

É difícil sustentar esta posição a partir do noticiário político dos últimos dois anos, e o próprio Valério não é taxativo, apenas insinua. Como este trecho não é claro, fica outra pergunta: a oposição de direita à Bolsonaro está fazendo uma dissimulação eleitoral? Para nós não, existe de fato uma crise intraburguesa. Sem nunca esquecer que estamos falando sobre a direita, inimigos da classe, precisamos lembrar que esta oposição – esta crise no andar de cima – teve efeitos práticos em inúmeros momentos (desde o fracasso da CPI da UNE até a atual desmoralização do presidente perante o plano estadual de vacinação de São Paulo) e é central na análise da conjuntura atual, ainda que (obviamente, lembrando de novo) este campo não tem nosso programa nem nossas aspirações.

O engavetamento dos pedidos de impeachment é exemplo disso. Todos sabemos os interesses e posições políticas do partido Democratas, do qual parte da base parlamentar inclusive votará no bolsonarista Lira contra o correligionário Baleia, mas ao utilizar o argumento de que Rodrigo Maia é igual ao bolsonarismo por não ter aberto o processo de impeachment (o que o uso do termo “dissimulação eleitoral” insinua) os camaradas que o fazem caem num simplismo perigoso para a luta contra a extrema-direita. Neste momento, devemos ter unidade de ação com setores da direita que querem derrotar Bolsonaro na Câmara? Ou esta unidade de ação só é admissível se chegarmos a um acordo programático? Neste tema, os camaradas da Resistência parecem ter dificuldade em diferenciar uma unidade de ação pontual com construções mais estratégicas.

Isto leva a outra reflexão. Era correto votar em Biden contra Trump nos EUA? Quem votou em Biden aceitou seu programa político? Afinal de contas, era possível votar no Partido Verde ou em qualquer outra candidatura, sem compromisso algum com o neoliberal Biden . O que pensam os camaradas? Para nós, a resposta óbvia foi o voto crítico em Biden como um importante exemplo de unidade de ação contra a extrema-direita, e com certeza os socialistas estadunidenses que fizeram essa escolha não aceitaram o programa de Biden. Se é assim com uma eleição nacional, onde o argumento propagandista pesa muito mais, por que não é assim na aferição parlamentar totalmente deturpada e enviesada de nossa Câmara de Deputados?

Outra lacuna presente na argumentação está sobre uma das questões mais importantes neste debate: a possibilidade de vitória de Artur Lira no primeiro turno e da ocupação de cargos chave na Câmara pelo bolsonarismo. Este elemento simplesmente não surge em nenhum momento do texto, assim como também não é citado o risco de traições de parlamentares do próprio “campo progressista” (inclusive do PT e PcdoB) que poderão votar em Lira. De forma esquemática, o texto transpõe a lógica de eleições gerais regulares (sem o perigo fascista) para a eleição da Câmara e defende que o papel do PSOL deve ser lançar uma candidatura própria para fazer propaganda de seu programa. A aceitação do voto em Baleia em um possível segundo turno (ao invés do voto nulo) sinaliza que Valério aceita apoiar taticamente a direita neoliberal contra o candidato de Bolsonaro, logo, a única forma de sustentar seu argumento pela candidatura própria no primeiro turno é ignorar a possibilidade de uma vitória antecipada de Lira ou a gravidade da ocupação das comissões parlamentares.

A história das eleições internas da Câmara dos Deputados brasileira está recheada de incertezas e reviravoltas promovidas pelo absurdo método da votação secreta, como as notáveis eleições de Severino Cavalcanti e Eduardo Cunha, e nem mesmo os principais analistas da correlação de forças parlamentar tem condições fazer projeções com a segurança de Valério. Além disso, o investimento financeiro realizado por Bolsonaro nestas eleições e a questão da eleição dos blocos parlamentares (que Roberto Robaina explica com detalhe em seu segundo texto) coloca o PSOL em uma situação na qual “jogar para a torcida” é de uma irresponsabilidade incompatível com o tamanho e as aspirações do partido perante a sociedade

Mas o eixo da questão ainda é mais profundo. Perante o risco do fechamento do regime, a tática do voto em Baleia não deveria estar ligada à possibilidade da vitória de Lira no primeiro turno nem mesmo ao número de parlamentares do PSOL. Perante este risco, o PSOL deveria a priori votar no candidato contra Bolsonaro com a maior chance de vitória e explicar sua posição como uma ação tática contra Bolsonaro, tal como já é compreendido pelo enorme setor social que atualmente cobra esta responsabilidade do PSOL.  

A decisão do PSOL pela candidatura própria é legítima, mas tão errada que coube à Erundina somente se defender das críticas de um amplo setor que vota no PSOL e não consegue entender como o partido faz uma demarcação propagandista nesse momento crítico. A pressão dos líderes do mundo artístico e das redes sociais contra esta decisão do PSOL, citada por Erundina em entrevista recente, nada mais é do que uma cobrança legítima perante uma posição cheia de lacunas que levará a mais desmoralização do partido caso tenha algum efeito prático.

A extrema-direita ainda é um problema?

Da mesma forma, a resposta para o texto do companheiro Gabriel passa necessariamente pela análise do próprio texto, tendo em vista que segue com as lacunas e posições capciosas de seu camarada de tendência. Logo no começo, o companheiro Gabriel escreve:

“Neste texto, vou me ater, fundamentalmente, a um aspecto vinculado à polêmica, a saber: a relação entre tática e estratégia para a formulação de uma política marxista.”

Vejamos. A “relação entre tática e estratégia para a formulação de uma política marxista” não é aqui apenas “um aspecto vinculado à polêmica”, mas sim a própria polêmica. O MES e a Resistência são duas organizações que reivindicam praticamente o mesmo referencial teórico, tanto histórico quanto contemporâneo, e nossa polêmica sempre se refere à relação entre tática e estratégia em determinado contexto. Apesar de parecer algo menor, este lembrete é importante porque existe um movimento permanente da Resistência, consciente ou não por parte dos camaradas, de substituir a argumentação entre organizações pela caracterização e simplificação das posições. Isso acontecia quando Valério resumia em três as posições da esquerda brasileira (nas quais aparentemente o MES teria a mesma posição do PSTU!), acontece quando escreve que “aceitamos o programa” de Baleia Rossi e acontece novamente no texto de Gabriel quando insinua que a polêmica das duas organizações nesse caso está além do debate sobre tática e estratégia.

Ao tentar explicar o posicionamento de Robaina, Gabriel escreve:

Assim, seguindo o raciocínio exposto por Robaina, de caráter exclusivamente parlamentar, caberia ao PSOL o papel de colaborar com a direita neoliberal para buscar fidelizar o voto de deputados traiçoeiros da direita. Reparem bem:o principal argumento mobilizado por Robaina para justificar a adesão à candidatura do Baleia no 1o turno é a tentativa de diminuir as defecções nas bancadas da oposição de direita. De acordo com o dirigente do MES, para ajudar criar um ambiente menos favorável a traições nos partidos da direita tradicional, o PSOL não deveria lançar uma candidatura da esquerda, abrindo mão de usar o espaço institucional propiciado pela candidatura à presidência da Câmara para defender perante o povo a abertura imediata do impeachment de Bolsonaro, a retomada do auxílio emergencial, o fim do Teto dos Gastos, a suspensão das privatizações e da Reforma Administrativa, entre outras pautas de interesse direto da classe trabalhadora.

 Neste trecho fica evidente como a simplificação do argumento serve para deturpá-lo. Ao dizer que o caráter do argumento de Robaina é exclusivamente parlamentar, Gabriel age como se o debate não fosse sobre a Câmara dos Deputados justamente para empurrar uma caracterização. Ora, é óbvio que a posição de Robaina  não é para “fidelizar o voto de deputados traiçoeiros de direita”, mas para ser parte ativa de um processo que derrote politicamente o candidato de Bolsonaro na Câmara. É evidente que a dispersão de candidaturas nesta eleição ajuda Artur Lira (que jocosamente inclusive indicou voto em Erundina contra Baleia), e o papel do PSOL perante isso deveria ser atuar com qualquer tática necessária para derrotar Bolsonaro.

Além disso, se a candidatura de Erundina deveria servir para aglutinar um setor social democrático e contrário ao neoliberalismo, este tiro saiu completamente pela culatra. Para Gabriel, a candidatura de Erundina à presidência da Câmara deveria servir para fazer propaganda do nosso programa radical, e não para derrotar o candidato de Bolsonaro. É interessante notar também que novamente não é feita nenhuma menção no texto aos possíveis traidores do PT e do PcdoB, o que nos coloca em dúvida sobre a posição de Gabriel. Para ele não haverão traidores de “esquerda” na eleição da Câmara? Ou este não é um tema relevante?

Outro tema importante é a questão do bloco parlamentar, também respondida de forma simples por Robaina, e sobre a qual Gabriel escreve:

“No seu segundo texto, além de se colocar ao lado dos deputados do MES na polêmica pública com Erundina no Twitter, Roberto Robaina defende que o PSOL, que decidiu por maioria lançar a candidatura própria, deveria entrar no bloco do Rodrigo Maia para supostamente assegurar postos de comando na Câmara aos partidos desta frente partidária ampla, evitando assim que aliados de Bolsonaro ganhem mais força na estrutura de poder do parlamento.

Robaina argumenta que o partido poderia manter a candidatura de Erundina mesmo entrando no bloco do Baleia. Sim, isso é verdade, assim como é verdade que essa opção tática inevitavelmente enfraqueceria a candidata do PSOL na disputa política em curso. Afinal, eleitores, filiados e simpatizantes do partido perguntariam: se vocês estão na frente ampla do Baleia, por que cargas d’água não votam nele logo no 1o turno?”

Este argumento não toca em nenhum tema central do debate. Na questão da votação do bloco, trata-se simplesmente do PSOL fazer a diferença entre os indicados por Bolsonaro ocuparem ou não cargos-chave, como a presidência da CCJ e de outras comissões importantes. O bolsonarismo nestes cargos significaria um avanço enorme em uma agenda de pautas conservadoras que fortaleceriam a extrema-direita (alterações nos órgãos de segurança, armamento da população, negacionismo científico, destruição ambiental, direitos reprodutivos, liberdade religiosa, entre várias outras), colaborando para o fechamento do regime, perigo que tanto MES como Resistência apontam. Mas Gabriel coloca este risco menos grave do que enfraquecer a candidatura de Erundina, iniciativa que na verdade só desgatou o partido. Enquanto os “eleitores, filiados e simpatizantes” hipotéticos citados por Gabriel perguntariam por que o PSOL não vota logo em Baleia no 1º turno, nossos eleitores, filiados e simpatizantes de carne perguntam hoje: por que o PSOL não apoia a possibilidade real de derrota de Bolsonaro na Câmara?

O tema da votação do bloco é tão importante que pode gerar um desgaste inacreditável para o PSOL caso a posição propagandista tenha reflexos no mundo real, com nosso partido tendo qualquer responsabilidade indireta pelo controle bolsonarista de postos-chave na Câmara. E mesmo num cenário no qual os dez votos do PSOL “não façam diferença”, trata-se de uma enorme irresponsabilidade porque não é de forma alguma uma questão de números. 

Há também um problema de perspectiva no texto, que parece “voltado para dentro”, por assim dizer. Nele, as grandes questões sociais fazem pouca diferença, a extrema-direita parece um detalhe e a campanha de Erundina parece um grande sucesso de público e crítica. Da mesma forma, os parlamentares do PT parecem bastante fiéis ao partido e a liderança da Comissão de Constituição e Justiça parece um mero detalhe parlamentar, entre outro exemplos. E este problema surge exemplarmente neste trecho:

“Por outro lado, a corrente a que pertence Robaina é bastante crítica da construção da Frente Única da esquerda, dos movimentos sociais e sindicais, ou seja, da tentativa de conformar um bloco social e político independente da classe trabalhadora e dos oprimidos que busque liderar a oposição a Bolsonaro, não deixando ao DEM, o PSDB e MDB essa tarefa. Tanto é assim que não se vê qualquer engajamento do MES na construção da Frente Povo Sem Medo ou de outro espaço de Frente Única dos trabalhadores.”

Apesar de novamente usar caracterizações para deslizar do debate real, Gabriel constata que nossa organização “é bastante crítica da construção da Frente Única de esquerda” e dá como prova a falta de engajamento na Frente Povo Sem Medo, que é sua própria alternativa de construção. Poderíamos aqui nos alongar sobre a participação do MES na fundação da FPSM, ou sobre as críticas feitas por outros setores que também romperam com a FPSM, mas não seria produtivo. Uma analogia a esta argumentação torta seria como se nós do MES dissessemos: “a Resistência é bastante crítica do internacionalismo!” simplesmente porque não constróem a IV Internacional como nós e outras organizações brasileiras. Seria desonesto dizer isso, mas o problema de Gabriel seguramente não é de honestidade, é de perspectiva. Quando confrontado com problemas reais, o mecanismo de argumentação do camarada faz uma volta para dentro do seu próprio sistema argumentativo, deixando sem respostas diversas das questões colocas acima. Este é um hábito que os camaradas carregam desde antes de sua entrada no PSOL.

Terminando com apelos para “marcharmos separados da burguesia”, o texto declara que a posição do MES e Marcelo Freixo pavimenta o caminho da derrota para Maia e o PSDB, ignorando a maior probabilidade de hoje, a derrota para Bolsonaro. É muito estranho que os mesmos camaradas que defendam o “inverno siberiano” tenham uma posição tão propagandista num momento tão delicado.            

Por fim, existem dois debates, que não cabem aqui, um sobre a estratégia e as táticas para derrotar Bolsonaro e outro sobre como construir uma alternativa de poder socialista e independente. Eles se entrecruzam, mas tem abordagens distintas. Defendemos qualquer tática para a derrota da extrema-direita ao mesmo tempo em que defendemos total independência de classe na construção de uma alternativa política. Os camaradas da Resistência fazem o contrário, recusam táticas momentâneas contra a extrema-direita ao mesmo tempo priorizam o PT como aliado imprescindível na construção de uma alternativa. Por quê? Entre todas as perguntas, esta nos parece a mais importante.


Parlamentares do Movimento Esquerda Socialista (PSOL)

Capa da última edição da Revista Movimento
“Enquanto os efeitos sanitários e econômicos da Covid-19 seguem fazendo-se sentir, escancarando a crise global do capitalismo, as lutas na América Latina começam a apresentar importantes conquistas no enfrentamento da extrema-direita continental. Na Bolívia, após meses de enfrentamentos e mobilização popular, a contundente vitória da chapa do MAS pôs fim ao governo ilegítimo e reacionário de Jeanine Áñez. No Chile, após as multitudinárias manifestações de 2019, o plebiscito levou a uma vitória esmagadora em favor de uma nova constituição elaborada por assembleia exclusiva. Na campanha eleitoral estadunidense em curso, está em jogo a possibilidade de derrotar o trumpismo, que anima movimentos neofascistas e racistas naquele país e em todo o mundo. Ao mesmo tempo, as eleições municipais brasileiras abrem a possibilidade de construir uma alternativa nas cidades que contribua para isolar e derrotar o bolsonarismo. A décima oitava edição da Revista Movimento debruça-se sobre esses processos de mobilização nas ruas e de enfrentamento eleitoral em curso”.